Domingo, Fevereiro 01, 2009

I Pagliacci-Silvio a quest hora che imprudenza

Entretanto chega Sílvio o seu amante , que lhe diz não arriscar nada porque

De longe vi
Canio e Beppe na taberna
na taberna os avistei
mas prudente
vim pelo caminho
da floresta que conheço

Ela conta-lhe então o que se passou com Tonio o corcunda. Silvio então pergunta-lhe se elea quer viver para sempre nessas ânsias

As festas terminaram
e todos partirão amanhã
Nedda ! Nedda!
E quando tu
tiveres partido
que será de mim
da minha vida ?

Nedda
responde-me
Se é verdade que nunca amaste Canio
se é verdade que odeias
a vagabundagem e o trabalho
que fazes,
se esse teu imenso amor
não é uma mentira,
partamos esta noite
foge, foge comigo !

Para oyvir esta peça cilcar >>>>>>>>>>> aqui

Domingo, Dezembro 14, 2008

I Pagliacci-So ben che difforme

Nedda não se tinha apercebido que Tonio a observava com um desejo obsessivo.
Este diz-lhe

Sei bem que disforme
e corcunda sou
que apenas desperto
a troça e o horor,
No entanto o pensamento
tem um sonho, um desejo,
e um palpitar o coração !
Quando, desdenhosa
passas junto a mim
não sabes quanto pranto
me arranca a dor
Porque, contra a minha vontade,
sofri o encanto,
venceu-me o amor !
Oh ! deixa-me dizer-te ...

Mas Nedda interrompe-o com agreste ironia, maltratando os obscuros sentimentos do palhaço que se aproxima dela, que o ridiculariza, enquanto ele entre ameaças e súplicas lhe diz "Não sabes quanto pranto me arranca a dor. Não te rias, não"

Enquanto Nedda lhe diz

Acaso tendes comichão nas costa
ou será preciso um puxão de orelhas
para acalmar o vosso ardor ?

respondendo Tonio

Tu zombas ? Desgraçada
Pela cruz de Cristo
cuidado que podes
paga-lo muito caro.

Tonio tenta beijá-la e quando ela o afasta diz-lhe

Pela Virgem Santa de Agosto
Nedda, te juro
que mo pagarás

Retorquindo-lhe Nedda

Víbora, Vai-te
Não me metes medo,
eu compreendi-te,
Tens a alma como
o teu corpo ,,,
disforme... asqueroso



Segunda-feira, Dezembro 08, 2008

I Pagliacci-Qual fiamma avea nel guardo

Nedda fica sozinha e um pouco apreensiva, iniciando então sa sua ária, sendo a primeira parte da ária composta por um série de frases d aparência recitada, que recordam o tema da ameça anterior de Cânio. Num segundo momento, o canto adquire um carácter mais lírico, quando a rapariga se deleita com o sol de meados de Agosto. A alusão aos pássaros é fica assinalada pelas cordas e pr flautim e Nedda imita o seu trinado. A ária propriamente dita começa com a frase "Stridono lassú, liberamente"

Chilreiam lá em cima livremente
e lançam-se em voo
voando como flechas
as aves,
Desafiam as nuvens
e o sol ardente
e seguem pelos caminhos,
do céu.
Deixai vagear
pela atmosfera,
esses seres sedentos
de azul e esplendor
também eles perseguem
um sonho,uma quimera,
vão por entre as
nuvens de ouro !
Que os acosse
o vento
e ruja
a tempestade,
com as asas abertas
tudo desafiam
a chuva,
os trovões,
nada os pode deter,
e voamsobre os abismos e o mar.
Vão para um país estranho
que sonham talvez,
e que procuram em vão
Mas os ciganos do céu,
seguem o misterioso poder,
que os impele e vão !

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Quinta-feira, Dezembro 04, 2008

I Pagliacci-Verso la chiesa

O coro inicia então o seu canto que reflecte um dia de festa

Para a igreja
vão os compadres,
São eles que acompanham
a comitiva
que, aos pares , às vesperas
vão com alegria.
Os sinos
Ah! vamos
o sino chama-nos aos senhor

Canio que estava de saída recorda que o espectáculo é às onze da noite

O Coro retoma cantando o mesmo convite para a ida a missa, é um canto de felicidade
acabando por dizer

Atenção companheiros
Din,don tudo irradia
luz e amor. Ah!
Mas os velhos vigiam
os atrevidos amantes
Já tudo irradia
irradia, luz e amor

Don, din, don etc.


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Segunda-feira, Dezembro 01, 2008

I Pgliacci-Un tal gioco, credetemi é meglio non giocarlo

Canio começa então a fazer a apresentação do espectáculo, dizendo que é às onze da noite, podendo assistir ás angústias do bom palhaço e como ele se vinga, fazendo tremer a carcassa de Tonio.

O povo aceita o convite diz que estará presente.

A propósito dum copo numa taberna na encruzilhada, que um aldeão convida Canio para beber e que este aceita, porém perante a recusa de Tonio em ir, há um outro aldeão que insinua que ele não quer ir, para ficar sozinho e fazer a corte a Nedda a mulher do palhaço.

Após o que se inicia a primeira ária do tenor " Un tal gioco, credetemi é meglio non giocarlo"
onde ele diz

Que é melhor não se jogar esse jogo
falo para Tonio
e para outros também.
O teatro e a vida
não são a mesma coisa
E se ali em cima
o Palhaço surpreende
a sua esposa , com o belo galã
no quarto
faz um cómico sermão,
depois se acalma e rende-se
à força de pauladas
E o público aplaude
rindo alegremente.
Mas se surpreendesse Nedda
a sério, de outro modo
acabaria a história;
tão certo como estar
aqui a falar convosco !
Este jogo, acreditai-me
é melhor não o jogar,

Alguém lhe pergunta Tão a sério levas então a coisa ?

A que Canio responde simplesmente

Eu ? Se vos parece
desculpai-me
Adoro a minha esposa


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Sexta-feira, Novembro 28, 2008

I Pagliacci-Eh son qua

Quando se abre o pano, anuncia-se a chegada à aldeia de Montalto de Calabria, duma companhia de palhaços de Canio, um modestíssimo grupo que viaja com uma pequena carroça e uma mula e que vem dar uma representação aproveitando a festa do lugar.

O coro dos aldeãos, transmite a alegria que vai por ali, comentando a chegada do palhaços do simpático Arlequim. Comentando que eles atiram ao ar os chapéus e dando vivas ao príncipe dos Palhaços como lhe chama, que afugenta as preocupações com o seu bom humor.

Acabando a dizer

Viva ! Viva o Palhaço
que garotos tão endiabrados
Deus seja bendito
Viva ! Viva o palhaço
todos te aplaudem

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Terça-feira, Novembro 25, 2008

I Pagliacci-Abertura e Prólogo

I Pagliacci é uma ópera em dois actos, com música e letra de Ruggiero Leoncavallo, estreada no Teatro dal Verme de Milão em 21 de Maio de 1892 e acção decorre em Montanto di Calabria na tarde do dia 15 de Agosto de um ano próximo de 1875.

É uma ópera que reúne uma série de circunstância que não se verificam em quase nenhuma outra ópera, começando por se realçar o facto de ser integralmente uma ópera de autor, letra e música. A originalidade do prólogo, onde uma das personagens surge diante do público contar toda a história.

É uma ópera curta, a sua duração de 75 minutos, faz com que tradicionalmente seja apresentada em conjunto com outras óperas igualmente de curta duração, como a Cavalleria Rusticana.

Depois da abertura, segue-se o referido prólogo, cantado pela barítono Tonio, o bobo da companhia que na comédia interpreta o papel de Taddeo.

Ele aparece dizendo que é o Prólogo e que o autor o mandou explicar ao público que, embora esteja vendo a antigas máscaras, não deve pensar que o que irá ver em cena é falso, pelo contrário, o que vai representar-se não é mais do que um pedaço da vida, pois sob as modestas roupas do comediante, esconde-se uma pessoa como outra qualquer.

Acaba dizendo

Já vos expus o conceito
escutai agora
como ele se desenvolve
Vamos. Começai

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Canio.........Plácido Domingo
Nedda..........Teresa Stratas
Tonio...............Juan Pons
Peppe......Florindo Andreolli
Silvio........Alberto Rinaldi

Teatro Alla Scala, Milan
Chorus Master :Romano Gandolfi

Conductor: Georges Pretre

Segunda-feira, Novembro 10, 2008

EIixir do amor-2º acto competo

No passado dia 24 de Maio a NUAMPS (Northwestern University School of Music's ) apresentou o seu Elixir do Amor. Naturalmente são estudantes e a qualidade vocal, um pouco verde (em especial o Nemorino), tem contudo a vantagem de apresentar todo o 2º acto e final, sem interrupções.

Tem a vantagem para alguns, de estar legendado em inglês, mas de qualquer maneira faço uma pequena sinopse do que acontece neste acto final da ópera.

O segundo acto começa com o ar festivo da festa de casamento, mas quando as pessoas passam a outra sala onde irá recorrer a assinatura do contrato matrimonial, aparece Nemorino que conta a Dulcamara, todo o seu desespero, por o eleixir não ter efeitos mais rápido. O aldrabrão pede lhe dinheiro para outra garrafa de elixir, que Nemorino não tem.

A entrada do sargento, aborrecido com o facto de Adina ter adiado mais uma vez o casamento. Quando Nemorino lhe conta as dificuldades financeiras, Belcore oferece-se para lhe resolver o problema desde que ele se aliste no exército, que Nemorino aceita, com o único objectivo de comprar outra garrafa.
Entretanto corre a notícia que o tio rico de Nemorino havia morrido, que suscita logo o interesse nas senhoras casadoiras,
Belcore oferece os seus serviços a Adina que recusa. Após a entrada triste de Nemorino cantando a romança "Una furtiva lacrima". É então altura de Adina, lhe devolver o contrato de recrutamento que tirara a Belcore e lhe declarar o seu amor.
Tudo acaba em festa e o povo acaba felicitando os noivos e o doutor tão ilustre

O jovem elenco é o seguinte

Adina -Suzanne Post
Nemorino-Mark Donin
Belcore-Michael O Hulkran
Dulcamara-Nicolas Wenzel
Gianetta-Elizabeth Koehler

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Segunda-feira, Novembro 03, 2008

Elixir do amor-Andina credimi

Entretanto aparece Giannetta e os soldados, que trazem uma mensagem para o sargento Belcore, que ele lê, constando que se tratava duma ordem e marcha, para o dia seguinte de manhã.

Perante a obrigação de mudança tão rápida, Belcore sugere a Adiana que antecipem o casamento para hoje o que deixa Nemorino em pânico o que não passa despercebido a Adina, que se mostra contudo disposta a aceder.

Nemorino pede-lhe que espere pelo menos até amanhã, levando Belcore a perguntar-lhe o que lhe importa isso.

Começa então a intervenção de Nemorino com esta "Andina credimi", onde pede a Andina
que não case com Belcore, que confie nele, apenas num breve dia e que se o fizer virá a arrepender-se .

Depois disso começa o concertante final do 1º acto, que além dos protagonistas acaba por envolver também o coro.

Belcore fazendo ameaças ao mesmo tempo que diz nem perceber a razão porque não desfaz aquele desgraçado.

Adina Pedindo a Belcore que não ligue é apenas um rapaz que meteu na cabeça que pelo facto de me amar eu tenho igualmente de o amar.


O Coro admirador do sargento, indigna-se pelo facto de um tolo daqueles pretender enganar um sargento.


O anúncio do banquete para que estão todos convidados, anima toda a gente, com exepção claro de Nemorino, que acaba lamentando-se


Despreza-me o sargento
burla-me a ingrata

sou o motivo do riso das pessoas
por culpa da desapiedada
O meu oprimido coração
já não tem esperança.

Doutor, doutor ! Socorro, piedade

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Quinta-feira, Dezembro 06, 2007

Elixir do amor-Che cosa trova a ridere

O vídeo que agora se apresenta repete o dueto anterior entre Adina e Nemorino, mas continua para o terceto seguinte com a entrada do sargento Belcore.

Fora de cena entra cantando "na guerra como no amor o assédio aborrece e cansa"

Adina e ele trocam algumas palavras, fazendo um trocadilho entre a arte da guerra e o amor, acabando Belcore por perguntar

Fala anjo meu quando nos casaremos ?

Muito rapidamente responde Adina, afirmando depois perante a insistência do sargento

Dentro de sei dias.

Esta resposta provoca a gargalhada de Nemorino confiante que está nas propriedades do elixir.

Inicia-se então o curto terceto em que ao mesmo tempo cada um um canta o seguinte.

  • Belcore- " De que se ri este imbecil ? Se não sair daqui corro-o agora mesmo a pontapés"
  • Adina-"E pode tão tranquilo e alegre ouvir dizer que me caso.! Já não posso esconder a raiva que sinto.
  • Nemorino-"Fanfarrão ! Imagina tocar o céu com a mão ; mas a armadilha já está estendida, e amanhã dar-se-á conta".
De notar a excelente capacidade cénica de Rolando Villazón muito mais próximo do espírito do papel de Nemorino, que o anteriormente demonstrado por Alagna.

Clicar aqui para ver

Domingo, Novembro 18, 2007

Elixir do amor-Esulti pur la barbara

Absolutamente confiante nos efeitos do "Elixir" e nas palavras de Dulcamara, que o efeito da bebida só aconteceria no dia seguinte, Nemorino irradia felicidade, que não passa despercebida a Adina e que se interroga.

Inicia-se o segundo dueto entre os protagonistas, precedido dum recitativo de frases que cada uma vai dizendo para si próprio, ela manifestando a estranheza pela súbita boa disposição de Nemorino, que não espera, ele dando tempo ao tempo enquanto refreia os seus impulsos de correr para ela.

O dueto inicia-se quando Nemorino diz Esulti pur la barbara.

Que desfrute pois a bárbara
por pouco tempo das minhas penas !
Amanhã acabarão
amanhã amar-me-á

Replicando Adina

O infeliz quer
retirar suas correntes,
mas terá que as suportar
e ainda mais pesadas do que de costume

A segunda parte do dueto e mais dialogante

Nemorino-De acordo, po-la-ei em prática, para ver se resulta

Adina-E o anterior sofrimento ?

Nemorino-Espero esquecê-lo

Adina-E o antigo fogo ?

Nemorino-Rapidamente se extinguirá, basta esperar um dia e o coração a curará

Adina-Muito bem alegro-me muito, mas, contudo ... depois veremos.

Voltando depois a repetir o que disseram na primeira parte do dueto

O vídeo que seleccionei refere uma representação de Roberto Alagna, e Angela Gheorghiu em 1996 em Paris. Para ver clicar aqui

Alagna não deve ter a noção, que deve corresponder à interpretação cénica do papel de Nemorino. Independentemente da voz os cantores de ópera, não podem deixar de cuidar da interpretação o que infelizmente nem sempre acontece.

Sexta-feira, Novembro 09, 2007

Elixir do amor-Obbligato, si Obbligato

Quando todos partem, Nemorino pede a Dulcamara o elixir do amor utilizado pela Rainha Isolda.

Dulcamara fica bastante surpreendido pela ignorância do jovem Nemorino, mas não perde a ocasião para lhe vender uma garrafa do "elixir" em troco de todo o dinheiro que tem nos bolsos.

Segue-se um interessante dueto, entre eles Nemorino agradece considerando-se muito feliz, enquanto em aparte Dulcamara vai dizendo

Pelos lugares que percorri

mais de um bobalhão encontrei,
mas um como este sem dúvida

não se encontra não senhor.


Depois Nemorino pergunta como se usa e Dulcamara explica


Com cuidado,
devagar, devagarinho,

agita-se um pouco a garrafa

destapa-se mas com cuidado,

que não fuja o vapor.

depois aproxima-se dos lábios

e bebe-se a sorvos,

e o efeito surpreendente
não se demora
em conseguir.


Nemorino pergunta quanto tempo é preciso para fazer efeito, a que o charlatão responde ser preciso um dia inteiro, tempo mais que suficiente para partir (diz em surdina).

Sobretudo pede-lhe silêncio, pois hoje em dia provocar o amor é uma coisa muito delicada.

Terminam o dueto ao melhor estilo rossiniano, com Dulcamara a dizer


Vê, mortal afortunado;

dei-te um tesouro,
todo o sexo feminino
amanhã suspirará por ti.

(mas amanhã ao nascer
estarei muito longe daqui)


E Nemorino afirma

Ah doutor ! Dou-vos a minha palavra
de que o beberei por causa de uma só,
por qualquer outra,
por muito bela que seja,

não sobrará nem uma gota.

(sem dúvida, uma estrela amiga
t
rouxe este até aqui)


(Para ver este trecho cantado por Jeremy Schoenberg (Nemorino) e Gil LipazDulcamara)

clicar aqui

Terça-feira, Outubro 30, 2007

Elixir do amor-Udite, udite o rustici

Entretanto toques de corneta anunciam a chegada à aldeia de uma vistosa carroça, que é imediatamente rodeada pelos habitantes da aldeia.

Estes ficam surpreendidos, perante o luxo da carruagem e dos seus ocupantes, aparece então Dulcamara, um curandeiro charlatão acompanhado por um lacaio.

Declara a sua condição de médico enciclopédico e proclama as excelência do seu licor, capaz de curar paralíticos ou aqueles que se afogam ou sofrem do fígado, convencendo os camponeses da sua autenticidade começando a vende-lo.

Esta extensa intervenção para voz de baixo, é uma ária exigente, quer sob o ponto de visto vocal, como também teatral.

Ouvi ouvi camponeses
tende cuidado e não respirai sequer
Dou por evidente e imagino
que tal como eu sabeis
que sou aquele grande médico
doutor enciclopédico
chamado Dulcamara.
cuja virtude ilustre
e os prodígios infinitos
são conhecidos no mundo inteiro...
e parte do estrangeiro.
Sou benfeitor de homens,
reparador dos males.
Em poucos dias eu esvazio
e limpo os hospitais e vou
vendendo saúde
pelo mundo inteiro.

Continua depois incitando à compra do produto milagroso.
Passando a enumerar os principais males que se podem curar.

Um septuagenário
ainda se converteu em
avô de dez crianças.
Graças a este Bebe e Sana
em menos duma semana
uma viúva afligida
deixou de chorar.
Vós austeras matronas
quereis rejuvenescer ?
Vossas rugas incómodas
com isto apagareis.
Quereis raparigas
ter a pele macia ?
Vós jovens galantes
ter sempre amantes ?
Comprai-me o meu específico,
no vo-lo dou barato.
O elixir move os paralíticos,
cura os apoplécticos,
os asmáticos, os asfixiados,
os histéricos e os diabéticos,
cura os que sofrem do tímpano,
escrofulosos e raquíticos
e até a dor de fígado
que ultimamente está na moda.

Acaba por anunciar o preço, da forma típica dos vendedores de banha da cobra.

Terminando a dizer

Para vos provar o meu agradecimento
por tão amável recepção,
quero, boa gente,
oferecer-vos um escudo.

O coro fica agradavelmente surpreendido e aplaude

Um escudo ? Realmente
homem mais simpático não se pode encontrar.

Dulcamara continua

Aqui está este estupendo
e tão balsâmico elixir.
Toda a Europa sabe que não o vendo
por menos de nove liras,
mas como é sabido
que sou vosso compatriota,
por três liras vo-lo deixo,
peço-vos apenas três liras,
assim pois, é tão claro como o Sol,
que a cada um que o queira
um escudo contante e sonante
no seu bolso faço entrar.
Ah quente afecto da pátria !
que milagres podes fazer !

Retorquindo o coro

Sim, é verdade, trazei cá.
Oh, que grande doutor sois !
Teremos da vossa chegada
uma prolongada recordação.


Marco Romano canta a ária de Dulcamara numa recita em Taormina em 18 Agosto 2007.

Para ver o clip referente a esta momento da ópera clicar aqui

Quinta-feira, Outubro 25, 2007

Elixir do amor-Una parola o Adina

Nemorino fica ciumento mais uma vez, pela presença do petulante sargento e talvez por esse motivo decide aproximar-se de Adina, declarando-lhe o seu amor, tentando conquista-la.

Adina começa por lhe dizer que se ocupe antes dos seus assunto, como por exemplo cuidar do seu tio moribundo, do qual poderá herdar uma fortuna.

O recitativo entre ambos é iniciado pela soprano com as palavras

Chiedi all aura lusinghiera
Pergunta à brisa brincalhona
porque voa sem descanso
ora sobre o lírio, ou sobre a rosa,
ora sobre o prado, ou sobre o arroio,
dir-te-á que a sua natureza
ser ligeira e infiel

Cujo tema é repetido por Nemorino

Chiedi al rio perché gemente
Pergunta ao rio porque é que, gemente,
desde a nascente em que brotou,
se dirige para o mar que o chama,
e ao mar vai morrer
dir-te-á que o arrasta
um poder que não sabe explicar.

