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sexta-feira, julho 06, 2007

La Bohème.12

Musetta entra e não traz boas notícias, entra em grade aflição pedindo ajuda para Mimi, que a acompanha e está ali em perigo de vida.

Depois de acomodada Musetta conta-lhes que a encontrou na rua e que ela lhe diz que se sente a morrer e que queria morrer com Rodolfo.

Mimi pede que a deixem olhar à volta e diz que se sente ali muito bem, sente-se renascer e que ainda sente vida ali.

Musetta constata que nada há ali para se comer ou beber, enquanto Mimi diz que tem muito frio, se ao menos tivesse um regalo para aquecer as mãos geladas.

Musetta desfaz-se dos brincos e dá-os a Marcello para ele ir comprar medicamentos, enquanto Colline resolve empenhar o seu velho sobretudo, cantando uma famosa ária "Vecchia zimara senti" (uma das minhas favoritas para voz de baixo). Nessa ária ele despede-se do seu velho sobretudo lembrando os dias que passaram juntos.

"Nunca curvaste o puído dorso
aos ricos e aos potentes
Passaram pelo teus bolsos
como em antros tranquilos
filósofos e poetas.
Agora que os dias alegres se foram
digo-te adeus , fiel amigo meu,
adeus, adeus"

Saíem todos deixando Mimi e Rodolfo sozinhos.

quinta-feira, julho 05, 2007

La Bohème.11

O último acto passa-se na velha mansarda do Quartier Latin, Marcello e Rodolfo discutem os falhanço da suas vidas amorosas enquanto trabalham. Rodolfo conta como viu Musetta numa bela carruagem e Marcello retribui com descrição de Mimi, vestida como uma rainha, obviamente mantida por algum protector rico.

Rodolfo pega na touca de Mimi e recorda o amor e felicidade perdidos,(o Mimi tu più non torni) enquanto Marcello reconhece que a única coisa que sabe pintar é a face de Musetta.

Aparecem Schaunard e Colline que trazem um jantar miserável- pão e um arenque salgado-porém os quatro amigos depressa esquecem as suas mágoas ao improvisar um acto de variedades, que inclui um fandango e um duelo a rigor.

No auge da animação a porta abre-se e entra Musetta.

José Carreras canta o papel de Rodolfo e Vicente Sardinero o de Marcelo numa récita em Barcelona em 1980, porém o segundo vídeo é uma peça magnifica junta Pavarotti, no papel do tenor Rodolfo e Plácido Domingo no de Marcello, um papel de barítono, que ele tenor interpreta magnificamente, num documento gravado fora de cena, contendo apenas o dueto inicial.

Aliás é conhecida a sua apetência na fase final da sua carreira, por cantar o papel barítono em Simão Boccanegra



quarta-feira, junho 27, 2007

La Bohème.10-Final 3º acto

Rodolfo pergunta-lhe então se é mesmo verdade que tudo tenha acabado, ela responde-lhe evocando recordações da vida passada entre ambos, num diálogo cheio de ternura.

Ela recorda o doce acordar da manhã ele a vida sonhadora, ela sorrindo diz-lhe que se acabaram os raspanetes e os ciúmes que ele interrompe dizendo-lhe que eram acalmados por um sorriso dela. Ela recorda a pungente amargura que ele remata que sendo um verdadeiro poeta rimava com candura.

Terminando dizendo os dois "Ficar sozinho no Inverno é coisa de morrer. Enquanto na Primavera, o sol é companheiro".

Entram Musetta e Marcelo, como sempre em discussão e em desafio, estabelecendo-se um clássico quarteto de diálogos cruzados, nessa altura discussão e ciúme , por outro lado amor e nostalgia por outro , "quando floresce a Primavera o sol é companheiro" dizem "tagarelam as fontes e brisa da noite cobre de bálsamos o sofrimento humano".

Enquanto os outros gritam "eu não faço de bobo aos principiantes ousados", e Musetta reclama "eu faço amor com quem quiser" e Marcello chama-lhe "frívola e casquilheira", continuando a trocar acusações "pintor de paredes", "víbora", "sapo", "bruxa".

