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terça-feira, julho 17, 2007

Ileana Cotrubas

Talvez os melómanos mais fundamentalista, não colocassem esta soprano romena na galeria dos grandes nomes.

Eu desde que a ouvi cantar em Lisboa em 1975 o papel de Gilda do Rigoletto, aliás uma das suas imagens de marca, nunca deixei de seguir a sua carreira, admirador como sou da sua linda voz.

Esta soprano lírica romena nascida em 1939, especialista nos papéis que requerem uma certa carga emotiva, desempenha a preceito papéis como o de Mimi em La Bohème, a doce Susana nas Bodas de Figaro, ou mesmo a Tatiana de Eugéne Onéguine de Tchaikowsky.

Estreou-se em Bucareste em 1964 no papel do pequeno Yniold de Pelléas etMelisande de Debussy, revelando uma outra faceta que marcou grande parte da sua carreira, pelo facto da sua figura franzina se ajustar a papeis de menino ou de rapaz em "travesti".

Retirou-se em 1990 dedicando-se desde então ao ensino.

O primeiro vídeo é precisamente de 1990 e trata-se no fundo duma gracinha. Um conjunto de artistas reuniu-se em Viena para uma Gala a favor da Roménia, todos em cena para fecho do espectáculo cantam O Brinde de La Traviatta de Verdi.

A curiosidade dos papéis de Alfredo serem repartidos por José Carreras e Plácido Domingo e o de Violette por Agnes Baltsa primeiro e Cotrubas depois.

No segundo uma ária da opereta de Franz Lehar, Giuditta que não conhecia, já que normalmente só se fala da Viúva Alegre. A beleza da voz de Ileana em 1996, já depois de retirada, continua associada à sua extrema graciosidade em palco.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Giulietta Simionato

Nascida a 12 de Maio de 1910, esta mezzo soprano italiana, felizmente ainda hoje viva, foi uma das grandes vozes da ópera.

Não dúvido, a par da Cosotto, as melhores "mezzo" de sempre, até que me provem o contrário

A sua carreira extendeu-se entre 1930 e 1966, altura em que se retirou.

Grande amiga das sopranos rivais Maria Callas e Renata Tebaldi, destacou-se pela grande qualidade da sua voz, mas também pelo seu grande profissionalismo.

Faz parte da história da ópera, uma récita com Callas em 1957, dirigidas por Karajan cantando Ana Bolena

Estreou-se no Scala de Milão em 1936, cantando regularmente, nessa difícil sala, durante 30 anos.

O seu extenso repertório incluem os grandes papéis Amneris(Aida), Santuzza(Cavalleria Rusticana), Carmen, Azucena(Trovador), etc.

Entre nós cantou em 1956, no teatro S.Carlos, o papel de Santuzza da Cavalleria Rusticana, com Mário Ortica, Rudolfo Azzolini e Aurora Cattelani.

Dois vídeos o primeiro a Habanera da "Carmen" de Bizet, cantada em Tóquio em 1959. O segundo, uma intervenção no programa IL Café na Rai em 2003, onde, com 93 anos ainda trauteia a ária de Lola "Flor de gladíolo" da Cavalleria Rusticana.



sábado, fevereiro 10, 2007

Carlo Bergonzi-Um grande tenor verdiano


Nasceu perto de Parma a província de Verdi, em 1924.

Hoje, naturalmente retirado, foi considerado enquanto no activo, o maior tenor verdiano na cena lírica mundial.

Curiosamente fez os seus estudos e estreou-se cantando papéis de barítono.

Aos 27 anos verificou que a sua voz estava a mudar e após um novo período de estudo intenso, emergiu como tenor, estreando-se como protagonista de "André Chénier". Em 1955 já cantava no Scala de Milão e a estreia londrina no mesmo ano, no papel de Don Alvaro em “A força do destino”
.
Depois seguiram-se papeis em várias óperas e inúmeras gravações algumas que ficaram famosas.

Os seus desempenhos mais importantes, para além de Edgardo da "Lucia de Lammermoor", Turiddu em "Cavalleria Rusticana", ou Des Grieux na "Manon Lescault".