A segunda parte da cabaleta tem um ritmo mais rápido.
Depois dum curto diálogo, onde Adina lhe pergunta o que é que ele quer ao que Nemorino responde

Morrer como ele (o mar), mas morrer seguindo-te.

Adina secamente diz-lhe "Ama outra nada te impede".

Recomendando-lhe

Per guarir di tal pazzia
Para te curar de tal loucura
que é loucura o amor constante,
tens de seguir a minha usança,
cada dia mudar de amante.
Como um prego tira outro prego,
o amor afasta o amor.
Desta forma eu rio o desfruto,
desta forma tenho livre o coração.

dizendo Nemorino

Te sola io vedo, io sento
Só te vejo a ti, eu sinto-te
dia e noite, em cada objecto,
em vão tento esquecer-te.
Tenho o teu rosto esculpido no peito,
mudando como tu fazes,
podes esquecer-se qualquer outro amor,
mas não se pode, nunca se poderá
tirar o primeiro do coração.

O clip que encontrei, refere uma apresentação em Tóquio em 1974, cantado por Maria Callas e o seu parceiro vocal preferido Giuseppe di Stefano. Clicar aqui

Sexta-feira, Outubro 12, 2007

Elixir do Amor-Come Paride vezzoso

A 2ª cena do 1º acto começa com a chegada do sargento Belcore (barítono), introduzido por uma marcha militar, canta a sua cavantina, onde a primeira parte parece ser própria de um homem de grande porte, mas depressa se descobre pelo texto e por uma certa rapidez no ritmo, que a personagem não é mais do que um pretensioso.

A cavantiva liga-se directamente a um trio entre Adina, Belcore e Nemorino, que revela influência de Rossini..

Quando Belcore entra, dirigindo-se a Adina, depois de a saudar oferece-lhe um ramo de flores, dizendo

Como Páris galante
entregou a maçã à mais bela,
mina querida camponesa,
eu te entrego estas flores.
Mas sou mais glorioso do que ele
mais feliz do que ele eu sou
dado que como prémio do meu obséquio
obtenho o teu belo coração.

Presunçoso, mesmo depois de Adina ter comentado entre dentes, ironicamente para as outras mulheres um "é modesto, o rapaz", continua

Vejo bem nesse rostinho,
que fiz uma brecha em teu peito,
Não é coisa surpreendente;
dado que sou galante e sou sargento.
Não há beleza que resista
à vista dum penacho,
a Marte, Deus da guerra,
até Cupido se rende

Perante o pânico de Nemorino, pelo sorriso de Adina ela responda à pergunta de Belcore, sobre o dia em quer o casamento, dizendo-lhe que não tem pressa, que quer pensar um pouco.

Belcore continua

Não percas mais tempo por Deus
voam os dias e as horas
na guerra e no amor
é um erro hesitar.
Rende-te ao vencedor,
de mim não podes escapar.

Não eram estas as palavras ideais para a conquista de Adina, que repele a vaidade dele, afirmando que "não é assim tão fácil conquistar Adina".

Ao longe Nemorino assiste à cena lamentando a sua timidez que o impedem de "lhe explicar as minhas penas e talvez tivesse piedade".

O coro e a criada Gianneta, comentam

Seria coisa para rir
se Adina se deixasse apanhar,
se a todos nos vingasse
este militar.
Sim sim, mas é raposa velha
e com ela não se pode brincar.

Belcore convencido e julgando-se já vencedor pede a Aldina, que conceda aos seus guerreiros descanso sob um tecto, ao que Aldina responde

Com boa vontade.
Considerar-me-ei feliz,
por vos oferecer uma garrafa.

e virando-se para os trabalhadores diz-lhes

Vós podeis recomeçar,
os lavores do campo interrompidos.
Já cai o Sol.

O vídeo que se pode ver clicando aqui é referente a um espectáculo no
Liceu de Barcelona em 2005 com o seguinte elenco :

Mariela Devia-Adina
Raúl Gimenez-Nemorino
Víctor Torres-Belcore
Cristina Obregón-Giannetta.

Terça-feira, Outubro 09, 2007

Elixir do amor-Della crudele Isotta

Quando Nemorino acaba a sua intervenção, recupera o tema do coro, que é interpretado logo de seguida por todos os elementos.

Uma ligeira troca de palavras entre Adina e a sua criada Giannetta, em que esta questiona a sua patroa, acerca da razão porque se ria da sua divertida leitura. Adina responde-lhe que é a história de Tristão, uma história de amor.

Os trabalhadores pedem-lhe então que a leia.

Dá-se então início à cavantina de Adina, em que diz o seguinte :

Pela cruel Isolda
o belo Tristão ardia,
nem um pouco de esperança
tinha de possuí-la um dia.
Quando se pôs aos pés
de um sábio mago,
que lhe deu um frasco
com um certo elixir de amor,
pelo que a bela Isolda
dele não conseguiu jamais fugir.

O coro responde que um elixir de tão perfeita e rara qualidade, oxála se soubesse a receita.

Adina continua a história

Mal ele bebeu um sorvo
do mágico frasco
o coração rebelde
de Isolda enterneceu-se.
Mudada num instante,
aquela beleza cruel,
foi amante de Tristão
e aquele primeiro sorvo,
para sempre abençoou.

Acabando o coro por repetir o que havia dito anteriormente.

Tudo isso é seguido atentamente por Nemorino.


Domingo, Outubro 07, 2007

Elixir do Amor-Quanto é bella quanto é cara

Segue-se a primeira intervenção de Nemorino, a sua cavantina onde se descobre o carácter desta personagem, é uma passagem de grande beleza onde a sua inquietação amorosa é evidenciada.

Nemorino está à beira do desespero, pois o casamento de Adina com o sargento Belcore, está anunciado e mais do que isso, foi antecipado para a tarde daquele mesmo dia.

Nemorino canta

Como é bela e adorável
Quanto mais a vejo, mais gosto dela,
Mas a essa coração não sou capaz
de inspirar o menor afecto
Ela lê, estuda, aprende
Para ela não há coisa desconhecida
Eu sou um idiota
que não sabe mais do que suspirar
Quem me iluminará a mente ?
Quem me ensinará a fazer-me amar ?

Fica a nota desta cavantina cantada por Nicolai Gedda clicando aqui.

Gedda é um tenor sueco nascido em 1925, que suponho hoje já completamente retirado.
Considerado por alguns o mais versátil do século 20, como atestam as suas mais de 200 gravações em papéis muito diferentes.

Ou, preferindo a versão cantada por Rolando Villazon, clicar aqui

Tenor mexicano nascido em 1972, radicado em França, considerado um dos melhores tenores líricos da atualidade.

Sábado, Outubro 06, 2007

Elixir do Amor-Bel conforto al mietitore

O Elixir do Amor uma ópera de Donizetti em dois actos foi estreada em Milão em 1832, com libreto de Felice Romani.

Esta ópera foi classificada inicialmente, como ópera buffa, só porque contém alguns elementos de comédia, não habituais nas óperas "sérias" do bel-canto.

A começar pela papel do protagonista Nemorimo, um tanto parvo, simplório e ignorante.

Contudo alguns elementos característicos da ópera buffa, não estão caracterizados nesta ópera.

Nemorino não tem criado para casar com a criada confidente da protagonista.

Adina a protagonista casadoira, não têm pai. Ela própria é independente , rica perfeitamente apta a resolver os seus problemas quer financeiros quer matrimoniais.

O militar fanfarrão típico da opera buffa, está aqui representado pelo sargento Belcore, rival de Nemorimo, com um papel mais importante do que naquele tipo de óperas.

O próprio ambiente rural em que se desenrola esta ópera afasta-a do cénico urbanismo buffo.

Enfim, alguns detalhes que culminam na diferença inevitável na opera buffa dos casamentos múltiplos, contudo problema esse já simplificado desde Rossini.

A esta ópera está associada á morte de Caruso, que adorava cantar esta ópera tanto assim que em Dezembro de 1920, cantava em Nova Iorque no Metropolitan a representação número 604, no papel de Nemorino, quando subitamente em pleno palco teve um ataque de tosse que lhe provocou uma hemorragia.

Foi o primeiro sinal do seu fim, que viria a acontecer em Nápoles, poucos meses mais tarde, cantando o papel que mais gostava, numa ópera que contribuiu para que ainda hoje se mantenha interessante.

A acção passa-se numa pequena aldeia no País Basco. Adina é dona de tudo quanto se vê em cena, e os segadores, são seus empregados, que descansam sob uma grande árvore, refugiando-se dos ardores do sol.

Boa fazendeira, á moda antiga, (muito antiga digo eu) não se preocupa com a produtividade dos seus empregados, ocupando-se da leitura de um romance.

A ópera começa com breves compassos de tom cómico, que são seguidos por um tema mais dramático em que os instrumentos de corda acompanham a flauta.

O tema do coro acompanhado pela criada Giannetta, serve de introdução ao primeiro acto, cantando

Doce consolo para o segador
Quando o sol está mais ardente
é sob uma faia ao pé duma colina
repousar e respirar
O vivo ardor do meio-dia
ameniza a sombra e o rio
mas o amor ardente
nem rio nem sombra podem acalmar.
Afortunado o segador
que dele se pode guardar

Para ver o clip clicar aqui

Sexta-feira, Setembro 28, 2007

Requiem de Verdi-Libera me

A extraordinária sequência final do Requiem cantada pela Grande Monserat Caballé e o coro na arena de Verona em 1980 é uma maravilha.
Pena de conseguir um gravação de maior qualidade

Para ver, são dois vídeos, clicar aqui

Ou para ouvir Leotyne Price com melhor qualidade clicar aqui

Libera me, Domine, de morte aeterna,
in die illa tremenda,
quando coeli movendi sunt et terra.
Dum veneris judicare saeculum
per ignem.
Tremens factus sum ego, et timeo,
dum discussio venerit atque
ventura ira
quando coeli movendi sunt et terra.
Dies illa, dies irae, calamitatis et miseriae,
dies magna et amara valde.
Dum veneris judicare saeculum
per ignem.
Requiem aeternam dona eis, Domine
et lux perpetua luceat eis.

Segunda-feira, Setembro 17, 2007

Cavalleria Rusticana-Viva il vino

Entretanto acaba a missa e todos os aldeões se reúnem em pequenos grupos. Mamma Lucia atravessa a praça e vai para casa, enquanto todos se vão despedindo uns dos outros.

Turiddu dirige-se a Lola, mas ela insiste em procurar o seu marido, ele então pega num copo e dirige-se á multidão cantando "Viva il vino spumeggiantte", num brinde

"Viva o vinho que é sincero
que conforta os nossos pensamentos
e afoga a nossa tristeza
embriagando-nos docemente"
que todos aplaudem e brindam, dizendo
"bebamos bebamos
Viva o vinho espumoso"

Para ouvir Plácido Domingo clicar aqui

Quarta-feira, Setembro 12, 2007

Blog em reconstrução

Este blog está em reconstrução

Estou tentando repor alguns vídeos que foram retirados pelo you tube e que distorceram o objectivo com que tinha concebido este blog.
De moment estou tentando repor a Cavalleria Rusticana.

Entretanto do meu blog Musicopera tenho publicadas alguns trechos de ópera que considero mais interessantes

Luís Maia

Terça-feira, Julho 17, 2007

Ileana Cotrubas

Talvez os melómanos mais fundamentalista, não colocassem esta soprano romena na galeria dos grandes nomes.

Eu desde que a ouvi cantar em Lisboa em 1975 o papel de Gilda do Rigoletto, aliás uma das suas imagens de marca, nunca deixei de seguir a sua carreira, admirador como sou da sua linda voz.

Esta soprano lírica romena nascida em 1939, especialista nos papéis que requerem uma certa carga emotiva, desempenha a preceito papéis como o de Mimi em La Bohème, a doce Susana nas Bodas de Figaro, ou mesmo a Tatiana de Eugéne Onéguine de Tchaikowsky.

Estreou-se em Bucareste em 1964 no papel do pequeno Yniold de Pelléas etMelisande de Debussy, revelando uma outra faceta que marcou grande parte da sua carreira, pelo facto da sua figura franzina se ajustar a papeis de menino ou de rapaz em "travesti".

Retirou-se em 1990 dedicando-se desde então ao ensino.

O primeiro vídeo é precisamente de 1990 e trata-se no fundo duma gracinha. Um conjunto de artistas reuniu-se em Viena para uma Gala a favor da Roménia, todos em cena para fecho do espectáculo cantam O Brinde de La Traviatta de Verdi.

A curiosidade dos papéis de Alfredo serem repartidos por José Carreras e Plácido Domingo e o de Violette por Agnes Baltsa primeiro e Cotrubas depois.

No segundo uma ária da opereta de Franz Lehar, Giuditta que não conhecia, já que normalmente só se fala da Viúva Alegre. A beleza da voz de Ileana em 1996, já depois de retirada, continua associada à sua extrema graciosidade em palco.

Segunda-feira, Julho 16, 2007

La Bohème 14-Final

Esta peça final de Lá Bohème, incluí a publicação anterior e a parte final da ópera.

As explicações sobre o enredo desde o início do dueto "Sono Andanti" até ao desfalecimento de Mimi e a entrada em cena de Schaunard estão descritas na mensagem anterior.

Agora Mimi diz que está bem e chamando Musetta diz-lhe agarrando no regalo, que ele "é belo e suave, acabaram-se as mão pálidas. O calor as embelezará" o depois perante o choro de Rodolfo, lhe diz "estou bem, chorar assim porquê ? Aqui amor ,,, sempre contigo".

Entretanto Musetta reza

"Nossa senhora bendita
faz a graça a esta pobrezinha
para que não morra"

e depois após uma interrupção para dizer a Marcello, para que a protejam do frio, continua

" e que possa curar-se
Nossa Senhora santa, eu sou
indigna de perdão
enquanto Mimi
é um anjo do céu".

Entretanto Schaunard comunica a Mercelo que Mimi faleceu e quando Rodolfo se apercebe do sucedido, grita por duas vezes desesperadamente o nome de Mimi.

Alagna e Gheorghiu interpretam esta cena final .

Segunda-feira, Julho 09, 2007

La Bohème.13

A soberba interpretação cénica de Ileana Coturbas, a soprano romena, praticamente dispensa a explicação dessa ária "Sono andati ?Fingevo di dormire".

"Foram-se embora ?
Fingia dormir
porque queria ficar sozinha contigo
tenho tantas coisas para te dizer,
Tenho uma só,mas grande como o mar
como o mar profundo e infinito
és o meu amor e toda a minha vida"

(Este é o tom e característica da óperas de Puccini, a musica sublinha sempre a caracterização romântica da sua obra qualquer que seja o libertista.)

Continua o dialogo entre ambos, perguntado~lhe ela se ele ainda a achava bela, "como a aurora responde-lhe Rodolfo.

"Enganaste-te na comparação
querias dizer bela como um ocaso"

A música sublinha entretanto a música do primeiro acto , quando se conheceram e ela repete recordando

"Chamam-me Mimi ...
porquê não sei..."

Rodolfo mostra -lhe a touca que lhe oferecera e continuam recordando o tempo em que se conheceram, quando ela perdera a chave e ela graciosamente diz-lhe

"Meu belo menino
posso bem dizê-lo agora
encontrou-a muito depressa"

continuando depois

"Estava escuro e o meu rubor
não se via
Que mãos tão frias
deixe-me aquecê-las
Estava escuro e tu agarravas
as minhas mãos"

Mas é tomada por um espamo de asfixia e deixa cair a cabeça, esgotada, no momento em que Schaunard entra.

Sexta-feira, Julho 06, 2007

La Bohème.12

Musetta entra e não traz boas notícias, entra em grade aflição pedindo ajuda para Mimi, que a acompanha e está ali em perigo de vida.

Depois de acomodada Musetta conta-lhes que a encontrou na rua e que ela lhe diz que se sente a morrer e que queria morrer com Rodolfo.

Mimi pede que a deixem olhar à volta e diz que se sente ali muito bem, sente-se renascer e que ainda sente vida ali.

Musetta constata que nada há ali para se comer ou beber, enquanto Mimi diz que tem muito frio, se ao menos tivesse um regalo para aquecer as mãos geladas.

Musetta desfaz-se dos brincos e dá-os a Marcello para ele ir comprar medicamentos, enquanto Colline resolve empenhar o seu velho sobretudo, cantando uma famosa ária "Vecchia zimara senti" (uma das minhas favoritas para voz de baixo). Nessa ária ele despede-se do seu velho sobretudo lembrando os dias que passaram juntos.

"Nunca curvaste o puído dorso
aos ricos e aos potentes
Passaram pelo teus bolsos
como em antros tranquilos
filósofos e poetas.
Agora que os dias alegres se foram
digo-te adeus , fiel amigo meu,
adeus, adeus"

Saíem todos deixando Mimi e Rodolfo sozinhos.

Quinta-feira, Julho 05, 2007

La Bohème.11

O último acto passa-se na velha mansarda do Quartier Latin, Marcello e Rodolfo discutem os falhanço da suas vidas amorosas enquanto trabalham. Rodolfo conta como viu Musetta numa bela carruagem e Marcello retribui com descrição de Mimi, vestida como uma rainha, obviamente mantida por algum protector rico.

Rodolfo pega na touca de Mimi e recorda o amor e felicidade perdidos,(o Mimi tu più non torni) enquanto Marcello reconhece que a única coisa que sabe pintar é a face de Musetta.

Aparecem Schaunard e Colline que trazem um jantar miserável- pão e um arenque salgado-porém os quatro amigos depressa esquecem as suas mágoas ao improvisar um acto de variedades, que inclui um fandango e um duelo a rigor.

No auge da animação a porta abre-se e entra Musetta.

José Carreras canta o papel de Rodolfo e Vicente Sardinero o de Marcelo numa récita em Barcelona em 1980, porém o segundo vídeo é uma peça magnifica junta Pavarotti, no papel do tenor Rodolfo e Plácido Domingo no de Marcello, um papel de barítono, que ele tenor interpreta magnificamente, num documento gravado fora de cena, contendo apenas o dueto inicial.

Aliás é conhecida a sua apetência na fase final da sua carreira, por cantar o papel barítono em Simão Boccanegra



Quarta-feira, Junho 27, 2007

La Bohème.10-Final 3º acto

Rodolfo pergunta-lhe então se é mesmo verdade que tudo tenha acabado, ela responde-lhe evocando recordações da vida passada entre ambos, num diálogo cheio de ternura.

Ela recorda o doce acordar da manhã ele a vida sonhadora, ela sorrindo diz-lhe que se acabaram os raspanetes e os ciúmes que ele interrompe dizendo-lhe que eram acalmados por um sorriso dela. Ela recorda a pungente amargura que ele remata que sendo um verdadeiro poeta rimava com candura.

Terminando dizendo os dois "Ficar sozinho no Inverno é coisa de morrer. Enquanto na Primavera, o sol é companheiro".

Entram Musetta e Marcelo, como sempre em discussão e em desafio, estabelecendo-se um clássico quarteto de diálogos cruzados, nessa altura discussão e ciúme , por outro lado amor e nostalgia por outro , "quando floresce a Primavera o sol é companheiro" dizem "tagarelam as fontes e brisa da noite cobre de bálsamos o sofrimento humano".

Enquanto os outros gritam "eu não faço de bobo aos principiantes ousados", e Musetta reclama "eu faço amor com quem quiser" e Marcello chama-lhe "frívola e casquilheira", continuando a trocar acusações "pintor de paredes", "víbora", "sapo", "bruxa".

Entretanto Mimi e Rodolfo decidem em grande enlevo que se deixarão apenas na estação das flores.

Luciano Pavarotti (Rodolfo),Lorenzo Saccomani (Marcello) e Lucia Popp (Musetta), juntam-se agora a Ileana Coturbas, no espectáculo de 1979, anteriormente referido.

Uma referência acerca das imagens finais do soberbo Scala e a recordação da cópia, o nosso picolo Scala, o Teatro S.Carlos

La Bohème-Donde lieta usci

Como disse anteriormente a tosse e os soluços revelaram a presença de Mimi, Rodolfo tenta levá-la para dentro do café por estar mais quente, mas Mimi recusa diz-lhe então que

Ficou feliz por ter correspondido ao grito de amor dele, mas que irá voltar ao solitário ninho e voltará a tecer flores, despede-se dele sem rancor "addio senza rancore".
As poucas coisas que tem deixou espalhadas, na gaveta dela encontram-se a aliança de ouro e o livro de orações, pede-lhe que embrulhe tudo num avental que ela mandará buscar.
Debaixo da almofada, está a touca cor-de-rosa, se ele quiser guarde-a como recordação de amor e despede-se dele dizendo de novo "addio senza rancore".

Foi Edison que disse numa carta em 1920 "os homens morrem, os governos mudam, mas as canções da Boheme viverão para sempre.

Angela Gheorghiu canta esta ária







Sexta-feira, Junho 22, 2007

La Bohème-Mimi é una civetta


O tenor mexicano Arturo Chacon-Cruz (Rodolfo) e o Barítono americano Mark Walters, cantam este dueto.