Entretanto Mimi e Rodolfo decidem em grande enlevo que se deixarão apenas na estação das flores.

Luciano Pavarotti (Rodolfo),Lorenzo Saccomani (Marcello) e Lucia Popp (Musetta), juntam-se agora a Ileana Coturbas, no espectáculo de 1979, anteriormente referido.

Uma referência acerca das imagens finais do soberbo Scala e a recordação da cópia, o nosso picolo Scala, o Teatro S.Carlos

La Bohème-Donde lieta usci

Como disse anteriormente a tosse e os soluços revelaram a presença de Mimi, Rodolfo tenta levá-la para dentro do café por estar mais quente, mas Mimi recusa diz-lhe então que

Ficou feliz por ter correspondido ao grito de amor dele, mas que irá voltar ao solitário ninho e voltará a tecer flores, despede-se dele sem rancor "addio senza rancore".
As poucas coisas que tem deixou espalhadas, na gaveta dela encontram-se a aliança de ouro e o livro de orações, pede-lhe que embrulhe tudo num avental que ela mandará buscar.
Debaixo da almofada, está a touca cor-de-rosa, se ele quiser guarde-a como recordação de amor e despede-se dele dizendo de novo "addio senza rancore".

Foi Edison que disse numa carta em 1920 "os homens morrem, os governos mudam, mas as canções da Boheme viverão para sempre.

Angela Gheorghiu canta esta ária







sexta-feira, junho 22, 2007

La Bohème-Mimi é una civetta


O tenor mexicano Arturo Chacon-Cruz (Rodolfo) e o Barítono americano Mark Walters, cantam este dueto.

Rodolfo acorda e chama por Marcello, as primeiras palavras que diz ao sair da estalagem, são de que tenciona separar-se de Mimi, confessa a sua natureza ciumenta, e o amigo diz-lhe para ele mudar de atitude, pois dos loucos é o amor sombrio, que lágrimas destila, se não ri e brilha o amor é louco e fraco.

Chama-lhe lunático, maçador, teimoso e ciumento.

Rodolfo diz que ela é uma "civetta"que namorisca com todos, que se pavoneia e destapa o tornozelo com modos permissivos e lisonjeiros a um filho dum visconde.
Diz que a ama, sobre todas as coisas na terra,mas. mais do que tudo, mostra-se preocupado com o estado de saúde dela diz que ela está muito doente, cada dia declina mais e que está condenada, uma tosse terrível o fraco peito sacode.

Lamenta a sua impossibilidade financeira de cuidar de Mimi, diz que o quarto dele é um pardieiro, o lume apagado, o vento entra por todo o lado, porém ela canta e sorri , mas o remorso assalta-o por causa do fatal mal que a assalta.

Mimi escondida ouve tudo e vai lamentado a sua sorte, enquanto Marcello se comove e Rudolfo diz que ela é um flor delicada, mas para voltar a chamá-la à vida não basta o amor.

A tosse e os soluços violentos acabam por revelar a presença de Mimi.



domingo, junho 17, 2007

La Bohème-Speravo di trovarvi qui

Ao alvorecer numa manhã fria de Fevereiro, Os guardas da portagem mostram-se relutantes em abrir as portas aos vendedores e varredores.

A cena passa-se numa das portas de entrada de Paris, Os varredores gritam e batem com as vassouras nas cancelas, para que os guardas os deixem passar.

Vêm abrir a cancela e pouco depois passam uma leiteiras, aparecendo Mimi, que pergunta ao sargento onde fica a taberna onde trabalha um pintor e a seguir pede a uma criada, que entre para avisar Marcelo, que ela pretende falar-lhe.

Ele aparece e conta-lhe que estão ali há um mês a expensas do taberneiro, ele pinta e Musetta ensina canto aos clientes.

Mimi conta-lhe que Rudolfo consome-se por ciúmes infundados. mesmo á noite fingindo dormir sente os seus olhos e espiarem-na e pede ajuda a Marcello
.