Interpreta na perfeição o bel canto lírico, mas cantou igualmente duma forma suprema o papel de Fausto em "Mefistofeles". Outro dos seus papéis preferidos é de Enzo em "La Gioconda", que cantou no S.Carlos em 1965.

Como já disse, o seu principal argumento são os papéis verdianos, tendo cantado todas as óperas, com a excepção evidente do "Nabucco", que não tem nenhuma ária para tenor.

Pessoalmente vi-o cantar em Lisboa em 1972 “A força do destino” e em 1976 “Um baile de máscaras”

Nos vídeos juntos, o primeiro refere uma gravação em 1967 em Florença, da célebre ária "Una
furtiva lacrima" da ópera "Elixir do Amor".

O segundo vídeo, num dos mais difíceis papéis do reportório verdiano, no papel de Radamés a ária "Celeste Aida" da ópera "Aida", gravado em 1966



segunda-feira, janeiro 22, 2007

Requiem por Nicolai Ghiaurov



O minha voz de baixo preferida,também assim considerado por muita gente, pelo menos no que aos papéis verdianos, diz respeito.

Infelizmente já falecido em 2004,com 74 anos, vítima de paragem cardiaca

Búlgaro de nascimento, fez a maioria dos seus estudos na Rússia, começou a cantar aos 26 anos interpretando o papel de Don Basílio no BARBEIRO DE SEVILHA.e que seria também o último papel que desempenhou. Viria também a interpretar e a gravar os principais papéis para a sua voz

Assinale-se em especial os papéis de Mefistófeles em FAUSTO, o de Filipe II em DON CARLOS e nas DON GIOVANI e BORIS GODUNOV.

Casado com a soprano italiana Mirella Freni, a melhor Mimi (Boheme) conhecida, onde Ghiaurov, canta no seu papel de Colline, uma ária muito simples, mas de que gosto muito (Vecchia zimarra senti)

Pode ver-se no video que acompanha. Colline é uma artista, que perante a necessidade de se comprarem medicamento para Mimi, tuberculosa em estado terminal, se despede da sua velha samarra, que vai ser empenhada para se reunir dinheiro

No segundo video, Ghiaurov canta uma ária (Ella gammai mamo), na qual Filipe II rei de Espanha se lamenta da traição da sua mulher Isabel Valoais.



segunda-feira, janeiro 15, 2007

Notas finais sobre a protagonista



Voltando ao assunto da Norma e as suas grandes interpretes, diga-se que Sutherland foi a única soprano que gravou a Norma no seu tom original (sol maior), Callas e Caballé, cantaram-na sempre um tom mais baixo.

Dizem os entendidos, que a melhor Norma de Caballé é a gravação video da representação no teatro Orange em 1974, Ela aproxima-se mais, pelo seu canto lírico expresso com mórbidez, de uma sacerdotisa, que está lutando contra ( ou pela sua) feminilidade, que uma semi-deusa.O seu canto estilizado, suave, é de uma homogeneidade assombrosa e os seus “legatos”(canto sem interrupções de linha melódica ), conferem ás frases uma velada tristeza, quando o tom é ameno, sobretudo nos duetos com Adalgisa.

Até ao aparecimento de Callas, não pode dizer-se que tenha havido uma Norma de eleição, (com a eventual exepção de Rosa Ponselle). Para além das exepcionais capacidades vocais e técnicas, ela conhecia na perfeição o recitativo clássico e sabia transmitir o ar trágico e de grande distância, da grande sacerdotisa.

Para perceber as cambiantes que Callas consegue transmitir, a este papel, é necessário, ouvir uma Norma inteira cantada por ela, quase que parecendo que são vozes diferentes, conforme cada cambiante do papel, oscilando entre, doçura,desespero, autoridade.

O problema de Callas, foram os maleitas vocais, os empresários, os exageros, por fim alguma decadência em que se deixou mostrar, depois o abandodo e por fim a morte.

Com Caballé hoje preticamente retirada. Sutherland a grande diva australiana, definitivamente fora do palco, não há Normas de eleição, para cantar este papel, vamos ver até quando