Rodolfo acorda e chama por Marcello, as primeiras palavras que diz ao sair da estalagem, são de que tenciona separar-se de Mimi, confessa a sua natureza ciumenta, e o amigo diz-lhe para ele mudar de atitude, pois dos loucos é o amor sombrio, que lágrimas destila, se não ri e brilha o amor é louco e fraco.

Chama-lhe lunático, maçador, teimoso e ciumento.

Rodolfo diz que ela é uma "civetta"que namorisca com todos, que se pavoneia e destapa o tornozelo com modos permissivos e lisonjeiros a um filho dum visconde.
Diz que a ama, sobre todas as coisas na terra,mas. mais do que tudo, mostra-se preocupado com o estado de saúde dela diz que ela está muito doente, cada dia declina mais e que está condenada, uma tosse terrível o fraco peito sacode.

Lamenta a sua impossibilidade financeira de cuidar de Mimi, diz que o quarto dele é um pardieiro, o lume apagado, o vento entra por todo o lado, porém ela canta e sorri , mas o remorso assalta-o por causa do fatal mal que a assalta.

Mimi escondida ouve tudo e vai lamentado a sua sorte, enquanto Marcello se comove e Rudolfo diz que ela é um flor delicada, mas para voltar a chamá-la à vida não basta o amor.

A tosse e os soluços violentos acabam por revelar a presença de Mimi.



Domingo, Junho 17, 2007

La Bohème-Speravo di trovarvi qui

Ao alvorecer numa manhã fria de Fevereiro, Os guardas da portagem mostram-se relutantes em abrir as portas aos vendedores e varredores.

A cena passa-se numa das portas de entrada de Paris, Os varredores gritam e batem com as vassouras nas cancelas, para que os guardas os deixem passar.

Vêm abrir a cancela e pouco depois passam uma leiteiras, aparecendo Mimi, que pergunta ao sargento onde fica a taberna onde trabalha um pintor e a seguir pede a uma criada, que entre para avisar Marcelo, que ela pretende falar-lhe.

Ele aparece e conta-lhe que estão ali há um mês a expensas do taberneiro, ele pinta e Musetta ensina canto aos clientes.

Mimi conta-lhe que Rudolfo consome-se por ciúmes infundados. mesmo á noite fingindo dormir sente os seus olhos e espiarem-na e pede ajuda a Marcello
.

Marcello conta-lhe que no caso dele de Musetta tudo é diferente amam-se com alegria, cantos e risos, "eis a flor de invariável amor", mas aconselha que no caso deles é melhor separarem-se .

Mimi entretanto tosse, explicando a Marcello que se sente exausta, mas este procura convencer Mimi a ir-se embora por forma a evitar mais uma cena de ciúmes.

Angela Gheorghiu canta o papel de Mimi e Franck Ferrari o de Marcelo





Quinta-feira, Junho 14, 2007

La Bohème-Chi I ha richiesto-Final do 2ºActo

O mesmo elenco continua o clip anterior.

Ouvem-se os acordes duma banda militar que se aproxima.
Musetta pede ao criado que adicione a despesa dos boémios à conta de Alcindoro.

O grupo de amigo sai de cena. seguindo atrás da fanfarra. O amante de Musetta, com os sapatos recém-comprados, chega mesmo a tempo do criado lhe apresentar a choruda factura.

Quarta-feira, Junho 13, 2007

La Boheme-Quando m en vou

O segundo acto tem por cenário uma praceta no Quartier Latin, em frente ao café Momus.É noite de Natal e uma multidão de pessoas passeia junto ao café, entre a algazarra de crianças e vendedores .

Schaunard compra um cachimbo e uma trompa, Colline uma samarra. Rudolfo entra com Mimi numa loja de modista e compra-lhe uma touca de rendas e contemplam um colar de colar numa joalharia. Colline, Schaunard e Marcello, sentam-se numa mesa em frente ao café. Rudolfo entra com Mimi e apresenta-a aos seus amigos.

Entretanto chega Parpignol o vendedor de brinquedos que faz as delicias dos miúdos. Mimi mostra a todos a nova touca o que entristece Marcello que se recorda das infidelidades da sua Musetta. Para desanuviar o ambiente propõem uma saúde.

Estas cenas de rua não se encontram documentadas, por não ter encontrado nenhuma gravação nas buscas que fiz, realmente sob o ponto de vista do canto, não acrescentam nada de importante contudo são bastante belas e movimentadas as passagens da ópera neste início do II acto.

O que vai seguir-se após a cena do brinde, é a entrada de Musetta acompanhada por um velho e rico admirador, Alcindoro a quem ela faz a vida negra.

Marcello descreve-a a Mimi, bastante impressionada com o espavento do vestido de Musetta, diz-lhe que o nome dela bem poderia ser Tentação e que é como a rosa dos ventos, sempre a mudar de direcção e de amante-um pássaro voraz cujo prato predilecto é o coração.

Rudolfo aproveita para prevenir Mimi de que é muito ciumento e que não lhe perdoaria a mais pequena traição.

Musetta canta a sua famosa canção em tempo de valsa (Quando m en vo) descrevendo a maneira como toda a gente olha para ela quando passeia pela ruas; tudo isto para grande irritação de Marcello e embaraço de Alcindoro a quem ela trata por Lulu.

Decidida a conquistar Marcello uma vez mais, queixa-se de forte dor num pé e obriga Alcindoro a ir comprar-lhe mais um para de sapatos.

Marcello vencido diz que a sua juventude ainda não morreu, que a memória ainda está fresca e cai nos braços de Musetta.

(Mimi) e Maria José O video foi cantado em 2006 no Teatro Colon, pelas sopranos Angela Maria BlasiSiri (Musetta), o tenor Massimiliano Pisapaia em Rudolfo e o barítono Gustavo Gilbert como Marcello.

Terça-feira, Junho 05, 2007

La Bohème-O soave fanciulla-Final do 1ºActo

Ouvem-se vozes impacientes, dos três amigos, chamando Rudolfo da rua. Ele responde-lhes que não está só e pede-lhes para irem andando para o café Momus, que ele lá irá ter.

Inicia-se então o primeiro dos duetos entre soprano e tenor (O soave fanciulla)
Em que Rudolfo lhe diz como é doce a face dela iluminada pelo luar, vislumbrando o sonho com que gostaria sempre de sonhar, ela responde-lhe que ele comanda, fazendo descer os seus doces carinhos até ao coração.

Rudolfo beija-a, mas ela afasta-o, lembrando-o que os amigos o esperam.Diz-lhe que vai com ele e com alguma malícia deixa no ar a hipótese de ficar com ele.

Ele pede-lhe o braço (Dammi il braccio mia piccina) e jurando o seu amor retiram-se.

A soprano romena Georghiu e o seu marido na vida real o tenor Roberto Alagna, cantam, numa gravação recolhida em Orange em 2005 o mesmo trecho.

Já li que Alagna é considerado o sucessor de Pavarotti, duvido que assim seja,a menos que estude muito.



Domingo, Junho 03, 2007

La Boheme-Si mi chiamano Mimi

É então a vez de Mimi se apresentar "Si mi chiamano Mimi, ma il mio nome é Lucia".

Diz que a sua história é breve.É bordadeira, tranquila e feliz, divertindo-se a representar lírios e rosas, gosta de coisas simples das coisas que falam do amor, da primavera, coisas que falam de sonhos e de quimeras, aquelas coisas que se chamam poesia.

Depois de ter perguntado a Rudolfo se ele a percebia, continua dizendo que vive sozinha, que nem sempre vai á missa, mas reza com frequência ao Senhor.

Porém quando chega o primeiro degelo, o primeiro sol é dela e o primeiro beijo de Abril também.

Acaba dizendo

"Rebenta uma rosa num vaso.
Folha a folha a espio
Tão gentil o perfume de uma flor
Mas as flores que eu faço infelizmente
não deitam cheiro"

Depois como que pedindo desculpa

"Mais não saberia que dizer-lhe, sou a sua vizinha
que o vem importunar fora de horas!

Mirella Freni para muitos (incluo-me nesse número) a melhor Mimi de sempre, canta num espectáculo em Hamburgo em 1973)

Para ver clicar aqui


La Boheme-Che gélida manina

Logo que se despede dos amigos Rudolfo tenta trabalhar, nas não consegue concentrar-se. Batem à porta.é Mimi, uma vizinha que pede a Rudolfo uma luz porque a sua vela se apagara, quando subia a escada.

Seduzido pela beleza dela, manda-a entrar e ajuda-a a vencer um ataque de tosse e o cansaço da subida da escada que a leva a um desfalecimento. Oferece-lhe um copo de vinho após o que ela pretende retirar-se mas volta logo em seguida, porque terá perdido a chave da sua casa.

Os dois começam a procurá-la. Rudolfo encontra-a mas esconde-a.

A luz providencialmente apaga-se e na escuridão Rudolfo encontra e acaricia a mão gelada de Mimi.

O poeta conta-lhe então a sua vida, a sua pobreza, os seus sonhos e como os olhos dela exerceram um poder mágico sobre ele (Che gelida manina, se la lasci riscaldar).

Ele diz-lhe também, que, tem uma alma milionária, mas que por vezes do seu cofre roubam todas as jóias, dois ladrões, os belos olhos.

Porém não se incomoda com o roubo, porque em seu lugar apareceu a esperança, pede-lhe então que se apresente.

"Agora que já me conhece
falai vós, contai-me.
Quem sois ? Gostaria de dizer-me ?

Quanto ao protagonista nada a acrescentar é Luciano Pavarotti, Ileana Cotrubas.
Para ouvir clicar aqui

Quarta-feira, Maio 30, 2007

La Boheme-Questo mar rosso

Giacomo Puccini nasceu a 23 de Dezembro de 1858 na cidade italiana de Lucca, duma família de músicos foi-lhe imediatamente cultivado a vocação musical. Estudou com Amilcare Ponchhielli, no Conservatório de Milão,formando-se com elevada classificação.

A celebridade começou logo com a primeira partitura Le Villi, cuja parte de tenor foi criada pelo nosso compatriota António de Andrade.

Em 1896 no Teatro Reggio de Turim, Puccini estreia La Bohème, um dos maiores êxitos da história do teatro moderno, sobre libreto de Giuseppe Giacosa e Luigi Illica extraído do romance Scénes de la vie bohème do poeta francês Henri Murger.

A peça inicia-se numa mansarda no Quartier Latin de Paris, onde dois artistas, o poeta Rudolfo e pintor Marcello, trabalham, queixando-se da miséria que passam e do frio que são obrigados a suportar por falta de lume para se aquecerem. É noite de Natal lá fora todas as chaminés deitam fumo, excepto a deles.

Marcello lembra-se que queimar uma cadeira, mas Rudolfo opõe-se, oferecendo antes o seu último trabalho literário, um drama em vários actos que em fumo subirá aos céus.

Entra Colline um filósofo que vive com eles, queixando-se de não ter conseguido empenhar os seus livros, pelo facto das lojas de penhores estarem fechadas.

O último habitante da casa o músico Schaunard, entra seguido por marçanos que trazem comida, bebidas, lenha e charutos, explicando que arranjou dinheiro porque um Lord inglês o contratou , para tocar piano até matar um papagaio tagarela no andar de baixo, tendo tocado durante 3 dias.

Os outros artistas mostraram pouco interesse na explicação devido à excitação da inesperada ceia.

Batem à porta é o velho senhorio Benoit, que vem reclamar o pagamento de velhas rendas liquidar.

Entretêm-no com vinho, disfarçando a conversa, convencendo-o a contar as suas aventuras amorosas, mas depressa fingem grande indignação e expulsam-no da mansarda, quando Benoit confessa a sua preferência por raparigas gordas acrescentando

"As mulheres magras são um sarilho
e, muitas vezes preocupações
e sempre cheias de dores
olhem por exemplo a minha mulher"

Novamente a sós resolvem ir festejar o Natal, no café Momus, mas como Rudolfo tem que escrever um artigo para um jornal, fica sozinho prometendo reunir-se aos amigos logo que se despache.

Terça-feira, Maio 22, 2007

O Trovador-(Final)

Depois de Azucena ter adormecido, entra Leonora que diz a Manrico que está livre, mas que ela não a pode acompanhar.

Este não quer ouvir falar de fugir, sem ser com ela e indigna-se quando percebe que Leonora obteve o seu perdão em troca de se vender ao conde, depois de ter perguntado

"mas fixa em mim, mulher, o teu olhar
de quem obtiveste e a que preço ?
Não queres falar ?
Que tremendo raio de luz
Do meu rival ! Compreendo ! Compreendo !
vendeste o teu amor a esse infame"

Ela acaba por confessar-lhe que se envenenou, que "tem a morte no meu seio" e que "a força do veneno foi mais rápida do que eu pensava" e que "em vez de viver sendo de outro, preferi morrer sendo tua".

(Embora aparentemente pareça tratar-se dum dueto, estamos em presença dum terceto, pois ouve-se a voz de Azucena, aparentemente sonhando alto cantando a passagem que foi referida no apontamento anterior "Aos nossos montes regressaremos").

A entrada do conde Luna reforça a manutenção do terceto, pois Azucena voltará a dormir.

Entretanto Manrico percebe por fim o sacrifício da amada,"louco de mim e eu este anjo ousei amaldiçoar" e o Conde que foi enganado, "quis enganar-me e morrer por ele".

Leonora morre e o conde ordena assinalando Manrico "levem-no para o suplício".

Acabando a ópera com o seguinte diálogo

Manrico : Mãe, oh mãe, adeus
Azucena (acordando): Manrico ! Onde está o meu filho ?
Luna: Corre para a morte
Azucena : Ah para escuta-me
Luna : Vê-lo ?
Azucena : Céus !
Luna: Já morreu
Azucena : Era teu irmão !
Luna : Ele ? Que horror!
Azucena : Já estás vingada, oh mãe
Luna : E eu ainda vivo

Cantam Ludovic Spiess(Manrico), Caballé (Leonora), Irina Arkhipova(Azucena) num espectáculo de 1972


Sábado, Maio 19, 2007

O Trovador-Si la stanchezza

O segundo quadro do último acto começa, no cárcere da prisão do castelo de Aliaferia, onde Manrico e Azucena esperam a hora fatal. Ela julga que já a vêm buscar para o suplício, mas o filho conforta-a. A cigana mais uma vez relembra a terrível visão da morte da mãe.

Manrico tenta acalmá-la e cantando o bonito duo "Si la stanchezza"

Sim a fadiga, oprime-me ó filho
fecho os meus olhos para dormir
mas quando se veja a arder
a horrível chama da fogueira, desperta-me

respondendo Manrico

repousa oh mãe e que Deus conceda
imagens menos tristes ao teu sono

e Azucena com as cadenciosas frases "Ai nostri monti ritorneremo"

Aos nossos montes retornaremos
a antiga paz ali desfrutaremos
Tu cantarás com o teu alaúde
e eu dormirei um sono plácido

Azucena adormece por fim enquanto Manrico vigia a seu lado.

Luciano Pavarotti e a mezzo Marilyn Horne no papel de Azucena.

Terça-feira, Maio 15, 2007

O Trovador-Mira di acerbe lagrime

O conde Luna sai do castelo dando as últimas ordens sobre a morte dos prisioneiros.

"Ouviste ?
Quando alvorecer, o filho ao machado
do carrasco e a mãe á fogueira"

Continuando a reflectir, sobre um eventual abuso de poderes que o príncipe lhe havia dado, mas que a tais actos fora conduzido por uma mulher funesta e de quem não sabe nada, pois todas as buscas que fizera, não a havia encontrado, perguntando-se em desespero "onde estás mulher cruel ?"

Leonora apresenta-se-lhe, iniciando-se um duo, de vigorosa melodia impulsionada pela diferente paixão que move as personagens. Uma passagem de típica música de conversão,onde Leonora lhe implora piedade para Manrico, cantando "Mira di acerbe lagrime"

"Olha como derramo aos teus pés
um rio de lágrimas amargas
não te basta o meu choro ?
Mata-me bebe o meu sangue
calca o meu cadáver
mas salva o trovador"

mas nada comove Luna, que ainda mais se enfurece "Quanto mais o amas mais intenso arde o meu furor", mas cedendo apenas quando Leonora lhe promete entregar-se-lhe, se ele salvar Manrico, jurando perante Deus que vê toda a sua alma.

Liga-se assim esta parte do duo à sua cabaletta rítmica " Vivrà contende il giubilo", que Leonora canta após beber o veneno que estava no seu anel.

"Viverá ! O júbilo retira-me
as palavras, senhor
mas com os seus rápidos
batimentos, o meu coração te agradece
Agora o meu fim impávida
cheia de alegria espero
Poderei dizer-lhe, morrendo
Estás salvo graças a mim"

Este primeiro quadro do IV acto acaba estando Leonora e Luna felizes, ela porque julga ter salvo com a sua entrega o seu amor e o Conde dando largas ás suas emoções "Tu mia tu mia ripetilo"

"Tu minha, tu minha repete-o
serena o meu coração
Ah não posso crê-lo
embora to oiça dizê-lo"

Gravação interpretada por Stefka Hristova


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Quarta-feira, Maio 09, 2007

O Trovador-D amor sull all rosee

O quarto e último acto deste quadro inicia-se junto á torre do palácio, onde Manrico está preso.

Ruiz o seu fiel amigo traz Leonora até ali, dizendo-lhe que só ela pode salvar Manrico, pois este tinha sido capturado ao tentar salvar Azucena. Estando ambos encarcerados esperando a execução.

Depois dum pequeno recitativo, onde Leonora diz que apesar de tudo está próxima do seu amado, enquanto lembra o seu amor, cantando uma das árias mais famosas desta ópera "D amor sull all rosee" onde diz

Sobre as asas rosadas do amor
vai, suspiro doloroso,
e do infeliz prisioneiro
conforta a tétrica mente
Como um vento de esperança
move-te pela sua cela
e desperta-lhe as recordações
dos nossos sonhos de amor !
Mas não lhe contes desprevenidamente
as penas do meu coração"

Aqui acaba o primeiro filme magistralmente cantado por Raina Kabaivnaska num filme de 1975.

A gravação seguinte Eliane Coelho canta também a parte seguinte

. ouvindo-se um coro de monges implorando a remissão dos pecados do condenado prestes a morrer "Misere d ungiá vicina", que fazem Leonora que tremer com este cânticos

"Estes sons, estas preces solenes e funestas
enchem este ar de um terror sombrio
A angustia que me assalta por completo
disputa a minha boca e respiração
e ao coração os batimentos"

mas tem a alegria de ouvir a voz de Manrico dentro do castelo despedir-se da vida e do seu amor implorando-lhe que não o esqueça.

Com o bom gosto bem verdiano, acontece uma passagem magnífica entre as vozes de Manrico, Leonora e os monges, onde se repetem as ideias já aqui descritas e que termina com mais uma caballetta de Leonora " Tu vedrai che amore in terra" onde diz

Verás que amor nesta terra
não existe mais forte que o meu
venceu os destinos em dura guerra
e vencerá a própria morte
Ou com o preço da minha vida
salvarei a tua
ou contigo para sempre unida
para o túmulo irei




Terça-feira, Maio 01, 2007

O Trovador-Ah si bem mio-Di quella pira

O segundo quadro do 3º acto passa-se no interior de Castellor. Numa sala junto à capela, Leonora e Manrico preparam-se para se casar.

tão Ao ouvir sons de guerra Leonora fica apreensiva, comentando que o casamento desejado se apresenta sob maus auspícios (
Di qual tetra luce il nostro imen risplende). Manrico acalma-a dizendo que todos os obstáculos serão removidos.

Entoa a sua ária "Ah si bem mio" de apaixonada beleza.

Ah sim meu bem, sendo
eu teu e tu a minha consorte
terei a alma mais intrépida
o meu braço será mais forte
Mas se na página do meu destino
estiver escrito
que devo ficar entre as vítimas
atravessado por uma espada inimiga
no meu último fôlego
o meu pensamento
estará contigo
e parecer-me-á que ao morrer
apenas te precedi no céu

Na capela ao lado ouvem-se os acordes dum órgão, enquanto os apaixonados cantam

"A onda dos sons místicos
desce pura até ao coração
Vem, o templo abre-nos
as alegrias dum casto amor"

Este pequeno dueto antecede a entrada de Ruiz que lhe vem comunicar que Azucena havia sido presa e que "esse bárbaros já acenderam a fogueira"

Manrico decide então abandonar tudo para ir salvar a sua mãe, cantando a ária "Di quella pira"

Acabando por dizer

"Já era filho antes de te amar
nem mesmo o teu sofrimento pode deter-me
Mãe infeliz corro a salvar-te
ou pelo menos morrer contigo"

Partindo seguido por Ruiz e pelos soldados.

No primeiro filme canta-se toda este quadro, com Marcelo Alvarez

No segundo, e é impossível não comparar, Luciano Pavarotti "Di quella pira".