Marcello conta-lhe que no caso dele de Musetta tudo é diferente amam-se com alegria, cantos e risos, "eis a flor de invariável amor", mas aconselha que no caso deles é melhor separarem-se .

Mimi entretanto tosse, explicando a Marcello que se sente exausta, mas este procura convencer Mimi a ir-se embora por forma a evitar mais uma cena de ciúmes.

Angela Gheorghiu canta o papel de Mimi e Franck Ferrari o de Marcelo





quinta-feira, junho 14, 2007

La Bohème-Chi I ha richiesto-Final do 2ºActo

O mesmo elenco continua o clip anterior.

Ouvem-se os acordes duma banda militar que se aproxima.
Musetta pede ao criado que adicione a despesa dos boémios à conta de Alcindoro.

O grupo de amigo sai de cena. seguindo atrás da fanfarra. O amante de Musetta, com os sapatos recém-comprados, chega mesmo a tempo do criado lhe apresentar a choruda factura.

quarta-feira, junho 13, 2007

La Boheme-Quando m en vou

O segundo acto tem por cenário uma praceta no Quartier Latin, em frente ao café Momus.É noite de Natal e uma multidão de pessoas passeia junto ao café, entre a algazarra de crianças e vendedores .

Schaunard compra um cachimbo e uma trompa, Colline uma samarra. Rudolfo entra com Mimi numa loja de modista e compra-lhe uma touca de rendas e contemplam um colar de colar numa joalharia. Colline, Schaunard e Marcello, sentam-se numa mesa em frente ao café. Rudolfo entra com Mimi e apresenta-a aos seus amigos.

Entretanto chega Parpignol o vendedor de brinquedos que faz as delicias dos miúdos. Mimi mostra a todos a nova touca o que entristece Marcello que se recorda das infidelidades da sua Musetta. Para desanuviar o ambiente propõem uma saúde.

Estas cenas de rua não se encontram documentadas, por não ter encontrado nenhuma gravação nas buscas que fiz, realmente sob o ponto de vista do canto, não acrescentam nada de importante contudo são bastante belas e movimentadas as passagens da ópera neste início do II acto.

O que vai seguir-se após a cena do brinde, é a entrada de Musetta acompanhada por um velho e rico admirador, Alcindoro a quem ela faz a vida negra.

Marcello descreve-a a Mimi, bastante impressionada com o espavento do vestido de Musetta, diz-lhe que o nome dela bem poderia ser Tentação e que é como a rosa dos ventos, sempre a mudar de direcção e de amante-um pássaro voraz cujo prato predilecto é o coração.

Rudolfo aproveita para prevenir Mimi de que é muito ciumento e que não lhe perdoaria a mais pequena traição.

Musetta canta a sua famosa canção em tempo de valsa (Quando m en vo) descrevendo a maneira como toda a gente olha para ela quando passeia pela ruas; tudo isto para grande irritação de Marcello e embaraço de Alcindoro a quem ela trata por Lulu.

Decidida a conquistar Marcello uma vez mais, queixa-se de forte dor num pé e obriga Alcindoro a ir comprar-lhe mais um para de sapatos.

Marcello vencido diz que a sua juventude ainda não morreu, que a memória ainda está fresca e cai nos braços de Musetta.

(Mimi) e Maria José O video foi cantado em 2006 no Teatro Colon, pelas sopranos Angela Maria BlasiSiri (Musetta), o tenor Massimiliano Pisapaia em Rudolfo e o barítono Gustavo Gilbert como Marcello.

terça-feira, junho 05, 2007

La Bohème-O soave fanciulla-Final do 1ºActo

Ouvem-se vozes impacientes, dos três amigos, chamando Rudolfo da rua. Ele responde-lhes que não está só e pede-lhes para irem andando para o café Momus, que ele lá irá ter.

Inicia-se então o primeiro dos duetos entre soprano e tenor (O soave fanciulla)
Em que Rudolfo lhe diz como é doce a face dela iluminada pelo luar, vislumbrando o sonho com que gostaria sempre de sonhar, ela responde-lhe que ele comanda, fazendo descer os seus doces carinhos até ao coração.

Rudolfo beija-a, mas ela afasta-o, lembrando-o que os amigos o esperam.Diz-lhe que vai com ele e com alguma malícia deixa no ar a hipótese de ficar com ele.

Ele pede-lhe o braço (Dammi il braccio mia piccina) e jurando o seu amor retiram-se.

A soprano romena Georghiu e o seu marido na vida real o tenor Roberto Alagna, cantam, numa gravação recolhida em Orange em 2005 o mesmo trecho.

Já li que Alagna é considerado o sucessor de Pavarotti, duvido que assim seja,a menos que estude muito.



domingo, junho 03, 2007

La Boheme-Si mi chiamano Mimi

É então a vez de Mimi se apresentar "Si mi chiamano Mimi, ma il mio nome é Lucia".

Diz que a sua história é breve.É bordadeira, tranquila e feliz, divertindo-se a representar lírios e rosas, gosta de coisas simples das coisas que falam do amor, da primavera, coisas que falam de sonhos e de quimeras, aquelas coisas que se chamam poesia.

Depois de ter perguntado a Rudolfo se ele a percebia, continua dizendo que vive sozinha, que nem sempre vai á missa, mas reza com frequência ao Senhor.

Porém quando chega o primeiro degelo, o primeiro sol é dela e o primeiro beijo de Abril também.

Acaba dizendo

"Rebenta uma rosa num vaso.
Folha a folha a espio
Tão gentil o perfume de uma flor
Mas as flores que eu faço infelizmente
não deitam cheiro"

Depois como que pedindo desculpa

"Mais não saberia que dizer-lhe, sou a sua vizinha
que o vem importunar fora de horas!

Mirella Freni para muitos (incluo-me nesse número) a melhor Mimi de sempre, canta num espectáculo em Hamburgo em 1973)

Para ver clicar aqui


La Boheme-Che gélida manina

Logo que se despede dos amigos Rudolfo tenta trabalhar, nas não consegue concentrar-se. Batem à porta.é Mimi, uma vizinha que pede a Rudolfo uma luz porque a sua vela se apagara, quando subia a escada.

Seduzido pela beleza dela, manda-a entrar e ajuda-a a vencer um ataque de tosse e o cansaço da subida da escada que a leva a um desfalecimento. Oferece-lhe um copo de vinho após o que ela pretende retirar-se mas volta logo em seguida, porque terá perdido a chave da sua casa.

Os dois começam a procurá-la. Rudolfo encontra-a mas esconde-a.

A luz providencialmente apaga-se e na escuridão Rudolfo encontra e acaricia a mão gelada de Mimi.

O poeta conta-lhe então a sua vida, a sua pobreza, os seus sonhos e como os olhos dela exerceram um poder mágico sobre ele (Che gelida manina, se la lasci riscaldar).

Ele diz-lhe também, que, tem uma alma milionária, mas que por vezes do seu cofre roubam todas as jóias, dois ladrões, os belos olhos.

Porém não se incomoda com o roubo, porque em seu lugar apareceu a esperança, pede-lhe então que se apresente.

"Agora que já me conhece
falai vós, contai-me.
Quem sois ? Gostaria de dizer-me ?

Quanto ao protagonista nada a acrescentar é Luciano Pavarotti, Ileana Cotrubas.
Para ouvir clicar aqui

quarta-feira, maio 30, 2007

La Boheme-Questo mar rosso

Giacomo Puccini nasceu a 23 de Dezembro de 1858 na cidade italiana de Lucca, duma família de músicos foi-lhe imediatamente cultivado a vocação musical. Estudou com Amilcare Ponchhielli, no Conservatório de Milão,formando-se com elevada classificação.

A celebridade começou logo com a primeira partitura Le Villi, cuja parte de tenor foi criada pelo nosso compatriota António de Andrade.