Quinta-feira, Abril 26, 2007

O Trovador-In braccio al mio rivale

Após alguma dificuldade para encontrar filme correspondente ao início do III acto, acabei por encontrar o que aqui publico, cuja qualidade quer de som quer de imagem não é a melhor.

Trata-se duma gravação RAI de 1966, cantada por Adriana Lazzarini e PieroCappuccilli.

A cena passa-se no acampamento do Conde de Luna. Os soldados preparam-se para o assalto ao castelo inimigo, limpando armas e entusiasmando-se com a perspectiva do combate.

Sozinho o Conde da largas ao seu ciúme, (aqui começa o filme), cantando "In braccio al mio rivale"

"Nos braços do meu rival
Este pensamento como um diabo perseguidor
segue-me por todas as partes
nos braços do meu rival
mas irei, mal apareça a aurora,
irei separá-los"

Entretanto entra Ferrando anunciando-lhe que prendera uma espia e a conduzem á presença do Conde, que lhe pergunta para onde vai, ela diz que não sabe porque "uma cigana costuma caminhar sem objectivo fixo, no seu errar vagabundo o céu serve-lhe de tecto e o mundo é a sua pátria"

Perguntam-lhe donde vem e ela responde "da Biscaia á procura do filho que a abandonara " (Giorni poversi vivera)e ela vai errando e a esse filho vai procurando, esse filho que custou penas horríveis ao meu coração, mas sinto por ele tanto amor, como mãe alguma na Terra jamais sentiu"

A dúvida sobre a identidade da cigana vai-se instalando. Ferrando jura reconhecer nela a cigana assassina e ela acaba por se denunciar gritando

E tu non vieni, o Manrico, o figlio mio ?
Non soccorri all infelice madre tua

Que retira todas as dúvidas ao Conde sobre a identidade da cigana, percebe que tem em suas mãos a mãe do seu inimigo, ordenando que seja torturada, dizendo

"A alegria inunda o meu peito
dum modo que as palavras
não podem expressar
Ah em mim encontrarão
as cinzas fraternas
uma vingança cumprida"

A um sinal do Conde os soldados levam a cigana e ele entra na sua tenda seguido de Ferrando

Terça-feira, Abril 17, 2007

O Trovador-Final 2º Acto

A entrada do cortejo das monjas com Leonora e Inês é uma cena tipicamente romântica.

Inês chora porque, diz, Leonora vai deixá-la para sempre. Esta responde que "nem sorrisos, nem esperanças, nem flores tem a Terra para mim".Deus é o único amparo e quem se juntará um dia.

Pede ás acompanhantes " Secai os vosso olhos e conduzi-me ao altar"

O conde entra em cena dizendo "Não... nunca ", declarando que entra ali para que ela seja dele.

Avançando em direcção a Leonora, mas Manrico interpõe-se de repente entre ambos.

Inicia-se então um trio, quando Leonora, canta "E deggio e posso crederlo"

"Devo e posso acreditar ?
vejo-te a meu lado
será isto um sonho, um êxtase
ou um encontro sobrenatural ?
O meu coração arrebatado e surpreendido
não pode resistir a tanto júbilo
Desceste do céu
ou estou no céu contigo ?"

pois tanto ela como Luna julgavam que Manrico havia morrido.

Violenta troca de palavras entre os rivais, porém o aparecimento dos soldados de Manrico, ajuda a que Manrico fuja com Leonora.

Caballe canta neste video filmado em Orange em 1972, acompanhada de Peter Glossop (Luna) e Spiess (Manrico)




Quinta-feira, Abril 05, 2007

O Trovador-Il ballen del suo sorriso

A segunda cena do segundo acto inicia-se praticamente com a famosa ária para barítono do Conde de Luna, quando ele e os seus seguidores se aproximam de noite do castelo de Castellor.

Luna canta a sua ária "Il ballen del suo sorriso"(A luz do seu sorriso), onde ele anuncia que quer raptar a sua amada Leonora que pretende professar, propondo-se ele raptá-la antes que ela o consiga.

Diz então que :

" A luz do seu sorriso
é maior do que uma estrela
o esplendor do seu lindo rosto
infunde-me nova coragem
O amor que me anima
falará a meu favor
e que o Sol de um dos seus olhares disperse
a tempestade do meu coração".

Ouve-se entretanto o bater dos sinos que anunciam a cerimónia. Os soldados que o conde trouxera consigo dispõem-se para o rapto, enquanto este proclama "Per me ora fatale"

"Hora fatal para mim
apressa os teus momentos
a alegria que me espera
não é um júbilo mortal
Em vão um deus rival
se opõe ao meu amor
nem mesmo um Deus pode
oh mulher afastar-te de mim"

O papel do conde de Luna é cantado por Piero Cappuccilli


Segunda-feira, Março 19, 2007

O Trovador-Non son tui figlio

A segunda parte do primeiro quadro do segundo acto, aqui cantada igualmente por Zajick, tem desta vez no papel de Manrico, Roberto Alagna, numa gravação de 2003.

O diálogo entre Azucena e Manrico mantém-se no mesmo tom. Perante a insólita confissão da cigana. Manrico pergunta-lhe "Non son tuo figlio ?", que ela assegura que sim, embora duma forma algo confusa, fingindo que se tinha explicado mal no seu delírio e que ele é o seu filho.

Pergunta-lhe " A me se vivi ancora", " se ainda vives, não mo deves ? recordando-lhe que no campo de batalha quando "descobri que a tua vida se te escapava o meu maternal afecto não a deteve no teu seio ? E quanto cuidados não dediquei para te curar de tantas feridas ?"

Só uma mãe teria corrido esse risco por um filho.

Belo é o dueto seguinte iniciado pela frase de Manrico " Mal reggendo all aspro assalto"

Manrico tranquiliza-se, mas lembra-se que uma força superior pareceu impedi-lo de matar o conde de Luna quando no duelo que teve com ele, já o tinha derrotado a seu pés.

A cigana lamenta amargamente e recomenda ao filho que se voltar a enfrentar o rival, lhe crave a arma profundamente.

O dueto é interrompido com a chegada dum mensageiro com uma boa notícia, o príncipe tomara Castela e nomeara Manrico seu defensor, e uma má, Leonora julgando-o morto quando do duelo nos jardins do palácio, recolhera-se a um convento.

Manrico diz ao mensageiro para lhe trazer um cavalo, porque irá impedir essa decisão. Azucena tenta impedi-lo, recordando-lhe que ainda está convalescente, podendo reabrir as feridas.

"Não não posso consenti-lo
o teu sangue é o meu sangue
Cada gota que dele derramas
é espremida do meu coração"

Mas Manrico está determinado

"Um instante pode retirar-me
a minha amada a minha esperança
Não há nada que possa deter-me
nem na Terra nem no céu!"

" Ah mãe deixa-me a passagem livre
pobre de ti se eu aqui ficasse
Verias morrer de dor
o teu filho a teus pés"

Manrico afasta-se tornando inúteis os esforços de Azucena para o deter





Sexta-feira, Março 16, 2007

O Trovador-Condotta el era in ceppi

Uma vez a sós Manrico interroga Azucena, aquela que pensa ser a sua mãe, sobre o significado da sua sinistra canção.Inicia-se a ária "Condotta ell era in ceppi" onde Azucena conta

"que levaram a sua mãe, até ao seu horrível destino com o filho nos braços, tentei aproximar-me dela, mas em vão tentei e em vão tentou a infeliz mandar parar e benzer-me, pois entre blasfémias obscenas, picando-a com as espadas, empurraram-na para a fogueira os malvados esbirros. Então com palavras entrecotadas Vinga-me exclamou. Estas palavras deixaram um eco eterno neste coração.

Manrico pergunta-lhe "La vendis casti ?" (E vingaste-a ?)

"Consegui sequestrar o filho do conde. Arrastei-o até aqui, as chamas ardiam, já preparadas"

Manrico em pânico "As chamas ? Oh céus ! Por acaso tu ?"

Azucena continua a descrever a cena da visão fúnebre e a súplica de vingança de sua mãe, concluindo

" estendo a minha mão trémula
agarro na vítima
aproximo-a do fogo, empurro-a para ele.
O delírio fatal cessa
e a cena horrível desvanece-se.
Ficam apenas as chamas que ardem
e destruem a sua presa
Então viro o rosto
e vejo á minha frente
o filho do malvado conde"

Acabando a lamentar-se de por engano ter queimado o seu próprio filho

"O meu filho o meu filho
tinha queimado o meu próprio filho

terminado

"Sobre a minha cabeça ainda sinto
os cabelos a eriçarem-se"

Enquanto Manrico permanece mudo de horror e de surpresa.

De novo cantado por Fiorenza e Plácido Domingo


Quinta-feira, Março 08, 2007

O Trovador-Stride la vampa

O 2º acto começa num acampamento de ciganos, na Biscaia, partidários de Urgel.

Cantam despedindo-se da noite "Vedo ! Se fosche notturno", preparando-se para o trabalho. É um dos trechos mais famoso da ópera, onde o coro é misturado com o bater de bigornas e martelos, vulgarmente conhecido pelo "coro dos ciganos".

Eles dizem

"Olhai ! as escuras roupas noturnas que
cobriam a imensa abóbada do céu afastam-se,
parece uma viúva
que por fim despe
as roupas negras com as quais se cobria.
Ao trabalho vamos, martelem.

Quem embeleza os dias do cigano ?
a ciganinha"

depois só os homens

"Escutem-me um pouco
a bebida dá ânimo e coragem
ao corpo e á alma"

Completando todo o coro

"Oh Olha olha
no teu corpo brilha um raio
mais brilhante que os do Sol
Ao trabalho ! ao trabalho !

Quem embeleza os dias do cigano ?
A ciganinha"

Azuzena a filha da cigana, que o velho conde de Luna queimou no passado, está absorta frente ao fogo, enquanto os ciganos cantavam.

(de momento não encontro este video)

Azuzena começa então um estranha canzone, assim qualificada na partitura e não como ária e que por isso tem duas estrofes iguais. Trata-se de "Sride la vampa"(crepita a chama), uma das mais famosa árias para mezzo-sopranos.

Ela recorda o dia tenebroso quando sua mãe foi injustamente condenada. Numa primeira alusão ao ambiente em redor, a alegria das pessoas.

Terminando

" Crepita a chama, chega a vítima
vestida de negro, desenfaixada e descalça !
Elevam-se gritos ferozes de morte
e o eco repete-os de um barranco para outro !
Sinistras reluzem sobre os seus horrendos rostos
as tétricas chamas que se erguem até ao céu"

Aqui o papel de Azucena foi cantado por Fiorenza Cossotto em Florença em 1977, na mesma data em que a ouvi cantar este mesmo papel em Lisboa, acompanhada de Piero Cappuccili (Conde Luna), Mara Zampieri (Leonora), Vincenzo Bello (Manrico).


Terça-feira, Março 06, 2007

O Trovador-Tace la notte

O filme em anexo, referente ao final do 1º acto, é uma produção da RAI de 1966, cantado pelo lendário Carlo Bergonzi(Manrico), Antonietta Stella(Leonora) e Cappuccilli(Conde Luna).

O Conde Luna entra esperando talvez encontrar Leonora no jardim, cantado "Tace la notte!"(Cala-te noite), onde declara o seu amor profundo por Leonora que contudo o repudia.

"Ah a chama do amor
Todas as minhas fibras ardem
Preciso ver-te"

As suas cogitações são interrompidas pelo som de um alaúde e uma voz ao longe a de Manrico que canta uma serenata "Deserto sulla Terra"

"Deserto sobre a Terra
em guerra com o malvado destino,
só um coração é
a esperança do trovador"
"Mas se ele possuir esse coração
formoso pela sua casta fidelidade
maior que nenhum rei será
o trovador"

Leonora desce as escadas apressadamente e na escuridão confunde o Trovador com o Conde de Luna, dizendo-lhe

"É mais tarde do que o costume
contei cada instante com os batimentos
do meu coração !
Por fim um amor apiedado
guia-te para estes braços"

Manrico entra no jardim e julgando-se traído, gritando "Infida"(infiel), de imediato Leonora percebe o seu erro, pedindo desculpa "Qual voce" explicando que na escuridão nocturna, confundira a sua voz distante com o vulto que estava no jardim, jurando.

" A te che l alma mia
sol chiede, sol desia !
Io te amo,il giuro t amo
d immenso eterno amor! "

O conde não cabe em si de furioso e exige que o desconhecido se identifique. Quando este se dá a conhecer a sua ira ainda aumenta mais, pois Manrico é um partidário do inimigo Urgel e ousa entrar no jardim real.

Desafiando-se mutuamente os rivais, cantando o Conde que o fogo do ciúme arde nele e o sangue do rival não bastará para o apagar, dizendo também para Leonora

"Atreves-te oh louca
a dizer-lhe "amo-te"
pronunciaste as palavras
que o condenaram á morte

Leonora responde-lhe que só ela é a culpada e
"Que caia, que caia o teu furor
sobre a culpada que te ultrajou
crava a espada neste coração
que nem quer nem pode amar-te"

A intervenção de Manrico no trio:- declara-se invencível, pela força que o amor dela lhe confere, dizendo para o Conde
"A tua sorte está ditada
soou a tua última hora
O seu coração e a tua vida
me reservou o destino"

Os dois rivais afastam-se desembainhando as espadas, enquanto Leonora cai inconsciente.


Sexta-feira, Março 02, 2007

O Trovador-Tacea la notte plácida

A segunda cena do primeiro acto, começa nos jardins do palácio onde Leonora, dama de companhia da rainha Leonor, passeia com a sua confidente Inês.

Leonora está inquieta, pois há algum tempo que não ouve nem vê o trovador, um jovem que cativou o seu coração, durante umas justa em que se apresentou sem escudo de armas e vestindo uma armadura negra.

Inês, pede-lhe que volte para os aposentos da rainha pois esta exige a sua presença, mas Leonora não se conforma com mais uma noite, sem ver o seu amado, que conhecera no referido torneio(Ne tornei v apparve), onde explica o que aconteceu no torneio, a sua presença e o facto dele o ter ganho,

"Eu própria pus sobre a cabeça
do vencedor a coroa.
Logo depois começou a guerra civil
e não voltei a vê-lo
Imagem furtiva, como a de um sonho dourado
e passou o tempo, mas então ...."

O que aconteceu ?-pergunta-lhe Inês

Iniciando Leonora a sua ária "Tacea la notte plácida"

"Estava em silêncio a noite plácida
e formosa, e no céu sereno
a Lua mostrava o seu rosto de prata
alegre e cheio !
Quando soaram no ar
que até então mudo estava
os acordes de um alaúde
e uns versos melancólicos
cantou um trovador.
Versos de súplica e humildemente
tal como um homem que reza a Deus
nela repetia
um nome : o meu !
Corri rapidamente para a varanda
era ele, sim, era ele,
sento uma alegria
como apenas é permitido
aos anjos sentir !
Ao meu coração, ao meu olhar estático
a terra pareceu o céu! "

Perante a recomendação de Inês para esquecer esse trovador, Leonora responde com a sua cabaleta "Di tale amor che dirsi"

"de um amor tal, que mal se pode
explicar com palavras
de um amor que apenas eu compreendo
se embriagou o meu coração.
O meu destino só se pode cumprir
a seu lado,
se não vivo para ele
morrerei por ele ".

Esta peça é cantada por Raina Kabaivanska (Leonora) e Maria Venuti (Inês)



Quinta-feira, Março 01, 2007

O Trovador-Di due figli vivea padre beato

A acção passa-se no norte de Espanha, durante o século XV.Uma guerra entre o rei de Aragão e o revoltado Urgel, cujo quartel general é na Biscaia,o que põe em confronto o Conde Luna e Manrico, que comandam as operações militares.

A primeira cena no pátio do palácio da Aljafería de Saragoça, apresenta-nos os homens da guarda do conde Luna, que para passar o tempo, enquanto esperam o seu senhor, pedem a Ferrando para lhe contar a sinistra história da família dos Luna.

Inicia-se a ária para o baixo Ferrando "Di due figli,vivea padre beato"

Ferrando conta então, como muitos anos atrás, quando o conde de Luna tinha apenas dois anos de idade, apareceu um dia ao lado do berço do seu irmão mais novo, um menino de poucos meses, uma cigana de aspecto sinistro, que não deixava de olhar para a criança.

"De horror ficou a ama gelada
consegue lançar um grito agudo no ar
e mais rapidamente do que demora a contar
chegam a correr os criados ao local
e entre ameaças, gritos e empurrões
conseguem por fora a malvada que ali ousou entrar"

"Afirmou que queria fazer o horóscopo
do petiz ...! mentirosa!
Lentamente a febre destruiu
a saúde do pobre menino
Pálido, lânguido abatido
durante as noites tremia e passava o dia
em lamentos e choros"

O facto foi atribuído a um feitiço e depois de se capturar a cigana, esta foi declarada bruxa e condenada a morrer na fogueira.

Algumas noites mais tarde o menino doente desapareceu, mas os homens do velho conde de Luna, não demoraram a encontrar, no mesmo lugar onde se tinha queimado a velha bruxa uma nova fogueira com o cadáver de uma criança.

Este acto de maldade foi atribuído á filha da cigana, mas nunca a conseguiram apanhar, perante a dor do velho pai.

(Brevi e tristi giorni visse)

"viveu poucos dias e tristes
um estranho pressentimento, contudo, no seu coração,
dizia-lhe que o seu filho não tinha morrido"

Próximo da morte, pediu ao actual conde que jurasse não parar a busca
Ferrando garante contudo que aos que o ouvem que ainda seria capaz de a reconhecer, apesar de já terem passado mais de vinte anos.

Os soldados supersticiosos ficam inquietos, com o tom sinistro da narração dele, que acrescenta que a velha feiticeira costuma ainda aparecer naquele castelo, sob formas diversas de mocho ou de coruja e que as suas aparições ocorrem precisamente á meia-noite.

Os sinos do relógio do castelo, tocam nesse momento as 12 badaladas e todos fogem apavorados amaldiçoando a cigana.

Este tema é cantado pelo jovem baixo de 28 anos Mirco Palazzi




Terça-feira, Fevereiro 27, 2007

IL Trovatore-Introdução

Il Trovatore-(O Trovador) foi estreada a 19 de Janeiro de 1853 de Verdi, escrita com libreto de Salvatore Cammarano baseado na peça teatral de Antonio Garcia Gutiérrez, escrita em 1836.

Quando da estreia, teve enorme êxito que se manteve inalterável até hoje.

O Trovador é a segunda ópera de uma trilogia verdiana iniciada com o Rigoletto e acabada com La Traviata.

Estas óperas iniciam um distanciamento definitivo em relação a tudo o que as óperas do primeiro período romântico supõem. A típica divisão entre recitativo, ária e cabaletta começa a não ser essencial na linha dramática da obra, de tal maneira que é muito mais simples criar cenas em que a continuidade predomina sobre a divisão estrita da ópera por números.

Com Verdi as árias não desaparecem, mas significa que á obra não é estruturada em função delas, elas limitam-se a aparecer quando se justificam.

Os trecho longos das aberturas, ainda habituais nos primeiro tempos da sua produção, tendem a ser substituídos por preludios mais ou menos breves. Assim acontece nestas três óperas da trilogia.

Personagens

O Conde de Luna-(Barítono)nobre aragonês ao serviço de Fernando de Antequerra.

Manrico-(Tenor)oficial do exército do conde Urgel, suposto filho da cigana Azucena e irmão ignorado do conde de Luna.

Leonora-(Soprano)dama de companhia da rainha Leonor e apaixonada por Manrico.

Azucena-(Mezzo-soprano)cigana originária dos montes da Biscais.

Ferrando-(Baixo)Chefe da guarda do conde Luna.

Ruiz-(tenor)lugar-tenente e amigo de Manrico.

Inês-(soprano)confidente de Leonora

Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007

Giulietta Simionato

Nascida a 12 de Maio de 1910, esta mezzo soprano italiana, felizmente ainda hoje viva, foi uma das grandes vozes da ópera.

Não dúvido, a par da Cosotto, as melhores "mezzo" de sempre, até que me provem o contrário

A sua carreira extendeu-se entre 1930 e 1966, altura em que se retirou.

Grande amiga das sopranos rivais Maria Callas e Renata Tebaldi, destacou-se pela grande qualidade da sua voz, mas também pelo seu grande profissionalismo.

Faz parte da história da ópera, uma récita com Callas em 1957, dirigidas por Karajan cantando Ana Bolena

Estreou-se no Scala de Milão em 1936, cantando regularmente, nessa difícil sala, durante 30 anos.

O seu extenso repertório incluem os grandes papéis Amneris(Aida), Santuzza(Cavalleria Rusticana), Carmen, Azucena(Trovador), etc.

Entre nós cantou em 1956, no teatro S.Carlos, o papel de Santuzza da Cavalleria Rusticana, com Mário Ortica, Rudolfo Azzolini e Aurora Cattelani.