Em 1896 no Teatro Reggio de Turim, Puccini estreia La Bohème, um dos maiores êxitos da história do teatro moderno, sobre libreto de Giuseppe Giacosa e Luigi Illica extraído do romance Scénes de la vie bohème do poeta francês Henri Murger.

A peça inicia-se numa mansarda no Quartier Latin de Paris, onde dois artistas, o poeta Rudolfo e pintor Marcello, trabalham, queixando-se da miséria que passam e do frio que são obrigados a suportar por falta de lume para se aquecerem. É noite de Natal lá fora todas as chaminés deitam fumo, excepto a deles.

Marcello lembra-se que queimar uma cadeira, mas Rudolfo opõe-se, oferecendo antes o seu último trabalho literário, um drama em vários actos que em fumo subirá aos céus.

Entra Colline um filósofo que vive com eles, queixando-se de não ter conseguido empenhar os seus livros, pelo facto das lojas de penhores estarem fechadas.

O último habitante da casa o músico Schaunard, entra seguido por marçanos que trazem comida, bebidas, lenha e charutos, explicando que arranjou dinheiro porque um Lord inglês o contratou , para tocar piano até matar um papagaio tagarela no andar de baixo, tendo tocado durante 3 dias.

Os outros artistas mostraram pouco interesse na explicação devido à excitação da inesperada ceia.

Batem à porta é o velho senhorio Benoit, que vem reclamar o pagamento de velhas rendas liquidar.

Entretêm-no com vinho, disfarçando a conversa, convencendo-o a contar as suas aventuras amorosas, mas depressa fingem grande indignação e expulsam-no da mansarda, quando Benoit confessa a sua preferência por raparigas gordas acrescentando

"As mulheres magras são um sarilho
e, muitas vezes preocupações
e sempre cheias de dores
olhem por exemplo a minha mulher"

Novamente a sós resolvem ir festejar o Natal, no café Momus, mas como Rudolfo tem que escrever um artigo para um jornal, fica sozinho prometendo reunir-se aos amigos logo que se despache.

terça-feira, maio 22, 2007

O Trovador-(Final)

Depois de Azucena ter adormecido, entra Leonora que diz a Manrico que está livre, mas que ela não a pode acompanhar.

Este não quer ouvir falar de fugir, sem ser com ela e indigna-se quando percebe que Leonora obteve o seu perdão em troca de se vender ao conde, depois de ter perguntado

"mas fixa em mim, mulher, o teu olhar
de quem obtiveste e a que preço ?
Não queres falar ?
Que tremendo raio de luz
Do meu rival ! Compreendo ! Compreendo !
vendeste o teu amor a esse infame"

Ela acaba por confessar-lhe que se envenenou, que "tem a morte no meu seio" e que "a força do veneno foi mais rápida do que eu pensava" e que "em vez de viver sendo de outro, preferi morrer sendo tua".

(Embora aparentemente pareça tratar-se dum dueto, estamos em presença dum terceto, pois ouve-se a voz de Azucena, aparentemente sonhando alto cantando a passagem que foi referida no apontamento anterior "Aos nossos montes regressaremos").

A entrada do conde Luna reforça a manutenção do terceto, pois Azucena voltará a dormir.

Entretanto Manrico percebe por fim o sacrifício da amada,"louco de mim e eu este anjo ousei amaldiçoar" e o Conde que foi enganado, "quis enganar-me e morrer por ele".

Leonora morre e o conde ordena assinalando Manrico "levem-no para o suplício".

Acabando a ópera com o seguinte diálogo

Manrico : Mãe, oh mãe, adeus
Azucena (acordando): Manrico ! Onde está o meu filho ?
Luna: Corre para a morte
Azucena : Ah para escuta-me
Luna : Vê-lo ?
Azucena : Céus !
Luna: Já morreu
Azucena : Era teu irmão !
Luna : Ele ? Que horror!
Azucena : Já estás vingada, oh mãe
Luna : E eu ainda vivo

Cantam Ludovic Spiess(Manrico), Caballé (Leonora), Irina Arkhipova(Azucena) num espectáculo de 1972


sábado, maio 19, 2007

O Trovador-Si la stanchezza

O segundo quadro do último acto começa, no cárcere da prisão do castelo de Aliaferia, onde Manrico e Azucena esperam a hora fatal. Ela julga que já a vêm buscar para o suplício, mas o filho conforta-a. A cigana mais uma vez relembra a terrível visão da morte da mãe.