Dois vídeos o primeiro a Habanera da "Carmen" de Bizet, cantada em Tóquio em 1959. O segundo, uma intervenção no programa IL Café na Rai em 2003, onde, com 93 anos ainda trauteia a ária de Lola "Flor de gladíolo" da Cavalleria Rusticana.



Cavalleria Rusticana-Final



Entrando entretanto Alfio de semblante carregado "cumprimento-vos a todos" diz.
Turiddu convida-o a beber, dizendo enquanto lhe estica um copo :

"Bem-vindo
tens de beber connosco
Aqui tens um copo"

Alfio recusa e em clima de grande tensão diz

"Obrigado
mas o vosso vinho eu não o aceito
poderia converter-se em veneno dentro do meu peito"

Turiddu deita o vinho fora.O desafio entre os dois homens está feito e consumado no abraço entre os dois no qual Turiddu morde a orelha de Alfio, para demonstrar que aceita o desafio.

Depois Turiddu declara-se culpado e que até se deixaria matar como um cão, mas lamenta a sorte de Santuzza, se ele morrer, ficará abandonada.

Alfio retira-se dizendo que o espera lá fora.

Para ver esta primeira parte da final clicar aqui

Turiddu chama por Mamma Lucia e diz-lhe que bebeu de mais e vai sair, mas primeiro pede-lhe a benção, como no dia em que partiu como soldado.

Acaba pedindo á mãe que

"se eu não voltar
tu terás de fazer de mãe de Santa
porque eu jurei levá-la ao altar
Tu terás de fazer de mãe de Santa
se eu não voltar"

A Mãe pergunta-lhe porque fala assim e ele acaba num tom fortemente dramático por lhe dizer em jeito de despedida

"Um beijo um beijo mãe
Outro beijo adeus
Se eu não voltar
faz de mãe de Santa
Um beijo mãe adeus"

Turiddu sai perante o desespero da mãe que o tenta segurar.

A praça vai-se enchendo de gente, Santuzza entra também, há um clima de grande agitação. até que se ouve um grito de mulher dizendo

HANNO AMMAZZATO COMPARE TURIDDU !
Mataram o compadre Turiddu !

Acabando a cena com grande desespero e consternação

Para ver o video final clicar aqui

Terça-feira, Fevereiro 20, 2007

Cavalleria Rusticana-Intermezzo



Este intermezzo ou interlúdio é o momento mais famoso da obra e sem dúvida, o entreacto mais conhecido da escola verista. A riqueza melódica e serenidade contratam com a violência do dueto anterior e com a tragédia que se irá seguir.

Trata-se dum fragmento musical que une duas cenas, como é o caso no qual o intermezzo sublinha o tempo em que as pessoas estão na igreja em domingo de Páscoa.

Para ver o vídeo referente a esta passagem clicar aqui

Cavalleria Rusticana-Ah lo vedi

O primeiro vídeo, ilustra na sequência da edição anterior a segunda parte do dueto entre Santuzza e Turiddu.

Turiddu começa por lhe perguntar "viste o que fizeste ? " recriminando-a por Lola se ter ido embora sem ele.

Santuzza implora-lhe que não o deixe
" A tua Santuzza chora e implora-te
como podes rejeitar assim a tua Santuzza ?
Não Turiddu fica
fica mais um pouco
abandonar-me é o que queres ?"

Turiddu contesta
"Porque me persegues, porque me espias
mesmo á entrada da igreja ?

Acabando por ser mais incisivo no repúdio ao dizer :
"Vai-te embora repito
não me incomodes
é inútil lamentares-te depois da ofensa"

Atirando-a ao chão e dirigindo-se para a igreja, clamando
"Dell ira tua nom mi curo"
"As tuas ameaças não me assustam"

Santuzza grita-lhe em final de dueto
" A te la mala Pasqua. spergiuro !
Desejo-te uma má Pascoa, perjuro !

(Muito embora a Cavalleria Rusticana, não tenha árias com notas demasiado altas, o certo é que o papel de Santuzza foi escrito para voz soprano. Notável o desempenho da Simionato, uma mezzo-soprano e a sua capacidade de cantar maravilhosamente este papel.

Ela e a Cossoto para mim as grandes mezzo que jamais existiram.)

Para aceder ao vídeo cantado por Cossotto e Placido Domingo clicar aqui

O segundo vídeo é a continuação perfeita do primeiro, consiste na entrada de Alfio em cena, perguntando por Lola, Santuzza que acabara de ser humilhada por Turiddu, reage explicando a Alfio que a mulher o engana, enquanto

" ele viaja sob a chuva e o vento para ganhar o pão" Lola v adorna il tetto in malo modo" ou seja "Lola adorna-vos a testa de má maneira".


Alfio furioso pede-lhe que conte toda a verdade

"A verdade
Turiddu, retirou-me a honra
a agora a vossa mulher, priva-me dele"

Alfio ameaça-a "se estiveres a mentir arranco-te o coração", mas ela confirma

"Não é meu costume mentir
Juro-vos pela minha vergonha e dor
que vos disse a triste realidade, Ai!
Pela minha vergonha e dor"

A ira de Alfio na última parte deste dueto a partir da frase "Comare Santa", conduz a uma cena de enorme violência tanto teatral como musical, que tem uma viva e espectacular expressão, nos instrumentos de corda e de metal da orquestra.

Santuzza arrepende-se de ter contado o que sabia ao ver Alfio jurar vingança dizendo

"Eles são os infames, não lhes perdoo
vingança terei antes
de o dia acabar !"









Domingo, Fevereiro 18, 2007

Cavalleria Rusticana-Tu qui Santuzza

No momento em que Mamma Lucia entra na igreja, aparece Turiddu, no adro da igreja, procurando sua mãe, vendo Santuzza, pergunta-lhe

"Tu qui Santuzza ?" é a frase do tenor que inicia a primeira parte do dueto que se vai seguir

ela insiste em falar com ele e pergunta-lhe onde esteve, ele responde-lhe que esteve em Francofonte, ela diz que o viu na aldeia de noite e que Alfio também afirma tê-lo visto durante a manhã perto de sua casa.

Turiddu ao ouvir o nome de Alfio assusta-se e diz a Santuzza para não o espiar mais e muito menos falar disso com Alfio, se não quiser a sua morte.

Tenta partir mas Santuzza pergunta-lhe se está apaixonado por Lola,

"Tu l ami dunque ?"

ele discute com ela garantindo-lhe que não mas que ela não deve deixar-se levar pelos seus ciúmes fantasiosos

"Bada Santuzza, schiavo non sono
di questa vana tua gelosia"

a discussão adquire um cariz cada vez mais forte até serem interrompidos pela melodia duma canção entoada por Lola."Flor de gladíolo"

Lola pergunta a Turiddu por Alfio e este diz que não o viu.

Santuzza aproveita a ocasião para dizer que é Pascoa e que Deus vê tudo, para que Lola perceba que ela já sabe de tudo.
.
Lola não lhe dá ouvidos, perguntando-lhe se não vão á missa . Santuzza insiste com novo aviso

"Io no; ci deve andar
chi sa di non aver peccato !

Não eu não. Só aqueles
que não pecaram devem ir

respondendo-lhe Lola

"Io ringrazio il signore
e bacio in terra"

Dou graças a Deus
e inclino-me perante ele !

entra na igreja esperando que Turiddu a siga.

Continua a publicação desta preciosidade gravada em 1956 em Tóquio com a voz da fantástica Simionato(Santuzza), acompanhada por Angelo Lo Forese(Turiddu) e a mezzo Anna diStazio(Lola)

Ficam os meus agradecimentos a Filipe Cunha, pela publicação desta magnífico documento musical, no You Tube.


Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007

Cavalleria Rusticana-Inngemmisco

Os aldeões partem, outros entram na igreja ou seguem para direcção diferentes.

Quando Alfio vê Mamma Lucia, pergunta-lhe se ainda lhe resta algum daquele vinho velho, Lucia responde-lhe que não sabe, dado que Turiddu foi a Francofonte buscar mais.

Alfio diz-lhe que isso não é verdade, pois viu-o durante a manhã, perto da sua casa.

Mamma Lucia fica surpreendida mas Santuzza fa-la calar. Alfio abandona a cena no momento em que se ouve cantar o coro no interior da igreja

(O primeiro vídeo começa aqui)

A música adquire um tom muito mais solene, quando se ouve o som de um órgão e os aldeões cantam "Regina Coeli", uma peça religiosa em que os instrumentos de metal acompanham suavemente o canto.

"Regina coeli, laetare aleluia
Quia, quem meruisti portare... Aleluia
Ressurrexit sicut dixit ... Aleluia"

O Coro envolvendo

"Cantemos hinos
o senhor não morreu !
Radiante, ele têm aberto o sepulcro.
Cantemos hinos ao
Senhor ressuscitado
que hoje ascendeu â gloria do céu!

Entrando Santuzza a cantar (apenas em 2,36) uma pequena intervenção mas muito bela
onde repete a solo o que o coro acabara de dizer.

De seguida entram todos na igreja, ficando apenas no adro Lucia e Santuzza, acabando o vídeo com uma pergunta de Lucia "Porque me pediste para me calar ? "

O segundo vídeo começa exactamente com uma ária de Santuzza "Voi lo sapete, o Mamma". Trata-se de um número descritivo e linear, onde ele lembra que

Turiddu e Lola eram noivos, antes dele ter ido para o serviço militar. Quando regressou descobriu que Lola se havia casado com Alfio. Turiddu tinha tentado esquecê-la com ela. Porém Lola invejosa esqueceu-se do seu marido e roubou-lho. Privada da sua honra ela chora, enquanto eles se voltaram a amar.

Diz-lhe então Mamma Lucia

"Pobre de nós!
Que me estás a contar
neste santo dia ?"

Retorquindo-lhe Santuzza

"Estou condenada, estou condenada
Vá oh Mamma, implorar
a Deus e rogue por mim
Turiddu virá
suplicar-lhe-ei mais uma vez"

Os vídeos apresentados continuam a fazer parte do mesmo espectáculo realizado em Tóquio e cantado pela mezzo Giulietta Simionato em 1956.

Contudo quem preferir ouvir Fiorenza Cosotto clique aqui


Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007

Cavalleria Rusticana-Dite Mamma Lucia

O som de umas campaínhas desencadeia uma explosão de colorido musical que evoca o ambiente festivo do domingo de Páscoa, quando o pano sobe.
A orquestra interpreta outro tema, que lembra vagamente o ritmo da valsa, que é introduzido pelas cordas e pouco tempo depois pelo oboé. Ouvem-se ao longe as vozes dos camponeses que, a pouco e pouco vão aparecendo no cenário; o tema orquestral junta-se ao coro dos lavradores, em que se alternam as vozes masculinas e femininas, criando diversos jogos melódicos que dão a esta peça um grande brilho.

Cantam as alegrias e a beleza da vida no campo , mas agora é tempo de "cantar as ternas canções que fazem o coração palpitar com força"
"

Quando a intervenção dos camponeses termina, a música passa para um tema lento, em tom menor, que se converte no primeiro esboço do drama.

Este tema introduz o diálogo entre Santuzza e Mamma Lucia.

Santuzza dirige-se para a taberna de Mamma Lucia para lhe perguntar pelo filho Turiddu, por quem está muito apaixonada, respondendo-lhe a mãe que foi a Francofonte comprar vinho, mas Santuzza não acredita dado saber que ele foi visto de noite na aldeia.

Lucia manda-a entrar em casa, mas Santuzza recusa porque está excomungada, devido ás suas relações pré-matrimoniais com Turiddu.

Entra Alfio o carreteiro e marido de Lola, acompanhado pelo som de estalos de chicote, aparecendo em ritmo de carácter militar, cantando uma breve ária "Il cavalo scalpita" acompanhado pelo coro.

" O cavalo trota
tintinam os guizos.
Estala o chicote !

Eh vocês
que sopre o vento gelado
que caia a água ou neve
a mim que me importa ?

O coro replica

"Que grande ofício
ser carreteiro
andar de um lado para o outro
Oh que grande ofício"

Para ver o filme interpretado por Fiorenza Cossoto (Santuzza), Anna di Stacio(Lucia) Giangiacomo Guelfi (Alfio)

(clicar aqui)



Terça-feira, Fevereiro 13, 2007

Cavalleria Rusticana-Introdução

A Cavalleria Rusticana estreou em 17 de Maio de 1890, no Teatro Costanzi de Roma sendo seu autor Pietro Mascagni, sob libreto de Giovanni Targioni-Tozzetti e Guido Menasci.

Mascagni nasceu a 7 de Dezembro de 1863, em Livorno. Era portanto da geração dos seus compatriotas Puccini, Leoncavallo e Giordano, bem como de Mahler, Debussy ou Viana da Mota.

Em 1888, soube do concurso de composição de novo aberto pelo editor Sonzogno, que instuiu um prémio para a melhor ópera em um acto, submetida ao júri.
Coube-lhe o primeiro prémio da competição, confirmado por um dos mais estrondosos êxitos de que reza a história da ópera. De um dia para o outro, a Cavalleria Rusticana fez de um modesto músico de província, uma celebridade internacional.
Como disse o próprio Mascagni, “foi uma pena eu ter começado pela Cavalleria Rusticana. Coroaram-me antes de ser rei”.
Nos restantes 55 anos que ainda viveu, não conheceu triunfo comparável
Personagens
Turiddu-(tenor)-É o protagonista da ópera.Papel adequado a um tenor spinto ou dramático
Santuzza-(soprano lírico) Porém como é muito agudo, o papel está ao alcance de um mezzo-soprano com bons registos superiores.
Alfio-(barítono) conta com uma breve ária, a sua voz tem de ser sonora.
Mamma Lucia e Lola-(mezzo)

A acção decorre num único dia,o dia de Páscoa, numa aldeia siciliana, em finais do século XIX.

Depois dum magnífico prelúdio e ainda com o pano corrido, Turiddu canta uma canção siciliana, um tema popular acompanhado pela harpa e escrito em dialecto siciliano.
Em que diz

“Lola a tua camisa é branca como o leite
és branca e encarnada qual cereja
quando apareces és só sorrisos
bendito quem te deu o primeiro beijo
A tua porta de sangue está manchada
E não me importaria matar-me frente
Ao teu umbral; e se ao morrer eu fosse
Para o Paraíso só entraria se estivesse ali”

O som de umas campaínhas desencadeia uma explosão de colorido musical que evoca o ambiente festivo do domingo de Páscoa, quando o pano sobe.

A orquestra interpreta outro tema, que lembra vagamente o ritmo da valsa, que é introduzido pelas cordas e pouco tempo depois pelo oboé.

Ouvem-se ao longe as vozes dos camponeses que, a pouco e pouco vão aparecendo no cenário; o tema orquestral junta-se ao coro dos lavradores, em que se alternam as vozes masculinas e femininas, criando diversos jogos melódicos que dão a esta peça um grande brilho.

Cantam as alegrias e a beleza da vida no campo , mas agora é tempo de "cantar as ternas canções que fazem o coração palpitar com força"

O clip faz parte dum filme em que engloba toda esta introdução
(clicar aqui)


Sábado, Fevereiro 10, 2007

Carlo Bergonzi-Um grande tenor verdiano


Nasceu perto de Parma a província de Verdi, em 1924.

Hoje, naturalmente retirado, foi considerado enquanto no activo, o maior tenor verdiano na cena lírica mundial.

Curiosamente fez os seus estudos e estreou-se cantando papéis de barítono.

Aos 27 anos verificou que a sua voz estava a mudar e após um novo período de estudo intenso, emergiu como tenor, estreando-se como protagonista de "André Chénier". Em 1955 já cantava no Scala de Milão e a estreia londrina no mesmo ano, no papel de Don Alvaro em “A força do destino”
.
Depois seguiram-se papeis em várias óperas e inúmeras gravações algumas que ficaram famosas.

Os seus desempenhos mais importantes, para além de Edgardo da "Lucia de Lammermoor", Turiddu em "Cavalleria Rusticana", ou Des Grieux na "Manon Lescault".

Interpreta na perfeição o bel canto lírico, mas cantou igualmente duma forma suprema o papel de Fausto em "Mefistofeles". Outro dos seus papéis preferidos é de Enzo em "La Gioconda", que cantou no S.Carlos em 1965.

Como já disse, o seu principal argumento são os papéis verdianos, tendo cantado todas as óperas, com a excepção evidente do "Nabucco", que não tem nenhuma ária para tenor.

Pessoalmente vi-o cantar em Lisboa em 1972 “A força do destino” e em 1976 “Um baile de máscaras”

Nos vídeos juntos, o primeiro refere uma gravação em 1967 em Florença, da célebre ária "Una
furtiva lacrima" da ópera "Elixir do Amor".

O segundo vídeo, num dos mais difíceis papéis do reportório verdiano, no papel de Radamés a ária "Celeste Aida" da ópera "Aida", gravado em 1966



Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007

Lucia di Lammermoor-Tombe degli avi miei

Estamos na cena final da Lucia,que apresenta a curiosidade da grande ária final pertencer ao tenor e não ao soprano, como era habitual até aquela altura. Donizetti escreve esta ópera numa altura em que os papéis de tenor estão progressivamente a ganhar importância.

O quadro começa com uma grande introdução, com as trompas como protagonistas e na qual o carácter tenebroso e ao mesmo tempo envolto em mistério, atinge um momento culminante.

Túmulo dos Ravenswood, nos arredores do castelo de Wolfs Crag .é ainda de noite, EdgardoLucia, só espera morrer ás mãos de Enrico, já não pensa em vingar seu pai, mas sim em extinguir consigo uma estirpe tão desventurada.

No recitativo com que começa “Tombe degli avi mei”, Edgardo diz o que acima referi, acrescentando que

Ah mulher ingrata
para seu júbilo
foi a noite curta
Enquanto eu me desfaço em pranto
Tu ris, exultas ao lado
Do feliz consorte
Tu no seio da alegria e eu no da morte

São as últimas palavras antes da entrada na ária propriamente dita (3.07)” Frapoco a mi ricovero”

Dentro em breve recolherei
a um ignorado sepulcro
Nem sequer uma piedosa lágrima
Sobre ele será vertida

Onde manifesta a clara intenção de se suicidar, terminando mais tarde a dizer

Não passes diante dele, oh barbara
ao lado do teu marido
respeita pelo menos as cinzas
de quem morre por ti
Não passes nunca esquece-o
Respeita ao menos quem morre por ti “

Canta o grande tenor catalão já falecido Alfredo Kraus, um espectáculo em Barcelona em 1988.



No segundo filme, sem imagem, com voz de Luciano Pavarotti, ouvindo-se toda a parte final da ópera.

Aproximam-se pessoas do cemitério onde está Edgardo, lamentado o que se passa no castelo, já que Lucia perdida a razão, não deixa de perguntar por ele, enquanto a morte se aproxima lentamente.



Edgardo, percebe então que se havia enganado acerca de Lucia, quando se ouve um toque a finados ao longe, enquanto Raimondo entra e lhe diz.

Dove corre sventurato ?
Ella in terra piú non é “

Conformando a morte de Lucia

Inicia então Edgardo a ária final “Tu que a Dio spiegasto l ali

Tu que a Deus abriste as asas
oh bela alma apaixonada
volve para mim aplacada
contigo se eleve quem te foi fiel
Ah se a ira dos mortais
Nos moveu uma guerra tão cruel
Se separados fomos na terra
Una-nos Deus no céu
Oh bela alma
Una-nos Deus no céu
Eu sigo-te”

Desembainhando a sua adaga, suicida-se.
Enquanto morre, canta basicamente a mesma ária ao mesmo tempo que Raimundo e o coro se lamentam dizendo

Que horror que horror
Oh! Tremendo e negro destino
Deus perdoa tanto horror”

A interpretação deste papel de Edgardo deve-se a José Carreras, aparentemente numa recita em Bregenz em 1982.




Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007

Lucia di Lammermoor.-Dalle stanza ove Lucia e árias da loucura

No grande salão do castelo de Ravenswood, continua a festa de noivado, A família Ashton celebra o facto de graças a Lord Arturo, lhe sorrirem de novo os astros.

Entra então na sala Raimondo com o semblante perturbado e pedindo silêncio, explica que Lucia, tendo perdido a razão, matou Lord Arturo, com o próprio punhal deste.

Aqui cantado pelo baixo Elia Todisco



Lucia entra em cena, com o cabelo despenteado e o rosto coberto de uma desolação mortal, com movimento convulsivos, manifestando demência.

A entrada de Lucia, dá lugar ao início da famosa ária da loucura.

Numa primeira parte, Lucia canta uma cena onde se passa de uma forma quase imperceptível do recitativo à ária, que tem um elevado interesse poético e musical.

São estas as palavras

O doce sono
da sua voz tocou-me
Ah, aquela voz
Penetrou no meu coração
Edgardo! Eu pertenço-te
Edgardo! Ah meu Edgardo
Sim, pertenço-te
Dos teus inimigos fugi
Um gelo se insinua no meu peito
Toda eu estremeço
Vacila o pé
Junto á fonte comigo te sentavas
Ai de mim ! Surge o tremendo
Fantasma e nos separa
Ai de mim! Ai de mim!
Edgardo!… Edgardo! … Ah!
O fantasma , o fantasma nos separa!
Refugiemo-nos Edgardo, junto ao altar
Está coberto de rosas
Uma harmonia celestial
Diz-me não ouves ?
Ah soa o hino nupcial
A cerimónia é preparada para nós
Oh ! feliz de mim !
Edgardo ! … Edgardo !
Oh ! feliz de mim !
Oh ventura que se sente e não se diz

Aqui canta Natalie Dessay num espectáculo no Met em 2007



(No segundo vídeo)

Arde o incenso … brilham
As sagradas velas, ardem em redor
Eis o sacerdote
Dá-me a tua mão
Oh ! venturoso dia !
Finalmente sou tua… tu és meu,
Deus a ti me deu …

Seguindo-se a uma réplica do coro

Todo o prazer será muito grato
compartilhado contigo
do céu clemente um sorriso
a nossa vida iluminará”

ainda Natalie Dessay "ardon gli incensi"



(No terceiro vídeo)

Esta longa cena da loucura de Lucia, termina então com uma cabaleta de grande beleza musical “Spargi d amaro pianto”

Onde ela diz

De amargo pranto semeia
o meu véu terrestre,
enquanto lá em cima, no Céu,
eu rezarei por ti
Apenas a tua chegada
Tornará belo o céu para mim



Acabo com um bravísssimo Dessay !!!

Terça-feira, Fevereiro 06, 2007

Lucia di Lammermoor-Orrida è questa notte

O primeiro quadro do último acto é sistematicamente suprimido, sendo um corte tradicional que provém já do século passado, quando a ópera romântica experimentou uma notável decadência.

Neste quadro tem lugar um dueto entre Edgardo e Enrico, no qual ambos concordam em desafiar-se para um duelo. Na forma actual, o terceiro acto começa sempre com o quadro seguinte.

A cena passa-se de noite,Edgardo refugiou-se na sala da torre semi-arruinada do castelo de Wolfs Craig, o único que os Ashton, não lhe roubaram da sua herança paterna.

Desencadeia-se uma tempestade e entre o ribombar dos trovões ouve-se o trote de um cavalo que se aproxima. Entra Enrico numa atitude ameaçadora. Edgardo lembra-lhe que não é bem recebido ali e que a morte de seu pai ainda não está vingada.

Enrico assegura-lhe que a sua intromissão em sua casa, durante a cerimónia nupcial pede vingança e que só ele o deve matar. Concordam ambos em bater-se ao despontar do dia no cemitério de Ravenswood.

Foi possível obter este vídeo cantado por Bülent Bezdüz e Domenico Balzani numa recita em Montpellier em 2006.



Quarta-feira, Janeiro 31, 2007

Lucia di Lammermoor-Chi mi frena In tal momento,


O famoso sexteto da ópera,começa entrado em primeiro lugar por Edgardo e Enrico, juntando-se a eles, pouco depois, Lucia e Raimondo, que repetem o tema do tenor e do barítono, enquanto estes repetem uma variação do mesmo.

Na segunda parte juntam-se Arturo e Alisa, dando lugar a um intenso clímax final. A violência da situação descrita pela orquestra e pontuada pelas diversas intervenções, acabam por desembocar num grande concertante com o qual termina o acto.

O sexteto é admirável, cada um canta a sua coisa, mas a beleza das palavras , faz com que “batam certo”. Como se estivessem a ser lidos 6 poemas ao mesmo tempo (não deixa de não ser verdade), não se encontrando qualquer dissonância.

  • Edgardo, lamenta o que considera ser uma traição, mas clama que ainda que vencido, a ama (T amo ingrata, t amo ancor)
  • Enrico diz que se arrepende de ter traído alguém do sangue dela e não consegue apagar os remorsos do meu coração ( spegnere, non posso, I rimorsi del mio cor)
  • Lucia lamenta-se de não ter morrido, quero chorar e não posso até o pranto me abandona (Vorrei piangere e non posso, M abbandona il pianto ancor)
  • Raimondo lamenta a dor de Lucia, quem não se compadece dela, tem no peito um coração de tigre (Chi per lei non é commosso, ha di tigre in petto il cor)
Este famoso sexteto aqui é cantado pelo seguinte elenco

Edgardo: José Carreras
Lucia: Katia Ricciarelli
Enrico: Leo Nucci
Raimondo: John Paul Bogart
Arturo: John Dickie
Alisa: Waltraud Winsauer

Num concerto em 1982





No vídeo seguinte final do sexteto,(que volta a ouvir-se) Edgardo é intimado a ir-se embora,(4.25) por Arturo e Enrico que desembainham as espadas. Raimondo, impõe a sua autoridade impedindo vias de facto, mas mostra o contrato nupcial já assinado e Edgardo desesperado atira aos pés de Lucia o anel de compromisso, exigindo-lhe que Lucia devolva o dele.

Toda a gente diz a Edgardo, que se retire, enquanto Lucia roga a Deus

Deus salva-o, num momento tão duro
de uma infeliz, escuta o lamento
É uma prece de imensa dor
De quem na terra já não tem esperança
È a última prece de um coração
Que nos meus lábios está expirando”

Edgardo pede que o matem ali mesmo

Matai-me e cumpra-se a cerimónia
com o exemplo de um coração atraiçoado
do meu sangue coberto o tálamo
doce visão para a ímpia será
Passando sobre os meus despojos exangues
Mais feliz irá ao altar”

Porém Edgardo é mesmo expulso da sala e termina o II acto.
Tratra-se dum espectáculo em Roma em 1992 com Alfredo Kraus(Edgardo) Giorgio Zancanaro(Enrico) e Carlo Colombara(Raimondo) e Kathleen Cassello como Lucia.






Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

Lucia di Lammermoor-Per poco fra le tenebre

Os convidados aguardam do salão do castelo de Ravenswood, onde se vão celebrar os esponsais.Inicia-se esta cena do 2º acto com um brilhante coro festivo, onde se intercala a brevíssima cavantina de Arturo.

Que diz

“Há pouco, entre as trevas
desapareceu a vossa estrela
eu a farei ressurgir
mais rutilante e mais bela
Estende-me a tua mão, Enrico
Estreita-me ao coração
Venho até ti, como amigo
Irmão e defensor”

Acompanhado pelo coro que se regozija por Arturo ter chegado, já que como dizem “Aqui te guiou a amizade aqui te conduziu o amor”

O editor deste video decidiu, fazer uma montagem, cortando a sequência que passo a descrever, preferindo saltar de imediato( no video em 3.18) para o início do sexteto que publicarei na integra no próxima postagem.

Segue-se então um dialogo entre Arturo e Enrico, onde este o põe de sobreaviso, sobre o estado de melancolia que Lucia atravessa desde a morte de sua mãe, escondendo-lhe contudo, a verdadeira razão.

Nesse instante Lucia, entra no salão num estado de extremo abatimento e Enrico não a abandona até que ela e Arturo assinem o contrato matrimonial. que Lucia contra feita acaba por assinar.

(ainda não foi possível encontrar vídeo para substituir o que foi retirado pelo You tube)



Domingo, Janeiro 28, 2007

Lucia di Lammermoor-Il pallor funesto

Na mansão de Ashton, Enrico e Normanno tentam convencer Lucia a casar-se com Lord Arturo. Para tal interceptaram as cartas de Edgardo e falsificaram uma dando a entender que ele se interessara por outra mulher.

Este vídeo começa abruptamente, quando Lucia responde ao irmão que a havia questionado acerca do seu aspecto pálido que denuncia grande sofrimento

Lucia diz-lhe então

A palidez funesta e horrenda
que no meu rosto se desenha
em silêncio te grita
a minha tragédia…. As minhas dores
Deus te possa perdoar
O desumano rigor
E a minha dor”

Enrico mostra então a referida carta falsa, após o que começa, o extenso dueto com que termina a Cena I deste 2º acto, que Lucia inicia dizendo “Soffriva nel pianto”

Sofria no pranto
consumia-me na dor
pus a vida
e a esperança
num coração
O instante da morte chegou para mim
Ah! Coração infiel
Que a outra se entregou”

Dizendo Enrico

Mas não foste digna da graça divina
aquele coração infiel a outra se entregou
Um louco e pérfido amor te incendiou
Traíste o teu sangue por um vil sedutor
Mas não foste digna da graça divina
aquele coração infiel a outra se entregou”

Terminam em dueto, repetindo, algumas frases das intervenções acima referidas.

A segunda parte do dueto inicia-se com o segundo vido,, quando se ouvem ruídos festivos e clamores de alegria no exterior. Lucia pergunta “Che fia ?”(que é aquilo ?)

O irmão diz-lhe que chegou Arturo o noivo prometido, realçando de novo o facto de que por motivos políticos é fundamental para ele que ela aceite aquele casamento. A contínua recusa de Lucia, é a entrada para o inicio da cabaleta final , quando Edgardo lhe diz

Se me vais trair
o meu destino está traçado
A vida e a honra me roubas
O patíbulo me preparas
Nos teus sonhos me verás
Sombra irada e ameaçadora
O patíbulo sangrento
Estará sempre diante de ti”

Lucia ergue então uma última prece ao céu cantando

Tu que vês o meu pranto
tu que lês neste coração
se a minha dor na terra for repelida
nos céus não o será
Leva-me ó Deus eterno
Esta vida desesperada

Maria Velasco canta este duo de Lucia e Enrico de Lucia con Ramón de Andrés, barítono. numa récita em 2005.

Naturalmente que a espectularidade da ópera, não se compadece com estas pequenas récitas, acompanhadas ao piano em vez duma cena enquadrada num espectáculo.

Como este foi único documento que encontrei publico-o por isso.







Sexta-feira, Janeiro 26, 2007

Lucia di Lammermoor-Sulla tomba

Depois da ária de Lucia, Edgardo faz a sua entrada. Apenas com essa entrada, ele revela o seu carácter impetuoso, num recitativo bastante longo e cheio de força que contrasta com a delicadeza de Lucia.

Egardo vem anunciar que vai partir, mas que antes, pedirá a Ashton a sua mão, como sinal de paz entre ambos.

Lucia pede-lhe que silencie aquele amor por agora, temendo a cólera do irmão.

Entre ambos estabelece-se a partir daquele momento um dueto de amor que começa com a frase do tenor “Sulla tomba” (no video só em 3.09).

Jurou vingar-se perante o túmulo do pai,(sulla tomba que encerra il tradito genitore) mas que o amor por ela, fez dissipar essa ira, porém como não consegue que ela seja dele a jura não foi quebrada, mentendo-se.

“Ah que só o amor te incendei o peito
cede, cede, cede por mim, cede ao amor”

Diz-lhe Lucia, ao que Edgardo responde (qui de spoza eterna fede)

“aqui perante o céu
jura-me eterna
fidelidade de esposa
Deus escuta-nos
Deus Vê-nos
Templo e altar é um coração amante
Ao teu destino uno o meu sou teu esposo”

Coloca-lhe então uma anel no dedo,Lucia anui e cantam os dois

“Só o gelo da morte poderá
apagar o fogo do nosso amor


para continuar num momento de extraordinário lirismo, com o “Ah, verrano a te” (no video em 5.29), em forma de cabaleta, do dueto, em que canta primeiro o soprano, depois o tenor, para acabarem os dois junto

“Ah! Irão chegar-te com a brisa
os meus suspiros ardentes
ouvirás no murmúrio do mar
o eco dos meus lamentos
Sabendo que de gemidos
E de dor me alimento
Deixa que uma amarga lágrima
Tome sobre esta prova de amor!


No  video, canta Plácido Domingo e Wise no teatro Zarzuela em Madrid em 1981, englobando todo o recitativo desde a entrada de Edgardo em cena


Quinta-feira, Janeiro 25, 2007

Lucia di Lammermoor-Regnava nel silencio



A dúvida de Enrico é desfeita por um grupo de caçadores que passam pelo local e que confirmam que o nome do apaixonado é, com efeito, Edgardo.
Enrico clama vingança, todos tentam acalmá-lo.
Muda a cena e Lucia acompanhada de Alisa, chega á fonte em ruínas na floresta.

Alí enquanto espera a chegada de Edgardo, Lucia relata como lhe apareceu um dia, entre as águas tingidas de sangue daquela fonte, uma jovem morta muitos anos atrás por ciúmes de um Ravenswood.

Este recitativo dá entrada á primeira ária da soprano “Regnava nel silêncio”,(no video 2.09) de uma considerável dificuldade, pelos registos agudos, para conseguir efeitos que tenden a “desiquilibra” a melodia, justificado pelo próprio carácter desiquilibrado de Lucia.

Uma frases de Alisa separa a ária da cabaleta “Quando rapito in estasi”,(no video 5.50) de ritmo muito mais leve, que constitui uma demonstração do virtuosismo da intérprete, pois é neste parte que deve exibir o seu gosto na escolha das ornamentações vocais.

No primeiro video, canta em grande diva Joan Sutherland, nesta Lucia já com 62 anos, mas ainda em grande forma, no segundo uma soprano mais “actual” Mariella Devia no Japão em 2004.

Esta soprano italiano, já não é uma debutante, por altura desta exibição, já contava com 56 anos, mas ainda mantém intocáveis todas as qualidades.




Quarta-feira, Janeiro 24, 2007

Lucia di Lammermoor-Cruda Funesta smania



Normanno, chefe da guarda, procura juntamente com os seus homens, nos arredores do castelo de Ravenswood, o inimigo da família Ashton, Sir Edgardo.

Lord Enrico junta-se á busca é diz a Normanno quão dificil é a sua posição politica, devido as mudanças, que se estão a verificar no poder, de um momento para o outro, o rumo dos acontecimentos pode alterar-se e ser o seu inimigo Edgardo, a quem destitui de quase todos os seus bens, a tomar o poder na região.

Apenas o casamento de sua irmã Lucia com Lord Arturo pode salvar Enrico e assegurar a sua periclitante situação, mas ela não quer aceitar esse casamento.

O venerável Raimondo, o capelão intervem desculpando Lucia e garantindo que ela continua afectada pela recente morte de sua mãe.

Normanno interrompe as explicações e afirma que a verdadeira razão é Lucia estar apaixonada por um homem, que lhe salvou a vida quando um touro a atacou, a caminho do tumulo de sua mãe e que desde então se vêem de madrugada junto à fonte.

Este apaixonado,embora desconhecido, parece ser ao que tudo indica o próprio Edgardo.

De tudo isto não existe video disponível, o primeiro que encontro corresponde a primeira ária do barítono Lord Enrico aqui cantado por Gabriel Velasco, chamada “Cruda Funesta Smania”, gravado no Mexico em 1995, fora do contexto cénico, da ópera.

Nesta ária Enrico duvida do que lhe dizem cantando

“Cruel e funesta ira
acendeste no meu peito
é demais, é demasiado horrivel
esta fatal suspeita.
Faz-me gelar e tremer
Pôe-me os cabelos em pé,
Ver coberta de opróbio
Aquela que minha irmã nasceu”


Terça-feira, Janeiro 23, 2007

Lucia di Lammermoor-Introdução



Esta ópera de Donizetti foi estreada no teatro São Carlos de Nápoles em 26 de Setembro de 1835. Exibida em Lisboa cerca de 3 anos depois.Esta é uma ópera dos primeiros tempos do romantismo.

Muito famosa nos tempos do seu aparecimento, teve mais tarde algum declínio, pelo aparecimento das correntes veristas, deixando de estar na moda o tipo de canto ornamentado e leve próprio desse primeiro romantismo.

Somente nos anos seguintes á II Guerra Mundial, ressurge o interesse pelo estilo de canto desta época.Mais uma vez é preciso falar em Maria Callas, responsável por esse ressurgimento. De novo acertou na personagem de Lucia ao recuperar o dramatismo da protagonista, dando consistência a passagens tais como a ária “Regnava nel silenzio”, pela sua dificuldade para os sopranos mais ligeiros.

Lucia é um drama escocês, passado na época medieval, baseado numa obra de Walter Scott The bride of Lammermoor escrita em 1819, com adaptação de Salvatore Cammarano

Personagens

Lord Enrico Ashton-(barítono)-dono do castelo de Ravenswood
Papel com notável dificuldade, noemadamente na sua ária inicial

Lucia –(soprano)- sua irmã
É a protagonista da obra. Papel para soprano lírico-ligeiro; exige uma voz muito ágil e com amplo registo agudo, mas com peso para dar relevo aos momentos mais dramáticos.

Sir Edgardo de Ravenswood-(tenor)
È mais importante o seu papel que noutra obras de Donizetti, é a ele que cabe a ária final tendo várias intervenções importantes ao longo da ópera.
Tenor lírico ou lirico-spinto

Lord Arturo Bucklaw-(tenor)-pretendente de Lucia
Só entra numa cena, papel com características idênticas ao anterior,cantando uma breve mas difícil cavatina. É um papel secundário, mas pela dificuldade tem sido interpretado por tenores, que mais tarde viriam a alcançar muita fama.

Raimondo-(baixo)- capelão do castelo
Papel secundário, mas tem intervenções de alguma relevância, especialmente no último acto, quando, tem uma grande cena juntamente com o coro

Alisa-(mezzo-soprano)-acompanhante de Lucia
Normanno-(tenor)-chefe da guarda do castelo
Duas personagens com curtas intervenções.

Segunda-feira, Janeiro 22, 2007

Requiem por Nicolai Ghiaurov



O minha voz de baixo preferida,também assim considerado por muita gente, pelo menos no que aos papéis verdianos, diz respeito.

Infelizmente já falecido em 2004,com 74 anos, vítima de paragem cardiaca

Búlgaro de nascimento, fez a maioria dos seus estudos na Rússia, começou a cantar aos 26 anos interpretando o papel de Don Basílio no BARBEIRO DE SEVILHA.e que seria também o último papel que desempenhou. Viria também a interpretar e a gravar os principais papéis para a sua voz

Assinale-se em especial os papéis de Mefistófeles em FAUSTO, o de Filipe II em DON CARLOS e nas DON GIOVANI e BORIS GODUNOV.

Casado com a soprano italiana Mirella Freni, a melhor Mimi (Boheme) conhecida, onde Ghiaurov, canta no seu papel de Colline, uma ária muito simples, mas de que gosto muito (Vecchia zimarra senti)

Pode ver-se no video que acompanha. Colline é uma artista, que perante a necessidade de se comprarem medicamento para Mimi, tuberculosa em estado terminal, se despede da sua velha samarra, que vai ser empenhada para se reunir dinheiro

No segundo video, Ghiaurov canta uma ária (Ella gammai mamo), na qual Filipe II rei de Espanha se lamenta da traição da sua mulher Isabel Valoais.



Domingo, Janeiro 21, 2007

Requiem de Verdi-Sancus e Agnus Dei



No primeiro vídeo inicia-se a sequência final

Sanctus

Sanctus, Sanctus, Sanctus Dominus, Deus Sabaoth.
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos Exércitos.

Pleni sunt coeli et terra gloria tua.
Cheios estão os céus e a terra da Tua glória.

Hosanna in excelsis.
Hosana nas alturas.


Benedictus, qui venit in nomine Domini
Bendito o que vem em nome do Senhor

Hosanna in excelsis.
Hosana nas alturas.

Pelo coro de St Matthews Choir, com a West London Sinfonia.

E depois um belissimo Agnus Dei de volta ao “concerto de ouro”, com Price e Cossoto

Agnus Dei

Agnus Dei, qui tollis peccata mundi: donna eis requiem.
Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo: dai-lhes o repouso.

Agnus Dei, qui tollis peccata mundi: donna eis requiem sempiternam.
Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo: dai-lhes o repouso eterno.







Requiem de Verdi-Offertorium



Inicia-se agora a última parte da missa o Offertorium, começando com Domine Jesu Christe e depois com Hostias, quando Plácido Domingo, canta “ Hostias et preces tibi, Domine”.

IV. Offertorium

1 - Domine Jesu Christe

Domine Jesu Christe, Rex gloriae,
Senhor Jesus Cristo, Rei da Glória,

libera animas omnium fidelium defunctorum
liberta as almas de todos os que morreram fiéis

de poenis inferni et de profundo lacu:
das penas do inferno e do lago profundo:

Libera eas de ore leonis,
Libertai-as da boca do leão

Ne absorbeat eas tatarus, ne cadant in obscurum:
Que não sejam absorvidas no inferno, nem caiam na escuridão:

Sed signifer sanctus Michael repraesentet eas in lucem sanctam:
Mas que o santo arcanjo Miguel as introduza na luz santa:

Quam olim Abrahae promisiti et semini ejus.
Conforme prometeste a Abraão e à sua descendência.

2 - Hostias

Hostias et preces tibi, Domine, laudis offerimus:
Sacrifícios e preces a Ti, Senhor, oferecemos com louvores:

Tu suscipe pro animabus illis,
Recebe-os em favor daquelas almas,

quarum hodie memoriam facimus:
Das quais hoje nos lembramos:

Fac eas, Domine, de morte transire ad vitam.
Fazei-as, Senhor, da morte passarem para a vida.