Manrico tenta acalmá-la e cantando o bonito duo "Si la stanchezza"

Sim a fadiga, oprime-me ó filho
fecho os meus olhos para dormir
mas quando se veja a arder
a horrível chama da fogueira, desperta-me

respondendo Manrico

repousa oh mãe e que Deus conceda
imagens menos tristes ao teu sono

e Azucena com as cadenciosas frases "Ai nostri monti ritorneremo"

Aos nossos montes retornaremos
a antiga paz ali desfrutaremos
Tu cantarás com o teu alaúde
e eu dormirei um sono plácido

Azucena adormece por fim enquanto Manrico vigia a seu lado.

Luciano Pavarotti e a mezzo Marilyn Horne no papel de Azucena.

terça-feira, maio 15, 2007

O Trovador-Mira di acerbe lagrime

O conde Luna sai do castelo dando as últimas ordens sobre a morte dos prisioneiros.

"Ouviste ?
Quando alvorecer, o filho ao machado
do carrasco e a mãe á fogueira"

Continuando a reflectir, sobre um eventual abuso de poderes que o príncipe lhe havia dado, mas que a tais actos fora conduzido por uma mulher funesta e de quem não sabe nada, pois todas as buscas que fizera, não a havia encontrado, perguntando-se em desespero "onde estás mulher cruel ?"

Leonora apresenta-se-lhe, iniciando-se um duo, de vigorosa melodia impulsionada pela diferente paixão que move as personagens. Uma passagem de típica música de conversão,onde Leonora lhe implora piedade para Manrico, cantando "Mira di acerbe lagrime"

"Olha como derramo aos teus pés
um rio de lágrimas amargas
não te basta o meu choro ?
Mata-me bebe o meu sangue
calca o meu cadáver
mas salva o trovador"

mas nada comove Luna, que ainda mais se enfurece "Quanto mais o amas mais intenso arde o meu furor", mas cedendo apenas quando Leonora lhe promete entregar-se-lhe, se ele salvar Manrico, jurando perante Deus que vê toda a sua alma.

Liga-se assim esta parte do duo à sua cabaletta rítmica " Vivrà contende il giubilo", que Leonora canta após beber o veneno que estava no seu anel.

"Viverá ! O júbilo retira-me
as palavras, senhor
mas com os seus rápidos
batimentos, o meu coração te agradece
Agora o meu fim impávida
cheia de alegria espero
Poderei dizer-lhe, morrendo
Estás salvo graças a mim"

Este primeiro quadro do IV acto acaba estando Leonora e Luna felizes, ela porque julga ter salvo com a sua entrega o seu amor e o Conde dando largas ás suas emoções "Tu mia tu mia ripetilo"

"Tu minha, tu minha repete-o
serena o meu coração
Ah não posso crê-lo
embora to oiça dizê-lo"

Gravação interpretada por Stefka Hristova


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quarta-feira, maio 09, 2007

O Trovador-D amor sull all rosee

O quarto e último acto deste quadro inicia-se junto á torre do palácio, onde Manrico está preso.

Ruiz o seu fiel amigo traz Leonora até ali, dizendo-lhe que só ela pode salvar Manrico, pois este tinha sido capturado ao tentar salvar Azucena. Estando ambos encarcerados esperando a execução.

Depois dum pequeno recitativo, onde Leonora diz que apesar de tudo está próxima do seu amado, enquanto lembra o seu amor, cantando uma das árias mais famosas desta ópera "D amor sull all rosee" onde diz

Sobre as asas rosadas do amor
vai, suspiro doloroso,
e do infeliz prisioneiro
conforta a tétrica mente
Como um vento de esperança
move-te pela sua cela
e desperta-lhe as recordações
dos nossos sonhos de amor !
Mas não lhe contes desprevenidamente
as penas do meu coração"

Aqui acaba o primeiro filme magistralmente cantado por Raina Kabaivnaska num filme de 1975.

A gravação seguinte Eliane Coelho canta também a parte seguinte

. ouvindo-se um coro de monges implorando a remissão dos pecados do condenado prestes a morrer "Misere d ungiá vicina", que fazem Leonora que tremer com este cânticos

"Estes sons, estas preces solenes e funestas
enchem este ar de um terror sombrio
A angustia que me assalta por completo
disputa a minha boca e respiração
e ao coração os batimentos"

mas tem a alegria de ouvir a voz de Manrico dentro do castelo despedir-se da vida e do seu amor implorando-lhe que não o esqueça.

Com o bom gosto bem verdiano, acontece uma passagem magnífica entre as vozes de Manrico, Leonora e os monges, onde se repetem as ideias já aqui descritas e que termina com mais uma caballetta de Leonora " Tu vedrai che amore in terra" onde diz

Verás que amor nesta terra
não existe mais forte que o meu
venceu os destinos em dura guerra
e vencerá a própria morte
Ou com o preço da minha vida
salvarei a tua
ou contigo para sempre unida
para o túmulo irei




terça-feira, maio 01, 2007

O Trovador-Ah si bem mio-Di quella pira

O segundo quadro do 3º acto passa-se no interior de Castellor. Numa sala junto à capela, Leonora e Manrico preparam-se para se casar.

tão Ao ouvir sons de guerra Leonora fica apreensiva, comentando que o casamento desejado se apresenta sob maus auspícios (
Di qual tetra luce il nostro imen risplende). Manrico acalma-a dizendo que todos os obstáculos serão removidos.

Entoa a sua ária "Ah si bem mio" de apaixonada beleza.

Ah sim meu bem, sendo
eu teu e tu a minha consorte
terei a alma mais intrépida
o meu braço será mais forte
Mas se na página do meu destino
estiver escrito
que devo ficar entre as vítimas
atravessado por uma espada inimiga
no meu último fôlego
o meu pensamento
estará contigo
e parecer-me-á que ao morrer
apenas te precedi no céu

Na capela ao lado ouvem-se os acordes dum órgão, enquanto os apaixonados cantam

"A onda dos sons místicos
desce pura até ao coração
Vem, o templo abre-nos
as alegrias dum casto amor"

Este pequeno dueto antecede a entrada de Ruiz que lhe vem comunicar que Azucena havia sido presa e que "esse bárbaros já acenderam a fogueira"

Manrico decide então abandonar tudo para ir salvar a sua mãe, cantando a ária "Di quella pira"

Acabando por dizer

"Já era filho antes de te amar
nem mesmo o teu sofrimento pode deter-me
Mãe infeliz corro a salvar-te
ou pelo menos morrer contigo"

Partindo seguido por Ruiz e pelos soldados.

No primeiro filme canta-se toda este quadro, com Marcelo Alvarez

No segundo, e é impossível não comparar, Luciano Pavarotti "Di quella pira".



quinta-feira, abril 26, 2007

O Trovador-In braccio al mio rivale

Após alguma dificuldade para encontrar filme correspondente ao início do III acto, acabei por encontrar o que aqui publico, cuja qualidade quer de som quer de imagem não é a melhor.

Trata-se duma gravação RAI de 1966, cantada por Adriana Lazzarini e PieroCappuccilli.

A cena passa-se no acampamento do Conde de Luna. Os soldados preparam-se para o assalto ao castelo inimigo, limpando armas e entusiasmando-se com a perspectiva do combate.