Quam olim Abrahae promisisti et semini ejus.
Conforme prometeste a Abraão e à sua descendência.

Para ver o vídeo clicar aqui.

Alem de Plácido Domingo cantam Monserrat Caballé, Bianka Perini e Paul Plishka. Gravado em 1980 em Nova York sob condução de Zubin Mehta


Sábado, Janeiro 20, 2007

Requiem de Verdi-Dies Irae(Lacrimosa)

Deve participar-se um crime, esta passagem foi "roubada" ao próprio Verdi
esta Lacrimosa é a perfeição absoluta, ninguém humano poderá superar o que aqui acontece.

Fiorenza Cossotto, Luciano Pavarotti, Leontyne Price e a maior voz baixo de sempre Nicolai Ghiaurov.

Orquestra e Coros do La Scala o maestro Von Karajan

6 – Lacrimosa

Lacrimosa dies illa
Dia de lágrimas será aquele

qua resurget ex favilla
no qual os ressurgidos das cinzas

judicandus homo reus.
serão julgados como réus.

-----

Huic ergo parce, Deus
A este poupa, ó Deus

pie Jesu Domine
piedoso Senhor Jesus

Dona eis requiem, Amen.
Dá-lhes repouso. Amém.

para ver o vídeo clicar aqui

Sexta-feira, Janeiro 19, 2007

Requiem de Verdi-Dies Irae(2ª parte)

Ingemisco (é a parte solista da voz tenor que completa o Recordare)

Ingemisco tamquam reus
Choro e gemo como um réu

culpa rubet vultus meus
a culpa enrubesce meu semblante

supplicanti parce, Deus.
a este suplicante poupai, ó Deus.

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Qui Mariam absolvisti,
Tu, que absolveste a Maria,

et latronem exaudisti
e ao ladrão ouviste

mihi quoque spem dedisti.
a mim também deste esperança.

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Preces meae non sunt dignae
Minhas preces não são dignas

sed tu bonus fac benigne,
sê bondoso e faça misericórdia,

ne perenni cremer igne.
que eu não queime no fogo eterno.

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Inter oves locum praesta
Dai-me lugar entre as ovelhas

et ab haedis me sequestra
e afastai-me dos bodes

statuens in parte dextra.
que eu me assente à Tua direita.

5 – Confutatis-(baixo e coro)

Confutatis maledictis
Condenados os malditos

flammis acribus addictis
e lançados às chamas devoradoras

voca me cum benedictis.
chama-me junto aos benditos.

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Oro supplex et acclinis
Oro, suplicante e prostrado

cor contritum quasi cinis
o coração contrito, quase em cinzas

gere curam mei finis.
tomai conta do meu fim.


Para ver o vídeo clicar aqui

Quinta-feira, Janeiro 18, 2007

Requiem de Verdi-Dies Irae(1ª parte)

Algumas notas acerca do video anterior


Angela Gheorghiu, soprano romena, nascida em 1965, considerada uma das melhores(?) da actualidade, veio cantar recentemente a Lisboa.

Em Dezembro de 2000, Angela Gheorghiu iniciou as filmagens de Tosca, tendo o filme sido lançado internacionalmente nos cinemas. Representou também Julieta no filme Romeu e Julieta da Online Classics (DVD) e em 2002 cantou numa histórica actuação nos Proms, por ocasião do Jubileu da Rainha Elisabeth II (DVD).

Compromissos futuros incluem uma gala na Metropolitan Opera de Nova Iorque (La Traviata) e ainda as óperas Simon Boccanegra, Lucia di Lammermoor, Adriana Lecouvreur, Manon Lescaut, Tosca, Lucrezia Borgia, Alceste, Don Carlos e Don Giovanni.

Aos 41 anos, Angela Gheorghiu vive um momento delicado da sua carreira. Nos últimos tempos, a cantora tem sido notícia mais por razões pouco agradáveis que por sucessos em palco. O mesmo aliás tem acontecido com o seu marido, o tenor franco-siciliano Roberto Alagna (casaram-se em 1996),e que também canta no video atrás publicado, protagonista de recente escândalo, após desertar a meio de uma Aïda no Scala de Milão, após ter sido assobiado, depois de cantar a dificílima ária “Celeste Aida”

Para além de ser "perita" em cancelar presenças em produções operáticas, colecciona problemas e quezílias à conta de exigências e caprichos inaceitáveis para quem com ela trabalha. Teatros como o Metropolitan, o Covent Garden, Ópera de Paris, Scala e Real de Madrid são casos famosos da sua 'prima-donnite aguda' que acabaram ou em abandono voluntário ou... "sugerido". O caso mais recente foi a desistência duma produção próxima do Don Carlos na Royal Opera House (iria ser Elisabette de Valois), meses após ali ter feito uma Tosca também ela atribulada...

Soprano lírico com capacidades spinto (faculdade de a voz adquirir potência e cor dramáticas, se requerido), Gheorghiu parece hoje viver sob uma "maldição" da Callas, cantora com a qual foi amiúde comparada no início da carreira

Será a confirmação duma carreira ? Ou de um flop ?

Voltando ao Requiem

Dies irae é a parte da missa que referência o dia do juízo final

III. Sequentia

1 - Dies irae-(coro)

Dies irae, dies illa
Dia de ira, aquele dia

solvet saeclum in favilla
no qual os séculos se desfarão em cinzas

teste David cum Sibylla.
assim testificam Davi e Sibila.

Quantus tremor est futurus,
Quanto temor haverá então,

Quando judex est venturus,
Quando o Juiz vier,

Cuncta stricte discussurus.
Para julgar com rigor todas as coisas.

2 - Tuba mirum-(coro+baixo)

Tuba mirum spargens sonum
per sepulchra regionum,
coget omnes ante tronum
Mors stupebit et natura,
cum resurget creatura,
judicanti responsura.

3-Liber Scriptus (mezzo+ coro)

Liber scriptus proferetur,
in quo totum continetur,
unde mundus judicetur.
Judex ergo cum sedebit,
quidquid latet apparebit,
nil inultum remanebit.

4-Quid sum miser (soprano+mezzo+tenor)

Quid sum miser tunc dicturus?
Quem partonum rogaturus,
cum vix justus sit securus?


5-Rex tremendae(solistas+coro)

Rex tremendae majestatis,
Ó Rei, de tremenda majestade,

qui salvandos salvas gratis,
que ao salvar, salva gratuitamente,

salva me, fons pietatis.
salva a mim, ó fonte de piedade.

6-Recordare-(soprano+mezzo)

Recordare, Jesu pie,
Lembra-te, ó Jesus piedoso,

quod sum causa tuae viae,
que fui a causa de tua peregrinação,

ne me perdas illa die.
não me perca naquele dia.

-----

Quaerens me, sedisti lassus
Procurando-me, ficaste exausto

redemisti crucem passus
me redimiste morrendo na cruz

tantus labor non sit cassus.
que tanto trabalho não seja em vão.

-----

Juste judex ultionis,
Juiz de justo castigo,

donum fac remissionis
dai-me o dom da remissão

ante diem rationis
diante do dia da razão



Para ver o vídeo clicar aqui

Requiem de Verdi-Introitus e Kyrie



Pode dizer-se que uma missa requiem é uma ópera com textos liturgicos, é uma missa católica na qual se pede, pelo descanso eterno das almas dos mortos A estrutura do texto musicável é essencialmente a mesma de outras missas, e as partes variáveis (próprio da missa) focalizam as circustâncias especiais ligadas ao texto da missa de defuntos.

Vários compositores musicaram “missas requiem” em memória das pessoas mais variadas.

O “requiem ateu”, como foi descrito certa vez o Op.45 de Brahms, sob o pretexto das escassas vezes em que Deus é mencionado, foi escrito em homenagem a dois defuntos, o seu amigo Schumann e a sua mãe que viria a falecer pouco tempo depois.

Porém o requiem de Verdi, a antepenúltima obra dele,escrita em 1874 em memória do seu grande amigo Manzoni, é sem dúvida a minha missa favorita,passe a genialidade da de Mozart. Tanto que a meu ver nem requer a prévia condição de católico, basta que se oiça com o coração.O próprio Verdi, que se considerava cristão, não apreciava os rituais religiosos, nem concordava com a rígida hierárquia eclesiástica

Para esta minha preferência, talvez tenha contribuído o ter assistido há muitos anos, tantos que já nem me lembro quantos,(mas vou tentar descobrir), a um magnífico espectáculo em Lisboa no Coliseu do Recreios do qual só me lembro que cantavam a “enorme” Fiorenza Cossotto(mezzo), o marido Ivo Vinco(baixo), sendo a soprano, salvo o erro a Mara Zampieri (nâo sei que é feito dela) e a orquestra e coros da Royal Symphonia Orquestra. No fim 25 minutos ininterruptos de aplausos.

1-Introitus

Requiem aeternam dona eis, Domine,
Repouso eterno dá-lhes, Senhor,

Et lux perpetua luceat eis.
E luz perpétua os ilumine.

Te decet hymnus, Deus, in Sion,
Tu és digno de hinos, ó Deus, em Sião,

et tibi reddetur votum in Jerusalem:
e a ti rendemos homenagens em Jerusalém:

Exaudi orationem meam,
Ouve a minha oração,

ad te omnis caro veniet.
diante de Ti toda carne comparecerá.

Requiem aeternam dona eis, Domine,
Repouso eterno dá-lhes, Senhor,

Et lux perpetua luceat eis.
E luz perpétua os ilumine

seguido no video (5.31) por

II. Kyrie

Kyrie eleison.
Senhor, tem piedade.

Christe eleison.
Cristo, tem piedade.

Kyrie eleison.
Senhor, tem piedade.

Cantado por Angela Gheorghiu(soprano),Daniella Barcelona(mezzo)Roberto Alagna(tenor) e Julian Konstantinov(baixo), alignados das esquerda para a direita. Orquestra Filarmónica de Berlin dirigida em 2001 por Claúdio Abbado.

Para aceder ao vídeo clicar aqui

Segunda-feira, Janeiro 15, 2007

Notas finais sobre a protagonista



Voltando ao assunto da Norma e as suas grandes interpretes, diga-se que Sutherland foi a única soprano que gravou a Norma no seu tom original (sol maior), Callas e Caballé, cantaram-na sempre um tom mais baixo.

Dizem os entendidos, que a melhor Norma de Caballé é a gravação video da representação no teatro Orange em 1974, Ela aproxima-se mais, pelo seu canto lírico expresso com mórbidez, de uma sacerdotisa, que está lutando contra ( ou pela sua) feminilidade, que uma semi-deusa.O seu canto estilizado, suave, é de uma homogeneidade assombrosa e os seus “legatos”(canto sem interrupções de linha melódica ), conferem ás frases uma velada tristeza, quando o tom é ameno, sobretudo nos duetos com Adalgisa.

Até ao aparecimento de Callas, não pode dizer-se que tenha havido uma Norma de eleição, (com a eventual exepção de Rosa Ponselle). Para além das exepcionais capacidades vocais e técnicas, ela conhecia na perfeição o recitativo clássico e sabia transmitir o ar trágico e de grande distância, da grande sacerdotisa.

Para perceber as cambiantes que Callas consegue transmitir, a este papel, é necessário, ouvir uma Norma inteira cantada por ela, quase que parecendo que são vozes diferentes, conforme cada cambiante do papel, oscilando entre, doçura,desespero, autoridade.

O problema de Callas, foram os maleitas vocais, os empresários, os exageros, por fim alguma decadência em que se deixou mostrar, depois o abandodo e por fim a morte.

Com Caballé hoje preticamente retirada. Sutherland a grande diva australiana, definitivamente fora do palco, não há Normas de eleição, para cantar este papel, vamos ver até quando

NORMA-Final

Perante a recusa de Pollione, Norma manda reunir a Assembleia anunciando que tem uma nova vítima, uma sacerdotisa perjura, que pecou contra a Pátria e o deus, tornando inúteis as súplicas do romano, julgando que ela ia denunciar Adalgisa.

Enquanto a pira é acesa para o sacrifício, revela que a pecadora é ela e lembra a Pollione que tal como estiveram unidos durante a vida, também o estarão na hora da morte.

Pollione percebe a grandeza do coração de Norma e diz-lhe

Junto morreremos, ah sim morreremos
as minhas últimas palavras
serão que te amo
mas na hora da morta, não me rejeites
antes de morrer
perdoa-me”

Todos querem que ela desminta o seu delito, mas a revelação do facto de ser mãe agrava a sua culpa.

Oroveso, o pai , furioso recusa salvar a vida dos filhos de Norma, como se pode ver no início do 2º video.

Ela canta a sua última e comovedora súplica, que emociona até Oroverso

Ah! Não os convertas em vítimas
do meu erro fatal
Ah! Não os trunques, na flor
da sua inocente idade.
Pensa que são o teu sangue,
E tem piedade deles
Ah, pai tem deles piedade

Oroveso(o magnífico Del Bosco), acaba por lhe dizer que toma conta dos filhos. Enquanto isso Pollione afirma o renascer do seu amor.

Norma, feliz por morrer ao lado do homem amado, sobe com ele para a pira funerária.

Equanto o coro invoca a maldição divina, os dois amantes, unem-se num amor, mais santo e duradouro.

Enfim não há palavras para descrever Caballé, para mim a inigualável Norma



Sábado, Janeiro 13, 2007

NORMA-In mia main al fin tu sei


Norma não se enganara ao supor que se trata de Pollione, que aparece conduzido por alguns soldados, numa atitude desafiadora.

Retirando um punhal das mãos de Oroverso, prepara-se para apunhalar Pollione, mas falta-lhe coragem.

Um pouco mais recuperada, Norma declara que vai interrogar o romano a sós.

Depois de todos se retirarem começa o dramático momento em que Norma se oferece para salvar a vida de Pollione, na condição deste renunciar a Adalgisa para sempre.

In mia main alfin tu sei (Nas minhas mãos estás, por fim) é o que diz Norma ao iniciar o dueto, ao que o romano responde No si vil non son (Não sou tão cobarde)

Iniciando-se o seguinte diálogo

Norma (N): Ignoras que a minha ira supera a tua ?

Pollione (P): Espero o teu golpe

N : Não sabes que aos nossos filhos
No coração esta daga …?

P: Oh Deus o que oiço ?

N: Sim contra eles levantei o seu fio
Ja vês, jã vês a que extremos cheguei
Não os feri, mas agora
Poderia consumar o crime
Num instante
Posso esquecer que sou mãe

Esta tentativa desesperada da sacerdotisa, agora só mulher , não surte efeito, o romano diz-lhe que afunde antes o punhal no seu peito.

Norma diz-lhe então que também Adalgisa há-de morrer, entre as chamas perecerá.

Pollione responde “toma a minha vida mas dela, dela tem piedade”.

Iniciando-se a última parte di dueto, com Norma a dizer “Preghi alfine ?” (Imploras por fim ? )

Imploras por fim
Indigno! Já é tarde
No seu coração quero ferir-te, sim
Já me regozijo com o teu olhar
De dor, da sua morte
Posso, por fim ,igualar,
a tua dor á minha

e Pollione

Ah! Que te acalme o meu terror
eis-me, aqui, a teu pés chorando,
Sobre mim descarrega todo o teu furor
Mas tem piedade de uma inocente
Que a tua vingança se satisfaça
Comigo morrendo à tua frente

Caballé canta com Clementi Lamberti como Pollione

NORMA-Ah del tebro

IV ACTO

Lugar solitário perto do bosque sagrado, Um grupo de guerreiro gauleses pergunta-se se o odiado Pollione, não abandonou ainda o acampamento inimigo. Todos se preparam, com impaciência , para a tão desejada sublevação.

Oroveso entra e avisa-os da iminente chegada de um procônsul ainda mais cruel que o anterior.

Não sendo extenso o papel de Oroverso a ária que aqui canta “ Ah!del tebro” é de uma dificuldade considerável.Aqui cantado por Elia Todisco

Canto solene e elegante, tal como acontece com a maioria das árias para baixo neste período, Nele se intercalam as intervenções do coro que acentuam o carácter magestoso da passagem.

Norma confia no regresso de Adalgisa com o arrependido Pollione (Mia fidanza é posta in Adalgisa), mas Clotilde vem dizer que não só Adalgisa fracassou no seu intento como Pollione esta disposta a leva-la á força para Roma.

Norma enfurecida , jura que o sangue vai ser derramado e precipita-se contra o escudo sagrado batendo nele 3 vezes.

È o sinal de chamada e de todos os lados acorrem os druídas.Norma o suposto decreto dos deuses e todos entoam um hino guerreiro, no fim do qual todos expressam a fé na vitória contra a odiada Roma, mas o rito exige um sacrifício humano. Norma garante que a vítima não vai faltar.

Ouve-se um tumulto e Clotilde entra, anunciando que foi aprisionado um romano quando tentava profanar o recinto das jovens virgens

Não tenho video para ilustrar este última parte

Quarta-feira, Janeiro 10, 2007

NORMA-E tu ?





Este video continuação do anterior, contém o final do dueto entre Adalgisa e Norma.

Quando Norma a quem Adalgisa continua a pedir para que ceda, porque Pollione já está arrependido, lhe pergunta “ E tu ? “

Adalgisa responde

Amei-o mas agora a minha alma
apenas alberga amizade

Norma diz “Oh! Jovenzinha ! E tu querias ?

Adalgisa : “ Devolver-te os teus direitos
Ou perante ti, o céu e os homens
Juro esconder-me para sempre

Norma: “Sim,venceste, abraça-me
Em ti volto a encontrar a amiga

Cantado ambas (no video 1.10)

Si, fino all ore estreme Sim,até à minha última hora
Compagna tua, compagna m avrai por companheira me terás
Per ricovrarci insieme grande é o Mundo
Ampia è la terra assai para nos hospedar ás duas
Teco dell fato all onte Contigo, firme, oporei
Ferma opporró la fronte o meu ânimo, aos enganos do destino
Finché il tuo core enquanto junto ao meu
A battere io senta sul mio cor sentir bater o teu coração

Fim do 3º Acto

Terça-feira, Janeiro 09, 2007

NORMA-Pallor da morte


Dueto

Na sequência do video anterior, neste agora reproduzido, assiste-se á entrada de Adalgisa que Norma, havia mandado chamar por Clotilde, que nota a palidez do rosto de Norma, que lhe responde

É a palidez da morte
quero revelar-te toda a minha vergonha
um único rogo te farei e cumpre-o
se é que alguma piedade
desperta em ti, a dor do meu presente
e a dor do meu futuro

Pedindo-lhe depois que leve as crianças ao acampamento romano “para junto daquele cujo nome não ouso pronunciar” e que “ele seja para ti um esposo menos cruel, eu perdoo-lhe e preparo-me para morrer”

E continua dizendo para cuidar e proteger,(2.31) os seus filhos “não peço honras nem nem poder, sejam esse reservados aos filhos do teu próprio sangue, apenas te peço que não os abandones"

Adalgisa recusa, dizendo que irá sim ao acampamento contar todos os sofrimentos por que passa Norma e confia que saberá convencer Pollione a aceitá-la de novo.

Norma recusa e inicia-se o dueto

Mira o Norma-(Olha Norma) no video (6.00)

em que Adalgisa diz

Olha Norma, perto dos teus joelhos
estas amadas criaturas
Ah! Tem piedade delas, ah!
Mesmo se de ti não tens piedade

E Norma recita

Ah! Por que é que minha constância
tentas dobrar com tão ternos sentimentos
perante a morte, ai!
Um coração já não pode ter
Ilusões nem esperança

Como noutras situações já apresentadas, este video reporta-se a uma récite no teatro Zarzuela em Madrid em 1978 com Caballe e Cossoto

O video que se seguirá na próxima publicação, é a continuação deste dueto com que terminará o III acto



NORMA-Teneri teneri figli

III ACTO

A cena abre mostrando o interior da casa de Norma. Sobre o leito dormem duas crianças. Norma surge brandindo um punhal e contemplando os filhos, debate-se entre o amor e o ódio.Está decidida a matar os filhos, antes de os saber escravos de Roma. Esta ideia aterroriza-a e tenta recuperar a coragem pensando que com estas mortes conseguirá ferir profundamente Pollione.

Teneri, teneri, figli (Meus queridos filhos) video ( 04.38 )

“Meus queridos filhos
que noutro tempo foram
a minha alegria e em cujo o sorriso
pensava ver o perdão do céu
E tenho de matá-los ?
De que são culpados ?
São filhos de Pollione
Esse é o seu delito
Para mim é como se já estivessem mortos
Morram pois, para ele
E que nenhuma outra dor
Possa igualar a sua
Morram já “

Contudo ao levantar o punhal contra os filhos o seu amor de mãe detém-na.

“Ah não são os meus filhos ! Os meus filhos !

Soberba a interpretação de Caballé neste video., mas a comovedora introdução da orquestra (in dolore ) é tipica de Bellini.