Sozinho o Conde da largas ao seu ciúme, (aqui começa o filme), cantando "In braccio al mio rivale"

"Nos braços do meu rival
Este pensamento como um diabo perseguidor
segue-me por todas as partes
nos braços do meu rival
mas irei, mal apareça a aurora,
irei separá-los"

Entretanto entra Ferrando anunciando-lhe que prendera uma espia e a conduzem á presença do Conde, que lhe pergunta para onde vai, ela diz que não sabe porque "uma cigana costuma caminhar sem objectivo fixo, no seu errar vagabundo o céu serve-lhe de tecto e o mundo é a sua pátria"

Perguntam-lhe donde vem e ela responde "da Biscaia á procura do filho que a abandonara " (Giorni poversi vivera)e ela vai errando e a esse filho vai procurando, esse filho que custou penas horríveis ao meu coração, mas sinto por ele tanto amor, como mãe alguma na Terra jamais sentiu"

A dúvida sobre a identidade da cigana vai-se instalando. Ferrando jura reconhecer nela a cigana assassina e ela acaba por se denunciar gritando

E tu non vieni, o Manrico, o figlio mio ?
Non soccorri all infelice madre tua

Que retira todas as dúvidas ao Conde sobre a identidade da cigana, percebe que tem em suas mãos a mãe do seu inimigo, ordenando que seja torturada, dizendo

"A alegria inunda o meu peito
dum modo que as palavras
não podem expressar
Ah em mim encontrarão
as cinzas fraternas
uma vingança cumprida"

A um sinal do Conde os soldados levam a cigana e ele entra na sua tenda seguido de Ferrando

terça-feira, abril 17, 2007

O Trovador-Final 2º Acto

A entrada do cortejo das monjas com Leonora e Inês é uma cena tipicamente romântica.

Inês chora porque, diz, Leonora vai deixá-la para sempre. Esta responde que "nem sorrisos, nem esperanças, nem flores tem a Terra para mim".Deus é o único amparo e quem se juntará um dia.

Pede ás acompanhantes " Secai os vosso olhos e conduzi-me ao altar"

O conde entra em cena dizendo "Não... nunca ", declarando que entra ali para que ela seja dele.

Avançando em direcção a Leonora, mas Manrico interpõe-se de repente entre ambos.

Inicia-se então um trio, quando Leonora, canta "E deggio e posso crederlo"

"Devo e posso acreditar ?
vejo-te a meu lado
será isto um sonho, um êxtase
ou um encontro sobrenatural ?
O meu coração arrebatado e surpreendido
não pode resistir a tanto júbilo
Desceste do céu
ou estou no céu contigo ?"

pois tanto ela como Luna julgavam que Manrico havia morrido.

Violenta troca de palavras entre os rivais, porém o aparecimento dos soldados de Manrico, ajuda a que Manrico fuja com Leonora.

Caballe canta neste video filmado em Orange em 1972, acompanhada de Peter Glossop (Luna) e Spiess (Manrico)




quinta-feira, abril 05, 2007

O Trovador-Il ballen del suo sorriso

A segunda cena do segundo acto inicia-se praticamente com a famosa ária para barítono do Conde de Luna, quando ele e os seus seguidores se aproximam de noite do castelo de Castellor.

Luna canta a sua ária "Il ballen del suo sorriso"(A luz do seu sorriso), onde ele anuncia que quer raptar a sua amada Leonora que pretende professar, propondo-se ele raptá-la antes que ela o consiga.

Diz então que :

" A luz do seu sorriso
é maior do que uma estrela
o esplendor do seu lindo rosto
infunde-me nova coragem
O amor que me anima
falará a meu favor
e que o Sol de um dos seus olhares disperse
a tempestade do meu coração".

Ouve-se entretanto o bater dos sinos que anunciam a cerimónia. Os soldados que o conde trouxera consigo dispõem-se para o rapto, enquanto este proclama "Per me ora fatale"

"Hora fatal para mim
apressa os teus momentos
a alegria que me espera
não é um júbilo mortal
Em vão um deus rival
se opõe ao meu amor
nem mesmo um Deus pode
oh mulher afastar-te de mim"

O papel do conde de Luna é cantado por Piero Cappuccilli