Segunda-feira, Janeiro 08, 2007

NORMA-Oh Di qual sei tu vittima

Trio final do II acto

A verdade porém é revelada de forma inexorável, perante as perguntas cada vez mais inquietas de Norma, Adalgisa acaba por revelar a identidade do amante, confessando o nome do procônsul, que aparece nesse mesmo instante. Norma recrimina-o violentamente. Adalgisa descobre o engano de que foi vítima e amaldiçoa Pollione, a quem anuncia uma terrivel vingança.

Inicia-se o trio com Norma(3.00), reconhecendo que Adalgisa tal como ela fora enganada

A fonte do pranto eterno
fez ele brotar em ti
tal como enganou o meu coração
o malvado também atraiçoou o teu

Adalgisa deplora a traição de Pollione, enquanto este se lamenta pelo sofrimento nele produz um amor tão intenso.

Nesse momento ouve-se a lúgubre chamada do escudo sagrado e as vozes dos druídas convocando Norma perante o altar.

Este video foi gravado no teatro Zarzuela em Madrid em Maio de 1978
O tenor espanhol (natural Cordoba) Lavirgen no papel de Pollione e Caballé como Norma e Cossoto em Adalgisa




Domingo, Janeiro 07, 2007

NORMA-Oh Rimembranzza

II ACTO

Oh Rimembranzza-(Oh lembrança)

Antes de mais uma nota de esclarecimento, sobre a apresentação pública de Norma. Preferi a divisão da obra em 4 actos, quando em multiplas situações ela é representada em 2 actos.

A acção decorre na morada de secreta de Norma no bosque. A cena inicia-se com a sacerdotisa acompanhada da sua confidente Clotilde e duas crianças. A presença dos filhos desperta nela sentimentos contraditórios, Teme que Pollione aproveite a sua partida para Roma para a abandonar. Alguém se aproxima e Clotilde sai com as crianças.

Adalgisa aparece, presa de uma grande agitação e Norma convida-a a revelar o segredo que a aflige. Adalgisa explica que sucumbiu ao amor de um homem, esquecendo os seus votos religiosos e até mesmo a própria pátria. Para Norma o relato evoca circunstâncias analogas vividas por ela quando conheceu Pollione e assim começa o dueto entre Norma e Adalgisa , OH rimembrenza.

Requere-se que Adalgisa cante sempre numa região grave, para que na parte final do dueto, demonstrem e utilizem ao máximo os registos extremos da voz.

Norma comovida perdoa á rapariga e exime-a dos seus votos, perante o
alvoroço de Adalgisa, acabam o dueto, dizendo Norma

"Perdoo-te e compadeço-te
Dos teus votos te liberto
Quebrando os seus vínculos
Unida ao teu amor
Viverás, por fim, feliz"

Respondendo Adalgisa

"Repete, santo céu, repete
Tão lisonjeiras palavras
Graças a ti apaziguam-se
Os meus longos tormentos
Devolves-me a vida
Se não for pecado o amor"

Primeiro canta Joan Sutherland Marilyn Horne este dueto num espectáculo em 1981 dirigido pelo marido de Joan, Richard Bonynge.



Sem comparações que não são possíveis quando se é muito grande Maria Callas canta o mesmo com Ebe Stignani (Adalgisa), gravado no Scala em 1954

Eis todo o dialogo entre elas

NORMA
(Oh, rimembranza! io fui
così rapita, al sol mirarlo in volto.)

ADALGISA
Ma non m'ascolti tu?

NORMA
Segui; t'ascolto.

ADALGISA
Sola, furtiva al tempio
io l'aspettai sovente;
ed ogni dì più fervida
crebbe la fiamma ardente.

NORMA
(Io stessa arsi così.
Oh rimembranza: io fui così sedotta!)

ADALGISA
Vieni -- ei dicea -- concedi
ch'io mi ti prostri ai piedi:
lascia che l'aura io spiri
de' dolci tuoi sospiri,
del tuo bel crin le anella
dammi poter baciar.

NORMA
(Oh! cari accenti!
Così li profferia,
così trovava del cor la via.)

ADALGISA
Dolci qual arpa armonica
m'eran le sue parole;
negli occhi suoi sorridere
vedea più bello un sole.

NORMA
(L'incanto suo fu il mio.)

ADALGISA
Io fui perduta e il sono.

NORMA
Ah! tergi il pianto!

ADALGISA
D'uopo ho del tuo perdono.

NORMA
Avrò pietade.

ADALGISA
Deh! tu mi reggi e guida.

NORMA
Ah! tergi il pianto!

ADALGISA
Me rassicura, o sgrida,
salvami da me stessa,
salvami dal mio cor.

NORMA
Ah! tergi il pianto:
te non lega eterno nodo all'ara.

ADALGISA
Ah! Ripeti, o ciel, ripetimi
sì lusinghieri accenti!



Sábado, Janeiro 06, 2007

Norma-Va crudele al dio spietato


Entra em cena Pollione, que têm uma breve troca de frases com Adalgisa, que lhe suplica que parta consciente que não poderá fugir á força da sua sedução

1-13-Va crudele al dio spietato (Vai cruel ao deus desapiedado)(começa em 00.37 no video)

Aqui Pollionne diz-se apaixonado que ao deus dela impiedoso poderá oferecer em sacrificio todo o seu sangue se necessário. mas que a ela não poderá renunciar.

Ao deus foste apenas prometida
Mas o teu coração foi-me entregue por completo
Ah ! não sabes quanto me custaria
Renunciar a ti

1.14-E tu pure ah! Tu non sai ( ah! Também tu não sabes)(começa em 2.37 no video)

No mesmo registo Adalgisa,reclama o seu amor mas também a consciência do seu pecado perante o seu deus. Pollionne diz lhe que vai voltar a Roma pedindo que venha com ele onde existem “deuses melhores.

Repete Pollione a sua participação individual no dueto com "Vieni in Roma" (6.08) e Adalgisa em (7.03)

Adalgisa tenta resistir, mas acaba por jurar que no dia seguinte virá a este mesmo local e o seguirá

prometendo

Ao meu Deus serei prejura
mas ser-te-ei fiel

e Pollione termina dizendo

O teu amor infunde-me coragem
e saberei desafiar o teu Deus

O video que acompanha este final do 1ª acto de Norma, é cantado pela mezzo Josephine Veasey e pelo canadiano Jon Vickers, poderoso tenor, cujo ponto forte da carreira foram as interpretações de Otello de Verdi e alguns papéis wagnerianos.

Este concerto realizou-se em Orange em 1974



NORMA-Ah Bello a mim ritorna

1.10-Ah! Bello a mim ritorna (Volta para mim tão belo)


É a ária onde se começam a definir as contradições que acontecem no íntimo de Norma, Por um lado os seus deveres de sacerdotisa da Gália por outro o seu amor por Pollionne, aqui ela diz para si que

Volta para mim tão belo
como no teu primeiro e fiel amor
e contra o mundo inteiro
a tua defesa serei
Vota para mim tão belo
com o teu sereno olhar
e no teu peito vida
pátria e céu encontrarei, sim

Enquanto o coro da multidão clama

Muito tardas sim
oh dia da vingança
mas já te apressa o deus irado
que Roma condenou

Percebe-se que o povo clama por vingança, Norma pensa em Pollione.

Esta cabaleta cantada pela grande Callas está na sequência da Casta Diva, aqui pode ouvir-se Callas no seu melhor.


1.11-Sgombra la sacra selva (ficou deserto o bosque sagrado)

Adalgisa, que após a partida de todos fica só no bosque sagrado reflectindo sobre o seu amor, por Pollionne que a tornou reblede ao templo e ao deus mas que é uma força irrestivel

e a brisa repete para mim o eco
da sua voz querida

Protege-me oh Deus
estou perdida, sim perdida
deus, tem piedade, estou perdida

Linda esta passagem do papel mezzo-soprano, cantada por alguém que não conheço, no Teatro do Liceu de Barcelona em 2007.


Sexta-feira, Janeiro 05, 2007

NORMA-Casta Diva




1.6-Norma viene (Norma vem)


Entra o cortejo religiosos, precedido pelos 4 guardiões do templo, Seguem-se as sacerdotisas, todas com véus e grinaldas de flores.
Ao som de uma marcha de uma marcha lenta e magestosa reunem-se os druidas, os guerreiros,os bardos e os diversos ministro e servidores do templo

1.7-Sedecione voci, voci di guerra (Vozes sediosas vozes de guerra)

Norma entra de cabeleira solta a testa coroada por uma grinalda e empunhando a mítica foice de ouro, mas repreende aqueles que desejam uma sublevação permatura contra Roma, desobedecendo assim á vontade do deus, interpretada pelos augúrios da vidente Norma.Todos protestam em vão contra, mesmo Oroverso,pela passividade das armas gaulesas frente ao jugo opressor.

Norma responde que agora qualquer tentativa seria esmagada pelo poderio militar do invasor. Roma está predistinada a perecer, consumida pelos seus próprios vícios.. Na realidade , o único objectivo de Norma consiste em atrasar o momento em que o seu amor por Pollione entrará em conflito irremediável com os seus deveres como sacerdotisa

1.8-Casta diva (Casta deusa)

Esta cavantina, é sem qualquer dúvida o fragmento mais popular de toda a ópera, os ondulantes harpejos dos instrumentos de corda, com base nos quais se eleva o tema principal da ária, interpretado pela flauta, que lhe dá o clima “lunar”, já que a cena é noturna e a evocação é feita à deusa Lua), introduzem o canto da soprano

Basicamente nesta ária Norma, convida o povo á paz, corta os ramos do visco sagrado e avança com os braços estendidos para o ceú. A luz da lua inunda a cena e Norma invoca a sua aparência pura e bela com uma prece eterna

No video que apresento a cena inicia~se na altura em que Oroveso seu pai, a questiona perguntando-lhe "se os bosques da pátria e os nossos templos ancestrais, não foram já bastante contaminados pela águia romana ?", num claro convite á guerra .

Aqui Monserrat Caballe canta Casta Diva, para mim a melhor Casta Diva de todas, este papel foi feito para ela


Quinta-feira, Janeiro 04, 2007

NORMA-Svanir le voci



(continua de Norma-O enredo)

1.3-Svanir le voci (Afastam-se as vozes


A entrada de Pollione(proconsul romano na Gália, voz de tenor) e do seu amigo Flávio(centurião romano amigo de Pollione, voz de tenor), siligiosamente envoltos nas suas togas, cantam um recitativo em que Pollione confessa ao seu amigo que já não ama Norma, mas outra de nome Adalgisa que considera flor da inocência.

Também se sente alvo de censura já que é pai dos 2 filhos de Norma.
Tem muito pouco interesse sob o ponto vista musical este recitativo já que se destina
a explicar ao publico, os antecedentes do trama romântico, um pouco no sentido de actualizar a questão


1.4-Meco all altar di Venere (Junto ao altar de Vénus)

No video esta cabaleta inicia-se por volta de 2.39, quando o tenor diz Meco all altar di Venere, diga-se que as árias em todas as óperas são conhecidas pelo nome da frase inícial, como aqui acontece

Atormentado pelo remorso Pollione conta ao amigo que teve um sonho premonitório, no instante em que se dispunha a unir-se a Adalgisa, perante o altar de Vénus, em Roma, Norma irrompia com uma fúria vingadora, castigando-os

1.5-Odi ? I suoi riti a compiere (Vem cunprir os seus ritos)

Ouve-se a chamada do escudo sagrado de Irminsul, convocando os druidas à cerimónia ritual.Pollione vangloria-se do desprezo que lhe inspiram estes bárbaros cujo blasfemo santuário pensa destruir protegido pela força do seu amor por Adalgisa.


É seguramente um dos momentos mais dificeis do papel de tenor nesta ópera, já que não sendo uma ópera emblemática na carreira dos tenores, tem nesta cabaleta, sobretudo depois da intervenção do coro e do amigo Flávio, uma nova nuance quando diz "Me protegge, me difende", cuja mudança de tom para mi bemol maior, proporciona um ar mais brilhante no fim da mesma e o tenor eleva a sua voz até um si 3 de grande efeito

Polione acaba inflamado desafiando os deuses bárbaros que lhe roubam Adalgisa
dizendo

Desse deus que disputa
esta virgem celestial
incendiarei os bosques
derrubarei o seu ímpio altar



O video que ilustra 1.3,1.4 e 1.5 é cantado por Jon Vickers(Polione) e Gino Siniberghi (Flávio) em Orange em 1954




(continua)

NORMA-Ite sul colle o druídi



Localização

A acção decorre na Gália, no bosque sagrado de Irminsul e nos seus arredores, durante a época da ocupação romana, em data não especificada, cerca do ano de 50 a.c

1º ACTO

Cenário

Bosque sagrado dos druídas, dominado pela azinheira de Irminsul. A seus pés, encontra-se a pedra dos druídas que serve de altar. Pouco a pouco aparecem esquadras de guerreiros gauleses e uma procissão de druídas, liderados pelo chefe, Oroveso

1.1 Abertura

De uma forma geral a função das aberturas era a de indicar o início do espectaculo e favorecer o silêncio do público, mas a pouco e pouco foi ganhando um estatuto de peça orquestral estruturada em 3 partes (allegro-adágio-allegro). No entanto a partir de Verdi, a abertura começou a caír em desuso

A peça de abertura da Norma é uma das mais sublimes que Bellini escreveu. Acordes fortíssimos com percurssão e o insistente estalido dos pratos, uma série de frases orquestais, levam-nos finalmente a ouvir um tema de grande efeito que corresponde a um momento culminante da ópera, como mais tarde se verá.

1.2-Ite sul colle, o druídi (Ide, druidas, para as colinas

Esta ária e abertura é aqui cantada por CARLO COLOMBARA no papel de OROVESO



A sequência no inicio da opera é habitual, na maioria das óperas italianas do início do Romantismo, o primeiro acto principia com uma introdução cantada por um coro em que se intercala com a intervenção de uma das personagens neste caso do baixo, que canta aqui a sua breve cavatina .

Terriveis palavras
Nas ancestrais azinheiras dirá,
E a Gália libertará
Da aguia inimiga
E o som do seu escudo
Qual fragor de trovão
Na cidade dos césares
Tremendo soará











Terça-feira, Janeiro 02, 2007

NORMA-Personagens


È grande a exigência imposta á protagonista da Norma, sob o ponto de vista vocal,quanto á tecitura, necessitando-se duma soprano dramática de coloratura, como se designam as sopranos com voz de maior envergadura e consistência, habitualmente usadas também para cantar papéis wagnerianos.

Contrariamente ao que se pensa, as vozes femininas mais altas, designadas genericamente por sopranos, subdivide-se em várias classes, não sendo uniformes as suas vozes, e as exigência de cada obra envolvem, por sua vez, diferentes requisitos. Obviamente não deve pensar-se que todas as sopranos, estão habilitadas a cantar todas as óperas.Não é realmente assim, tanto que muitas situações negativas aconteceram, com graves consequência na carreira de algumas artistas, por não se ter salvaguardado este aspecto muitas vezes em nome de interesses comerciais

Pollione, pro-consul romano governador da Gália, é um papel que deverá ser entregue a um tenor lírico spinto,de bons registos agudos, mas dotados de voz delicada e flexível.

Adalgisa, sacerdotisa foi um papel escrito para soprano ligeiro, também chamada de coloratura exigindo-se poder cantar notas sobrea gudas, pelo que hoje em dia se opta por entregar este papel a mezzo-sopranos, pela facilidade com que por definição dominam essas notas.

Oroveso, grande sacerdote dos druídas e pai de Norma, é uma papel para ser cantado por voz baixo, termo que designa a mais grave das vozes masculinas.

Clotilde, ajudante e amiga de Norma, é um papel secundário, normalmente entregue a uma soprano

Flávio é por sua vez amigo e ajudante de Pollione, também é uma papel para tenor lírico de características idênticas ás referidas para Pollione.

NORMA-Introdução.1


Casta deusa, que prateias
Estes antigos e sagrados bosques
Vira para nós
O teu belo semblante
Sem núvem e sem véu
Sem véu, sim sem véu

(O coro repete basicamente o mesmo e ela terminará dizendo)

Abranda, oh deusa,
Abranda estes ardentes corações,
Suaviza o seu ciúme audaz,
E a paz que fazes reinar no céu
Derrama sobre a terra

Este é o trecho mais famoso de toda a Norma, que como disse sintetiza uma ideia de Paz, que a sacerdotisa roga á deusa Lua, e que satisfaz o desejo de conciliar o seu interesse pessoal, pelo amor que nutre pelo chefe militar do inimigo, mas ao mesmo tempo refreia os impetos de revolta do seu povo.

Considero soberba esta interpretação, fora de cena repito, pelo tempo certo a “coloratura” do seu canto e a sua expressão facial, no que aliás a tornou conhecida pela revolução que neste aspecto trouxe ao espectáculo, contrapondo-a a muitas outras estrelas, que se limitavam a cantar, desprezando por completo a componente cénica.

Fica a curiosidade desta directo da RAI em 1957, ter acontecido apenas 2 dias antes, duma das maiores broncas da sua carreira, pois após a interpretação desta mesma cavatina, na Òpera de Roma, na presença do Presidente da Republica e de membros do corpo diplomático, devido ao mau acolhimento dispensado pelo público á sua “Casta Diva”, se ter recusado a continuar a representação.


Segunda-feira, Janeiro 01, 2007

NORMA-Introdução

Começar por falar da NORMA, não obedece a qualquer critério. È “apenas” uma das mais belas óperas de sempre.

Escrita por Bellini sob libreto de Felice Romani, estreada em 1831 no Teatro Scala em Milão.A Norma estreou em Portugal em 3 de Junho de 1835, no teatro S.Carlos em Lisboa, cantado pela soprano Luisa Mathey, a mezzo Clara Delmastro no papel de Adalgisa e o tenor Domenico Furlani no de Pollione

A Norma é contudo uma versão um pouco suavizada de Medeia, tema que muitos autores já tinham posto em cena,nomeadamente a de Cherubini.

A figura central da sacerdotisa Norma é por isso inspirada na figura referida, possuíndo uma forte personalidade mágica ou religiosa e uma mulher enganada no seu antigo amor, desejosa de o recuperar recorrendo a qualquer meio; além disso a sua personalidade instável sofre, devido á existência de 2 filhos frutos desse amor, que nela despertam a tentação de os matar, para se vingar do amante infiel. No caso da Medeia é levada á prática, não o sendo contudo na Norma, personagem menos diabólica que respeitará a vida das crianças, humanizando por realce do papel de mãe, a personagem central.

Uma mulher de poder, uma sacerdotisa que na antiga Gália, significava o poder supremo da decisão da guerra ou da paz, no fundo da vida e da morte, de um povo subjugado, pelo poderio da águia romana. Contudo, pela força do seu amor, ela ilude a confiança que nela o seu povo deposita, pela necessidade pessoal de uma paz comprometedora, já que o seu amor era exactamente o pró-consul romano dominador, Pollione.

Por tudo isto se pode inferir que para além, das qualidades vocais da protagonista, se impôe que as suas características interpretativas, imponham uma presença dominadora em cena, que deixe bem vincadas as imensas contradições que o seu papel comporta.Normalmente, parece, sem prejuízo de outras opiniões que resultem das inerentes aos clubes de fãs, que também neste meio, não deixam de existir, que as sopranos que mais se aproximaram do “modelo ideal”, consignado á figura de Norma, são os níveis atingidos por Maria Callas, Monserat Caballé e Joan Sunderland, a diva australiana já retirada desde 1990 com 64 anos.


Domingo, Dezembro 31, 2006

OBJECTIVOS

Confesso que a primeira intenção na criação deste espaço, foi o de promover um espaço de diálogo entre “Operários” amantes desta Arte sublime, que envolve várias componentes, ao mesmo tempo que me abalançava a tentar “chegar” aos que injustamente a repudiam, como algo de fastidioso. Porém para que fosse possível mostrar as “nossas razões”, necesário seria, poder dispor de exemplos musicais concretos que por razões de direitos autorais, que não tenho a certeza possa “publicar” sem os afrontar. Sem essa ferramenta, julgo ser tarefa difícil falar em abstrato, pelo que me resta considerar, que estas notas se destinarão sobretudo a coligir notas pessoais e recopilação de apontamentos inseridos noutros sites

Sei que não se pode ficar indiferente perante a Ópera, as pessoas ou amam-na ou detestam-na. Prefiro pensar que acima de tudo desconhecem, os seus fundamentos, os seus autores e interpretes e mais do que isso, como é natural quando ouvem um fragmento isolado, uma ária dispersa, completamente fora do contexto da totalidade da obra, ainda por cima sem perceberem a lingua e sem qualquer ajuda na compreensão do que se está a passar, é normal que a recusem.

Se o mesmo se passasse, com a audição dum retalho isolado duma peça de teatro, por mais interessante que fosse, também não gostaríam.

Apenas nos caso em que consiga encontrar no You Tube, exertos que sirvam para ilustrar o que pretendo mostrar, indicarei o respectivo endereço, para posterior acesso.